sábado, 11 de julho de 2009

“Parem o mundo, que eu quero descer!...”


Desde sempre, ouço essa frase aí de cima, em circunstâncias diversas. E hoje sou eu que a repito. Talvez, ninguém saiba o nome do autor dessa grande máxima (tampouco eu sei). Não importa - poderia ser Chico Xavier, ou Fernando Pessoa, nomes que eventualmente substituem o ‘autor desconhecido’, nessas mensagens que recebemos por email.
A verdade é que hoje sou eu que quero gritar:
“Parem o mundo, que eu quero descer!...”
Se possível, se não for pedir demais, podem me ‘despejar’ bem ali, debaixo daquela árvore cheia de raízes, e galhos, e folhas. Aquela árvore mais distante, sem ruídos, sem movimento. Árvore que não fala, nem escuta, por que não pensa, nem sabe que existe.
Recosto na árvore antiga, de sombra secular, e deixamo-nos ficar assim: ambas silenciosas de um mundo barulhento. Os seres humanos (a maioria) não suportam o silêncio, e por isso ruidosamente vivem, sempre em direção dos sons, dos gestos, dos pensamentos, das lembranças e das idéias cheias de barulhos – altos, baixos, mas barulhos. Quando nada escutam, falam, falam até sem pensar (seria pra pensarem no que estão falando?).
Também eu faço parte desta humanidade turbulenta, tumultuada, cheia de ruídos. Mas hoje, só hoje, quero descansar...
“Parem o mundo, que eu quero descer!...”
Não quero saber de interpretações – nem as alheias, muito menos as minhas próprias. Quero simplesmente ficar, silenciosamente ficar.
Muito prazer, senhora árvore, e muito obrigado por acolher-me, sem nada questionar, sou-lhe grata pelo recostar em sua sombra, sem precisa ouvir, ou falar.
Faço parte de um universo onde a desconfiança está em alta. Cada ser humano é objeto de desconfiança, às vezes até para si mesmo. Precisamos estar na ‘moda’ – ou nos vestimos como todo mundo, falamos a mesma linguagem, repetimos os gestos comuns, ou não fazemos parte. Tudo para agradar a todos, que também querem agradar em tudo.
Venho de um mundo, dona árvore, onde os ‘pseudos’ estão se enraizando mais que as suas raízes grossas, antigas. É preciso parecer Gérson (um jogador de futebol, que é mais lembrado, não por uma jogada ‘fenomenal’, mas por causa de uma frase que disse, quando faturou um comercial de televisão: “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”).
Tenho sabido de alunos que espancam professores, em plena sala de aula. E há estudantes que são assassinados por balas perdidas. Tem mãe jogando filho em lata de lixo. Tem pai estuprando filha. Há gente estourando bombas em escolas, ônibus, casas de família, ambientes públicos. Já entrevistei um “jagunço” (ele se denominava assim, e até parecia orgulhar-se disso) que matava uma pessoa, “sob encomenda”, para quem lhe pagasse R$ 50. Gente que mata gente, e até se mata. E eu que não consigo matar uma galinha, tirar um peixe de um açude, fazer matéria em abatedouros e frigoríficos (minha arma tem sido sempre a palavra).
“Parem o mundo, que eu quero descer!...”
Mas ainda há os sofrimentos particulares, dona árvore. Tem gente torturando gente, com humilhações, ameaças, ódios. Gente que torce para que o outro, seja quem for, se dê mal na vida. Gente que se importa mais com a vida dos outros, do que com a própria vida. Gente que fala demais da vida dos outros, no mesmo tempo que poderia estar refletindo sobre a sua própria vida. É muita gente pisoteando em muita gente. Gente orgulhosa. Gente impetuosa. Gente maledicente. Gente egoísta. Gente nervosinha. Gente agitada. Gente barulhenta. Gente com patas de aço. Gente. Gente. Também eu faço parte de toda esta gente.
Só por hoje: “Parem o mundo, que eu quero descer!...”

3 comentários:

  1. Uau... eu não quero descer não, quero ficar bem aqui..hehehe
    To te acompanhando, e gostando muito disso! Tudo novo, de novo!

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  2. parem mesmooooooooo!!!é tudo q precisamos parar e mudar!

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  3. "pare o mundo que eu quero descer" musica de silvio brito

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