sábado, 22 de agosto de 2009

Vai mais uma picaretagem aí?...


Foi-se o tempo em que picareta era uma simples ferramenta de trabalho, quase inofensiva, quando não usada criminosamente. Depois, picareta passou a ser símbolo de um partido metido a comunista - a picareta continua na bandeira, mas a ideologia há muito deu “adeus, tia Chica”.
Hoje, picareta é o cara (não “o cara” de Mr. Obama). Picareta é aquele cara bacana, bom falante, simpatia personificada, que está sempre a “quebrar galho”, seja pra quem for, desde que fature ‘algum’. Resumindo, picareta é o cara que te logra, sorrindo, e ainda te dá tapinhas nas costas, em lugar do troco, e, “de lambuja”, você ainda sai com um: “volte sempre”!
Sei que vou “chover no molhado”. Mas há frases ‘célebres’ dos ‘mestres da picaretagem’. Você deve conhecê-las e reconhecê-las por aí. Mas sempre é bom lembrar que, se você ‘cair’ numa dessas, é por livre e espontânea vontade de jogar dinheiro fora, que você diz sim a:

- O “pobrema” tá na “rebimboca da parafuseta”. O serviço vai custar mais caro, mas vale a pena!

- Este som é de quinta, mas tenho um aqui de primeira, importado, com preço de nacional.

- Agora, não trabalho mais para os outros. Sou importador de Taiwan.

- Se eu remendar essa roupa, vai custar mais caro do que se você levar essa novinha em folha.

- O pneu é usado, mas rodou pouco, por que era de carro de madame.

- Até conserto esse aparelho bastante usado, mas acho melhor você me pagar uma garantia, por que vou ter de consertar novamente, e isso não vai demorar muito.

- Se você encontrar mais barato, pode ligar para este número de celular aqui, que eu venho devolver o dinheiro.

- Não tenho nota fiscal, mas posso conseguir com um colega meu.

- Vou te cobrar um pouco mais, pra que você volte e ganhe desconto.

- Se você levar meia dúzia de pares de meias, ganha um pé de meia grátis, e assim vai juntando mais pares.

- Pode avisar às amigas: eu trabalho com cortes de cabelo, depilação, manicure, pedicure, e ainda vendo produtos de beleza e uns remedinhos pra emagrecer.

- Nossa loja não tem placa, e funciona aqui nos fundos, por que a clientela já é demais, e não temos tanto estoque.

- Depois de trabalhar na venda de tintura para cabelo, fabriquei um produto que vai enlouquecer as mulheres. Quer experimentar?...

- A Polícia Federal me persegue, sempre quando viajo pra Foz do Iguaçu.

- Não queira saber aonde escondi essas embalagens de Tamiflu, pra trazer de tão longe, e vender baratinho!...

- Não costumo assumir contrato por trabalho, mas sim, por hora de serviço. Demoro, mas faço bem feito.

- etc etc etc etc

Confessa, você deve ter outras tantas frases aí, e tá lembrando agora, né?... Isso tudo é picaretagem, uma palavrinha ‘em alta’, por todos os cantos deste Brasil de meu Deus. Tem um monte de gente aproveitando a ‘maré’, e saindo da informalidade, e assumindo, descarada e formalmente, a ‘picareta’, que já não é usada na terra, mas sim, na ‘lábia’. Dizem que dá trabalho, e que o lucro é maior que o da ferramenta. Eu fico imaginando quanta criatividade jogada na lixeira do imediatismo, sempre à beira do abismo prisional.
Por favor, só não me venha com a “lenga-lenga” de que temos exemplos de picaretagem, em Brasília, e por isso a ‘prática’ tem aumentado. Também lá, bem lá no Distrito Federal, há exemplos de cidadãos de bem. É certo que são raros, e alguns se manifestam no estilo “slow motion”, mas ainda vivem, ou, pelo menos, parece (que maldade!)...

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