terça-feira, 2 de junho de 2009

Pensando...


Caiu o Airbus da Air France, com 228 seres humanos, que deixaram aos prantos, familiares e amigos em 24 países, incluindo o Brasil. Mas, numa hora dessas, não importam a nacionalidade, o idioma, a cultura – a dor da perda é a mesma. E o tempo – implacável – não volta.
Na minha vidinha medíocre, fico pensando tanta coisa - nada. Quantos sonhos, quantos ideais, quantos planos foram mortos. Quantas pessoas entraram naquele avião (seguro, potente) pensando em tantas outras coisas, talvez até mais altas que o próprio vôo. Quantos pensavam em viver na França, e lá construir uma vida nova. Quantos revisavam a agenda cheia que teriam, a partir do desembarque. Quantos já pensavam na volta ao Brasil. Quantos imaginavam o reencontro com a família, os amigos. Quantos não pensavam coisa alguma, pois sabiam que voltariam à rotina francesa. Quantos oravam aos seus ‘deuses’, para que protegessem os doze tripulantes da aeronave. Quantos já pensavam no próximo avião que teriam de embarcar, seguindo viagem. Quantos?...
E as crianças que estavam no Airbus-A330? Eram oito. Um bebê, que, provavelmente, dormia no colo dos pais. E as outras crianças – será que olhavam pela janela, dormiam, se distraíam observando os outros passageiros? (Quem sabe, uma delas catucasse o pai, ou a mãe, para perguntar: “Vai demorar muito pra chegarmos?”) Não importa. Continuarão sempre crianças – mortas.
Morreram todos...
Mas nós continuamos vivos...
E eu (ainda) pensando, tentando concatenar alguma coisa – nada. O que nós fazemos com a vida que mantemos? O que nós temos deixado de fazer? Por que esse hábito miserável de deixarmos para fazer o importante, só amanhã? Por que continuamos ousando vestir a fantasia de seres eternos, nesta vidinha efêmera? Por que complicamos tanto? Por que nos vestimos com a armadura do orgulho, e ainda nos sentimos imbatíveis por isso? Por que erramos, quando sabemos disso, e não tentamos acertar? Por que sempre acreditamos que ‘coisa ruim’ só acontece com os outros, a família dos outros? Por que reclamamos tanto da vida que nós mesmos conduzimos? Por que ficamos esperando um amanhã que pode nem existir? Por que sofremos tanto, choramos até, quando quebramos uma unha? Por que conjugamos tanto na primeira pessoa do singular? Por que continuamos reproduzindo as atrocidades que tanto combatemos? Por que discriminamos tanto? Por que o nosso ‘nariz empinado’, diante de seres humanos como nós? Por que adiamos sempre as mudanças que, sabemos, temos de assumir na vida? Por que nos enchemos de certezas, verdades absolutas, nos cobrimos de ódios, e avançamos com armas? Por que não decidimos logo doar o melhor de nós à vida humana, aos seres humanos, a nós mesmos, também humanos, e, por isso, falhos, falíveis, vulneráveis, efêmeros, frágeis e mortais seres humanos?...
...Enquanto isso, a morte – sempre a morte – continua à espreita... E o tempo?... ah, o tempo...

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