sábado, 29 de agosto de 2009

A falta do tempo que não falta


Muito mais que a própria ‘marcação’ do tempo (que não existe), foi uma grande ‘sacada’ do cara que inventou a “falta de tempo”. Sempre justifica ausência, convencendo mesmo quem escuta, ou lê. Desde sempre, me falta tempo pra eu fazer o que não quero, não gosto, no caso de eu ser “convidada” por alguém, ou ‘alguéns’, e não “convocada” pelo meu senso de responsabilidade.
Temos – todos – de admitir que as duas palavrinhas mágicas (“falta tempo”) “quebram um galho” danado, quando a gente se vê em apuros. Falta tempo pra eu sair com algumas pessoas, e passar horas debatendo sobre quem apareceu primeiro: o ovo, ou a galinha (eu ainda acho que foi a galinha, e trazia um ovo empinado no bico). Faltou tempo pra eu participar daquela reunião que sempre reúne gente insuportável (a insuportável aqui justifica a ausência no ‘clube’). Falta tempo pra eu sentar no meio-fio com alguém que só quer falar mal de gente que eu conheço e de gente que eu nem imagino que exista. Ah, falta muuuuuuuuuuuuuuuito tempo pra eu perder com todas essas faltas de tempo, isso sim.
Brincadeiras à parte, quando necessitamos de um tempinho, pra fazer o que desejamos, este tempinho aparece, sem jamais os relógios serem alterados, ou tomarem conhecimento disso. Redobramos esforços, batendo nossos próprios recordes. Se professores e patrões, principalmente, um dia imaginassem o quanto somos capazes, no mínimo tempo cronometrado, não nos deixariam em paz, com toda certeza. Ia ser uma exploração só, maior, bem maior que todas as explorações que constam na história (mal contada) da humanidade. Melhor nem pensar.
Eu sempre digo que minha alma é vadia – uma alma vadia num corpo inquieto. Mas esse corpo cansa, e a minha alma aproveita a ocasião pra fazer nada, nada mesmo – pensamentos mais ‘esparsos’ que a garoa que nem chega molhar, enquanto o corpo curte a inércia de um repouso dolorido, na companhia de uma música de fundo, e nada mais. Este é o meu tempo. É o tempo que eu escolho pra mim. É o tempo que eu ‘faço acontecer’. É o tempo que não existiria, se eu me predispusesse (me obrigasse mesmo) a fazer tudo o que tenho de, tenho de – sempre. Por favor, não comece a imaginar que seja meu momento de meditação, ou outra coisa qualquer “transcendental”, por que não é – eu confesso. Pura vadiagem mesmo. É o meu tempo. Com ou sem licença alheia.
No fundo, bem no fundo mesmo, sabemos como administramos o nosso tempo – dormir, levantar, estudar, trabalhar, comer (no dúbio sentido), até tomar banho e fazer todas as necessidades mais privadas. Quando encontramos alguém que gostamos, no meio de um dia atribulado, não “esquecemos compromissos”, nem “perdemos a hora”: simplesmente, nossa alma quer ficar na companhia da outra alma. E fica. Nem que depois a gente saia tropeçando nos relógios da vida, se desculpando pra Deus e todo mundo, inventando mil justificativas (o trânsito, o cachorro no caminho, a impressora que não funcionava, o ônibus atrasado, etc etc). Aí sim, perdemos tempo – inventando justificativas de primeiros socorros.
Quando nos falta tempo, não nos falta tempo. Falta uma outra coisinha: vontade, desejo, motivação, ou algo semelhante (não vou recorrer a dicionário agora). Pelo menos, por enquanto, é assim, já que tem gente anunciando por aí que, depois da morte, os fantasminhas podem estar em diversos lugares ao mesmo tempo. Mas não acho que fantasminha algum ganhe esse poder de onipresença “no mole”, não. Acho que o fantasminha precisa receber alguma promoção, ou condecoração por serviços prestados, ‘honra ao mérito celestial’, ou algo assim. Sei lá. É o que consigo imaginar.
Enquanto não sou fantasminha - nem sei o que virá, depois que a minha vida dobrar a esquina -, acho legal parar um pouco, pra dar uma olhadinha no tempo que resta. É um resto de tempo que eu não sei quanto tempo é, nem o tempo sabe, por que também não acena, não sinaliza. Por favor, não me diga que isso é perda de tempo, por que estou aqui, há um tempão, tentando escrever alguma coisa que diga nada, pra você não perder tempo pensando nessas minhas besteiras sobre o que não existe...

Um comentário:

  1. haha..tb me falta tempo para as coisas q não quero!...e como é q a gente faz qd a alma é inqueieta e o corpo é preguiçoso?!


    =***

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