sexta-feira, 22 de maio de 2009

Zé Rodrix imortal


Poderia continuar sendo uma sexta-feira qualquer. Não. Repentinamente, de passagem pela televisão da sala, ouço: “O maior sucesso, na carreira de compositor, de Zé Rodrix foi Casa no Campo”. Falei, sozinha, sem pensar: pra Globo abrir espaço, no Jornal Hoje, ao Zé Rodrix, só pode ter morrido. E morreu mesmo. Zé Rodrix, agora, é imortal.
Pouca gente sabia, mas Zé Rodrix tinha formação musical, tendo estudado no Conservatório Brasileiro de Música e na Escola Nacional de Música, tocava piano, flauta, acordeão, bateria, trompete e saxofone. Carioca, 61 anos, seis filhos, vivia em Belo Horizonte, junto com a família. Sentiu-se mal em casa, e, em menos de meia hora, estava morto. Velório e enterro, em São Paulo.
Sagitariano de 25 de novembro, Zé Rodrix só sabia fazer arte. E como fazia tudo bem feito! Não digo isso, por que morreu, mas o admirei sempre vivo. Durante mais de vinte anos, foi publicitário, dono do estúdio A Voz do Brasil, produzindo jingles e músicas comerciais de sucesso.
A música embriagava a alma de Zé Rodrix. De 1968 até o início deste ano, gravou quinze discos (entre vinil e cd), e mais um compacto. Tenho certeza que não gravou mais, por falta de espaço no mercado. Mas agora deve começar a vender como nunca (quanta ironia!). No início do novo milênio, revelou-se maçom, lançando a "trilogia do templo" sobre a Maçonaria, com os títulos: Johaben: Diário de um Construtor do Templo; Zorobabel: Reconstruindo o Templo; e Esquin de Floyrac: O fim do Templo. O cara viveu intensamente.
De jeito simples, bem-humorado, Zé Rodrix compôs músicas belíssimas, inesquecíveis. A maioria dos fãs destaca sempre “Casa no Campo”, parceria com Tavito. Mas eu sou mais "Soy Latino Americano" – música, pra mim, que diz tudo, no tom perfeito do bom humor.
Mais uma vez, morre o artista, e fica a arte. A arte que o imortaliza. A arte que nos embriaga a alma. A arte que faz de conta que a vida tem algum sentido. A arte que sensibiliza, emociona, nos torna humanos. A arte – pura e simples – que faz a gente alimentar sonhos. A arte sem sinônimo, com tantas palavras, tantas melodias, tantas memórias, tantas vidas, tantos cantos – claros, obscuros, silenciosos, gritantes...

Olha, gente, tem Zé Rodrix no horário nobre: imortal!! (Talvez, se ele visse a “manchete” do dia, até risse, ou chorasse...)

Um comentário:

  1. A morte sempre vem nos encontrar...(ou vice versa).
    Gostamos aqui de Zé Rodrix (muito também) !
    Aluno de Giba deu notícia a ele.
    A RG me notificou de sua 'viagem'...(não interessa muito de onde vem a notícia, mas o fato)!!
    Morte é assim...(fim).
    Cá estou, tão abismada quanto, com mortes no Rodeio de Jaguariuna, teve gente que morreu pisoteada (com salto agulha na garganta).
    Ma estava lá no exato momento, felizmente longe da arena onde tudo aconteceu (fim também!).

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