segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A “pisada na bola” do momento


Acompanhei, pela mídia, a ‘gafe’ da cantora Vanusa, quando, parecendo disco vinil em rotação alterada, ‘arrastava’ um ‘quase-hino’ nacional, enquanto os promotores do evento tentavam fazê-la calar, “agradecendo à cantora”. Isso tudo, ao vivo, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Como tantos outros, também eu pensei, no ato: ela só pode tá ‘chapada’, por que não há estado de embriaguez que chegue a esse ponto. Confesso que senti pena – pena foi o único sentimento que tive em relação ao ‘desastre’ de Vanusa. Eu não queria comentar o fato, mas acabei me envolvendo, por que, em quase todas as ‘rodas’, ainda se fala sobre isso, infelizmente, enquanto tantos outros assuntos (mais importantes que esse, que só interessa à Vanusa) são esquecidos, desapercebidamente.
Depois, vieram as consequências do fato, que, obviamente, tornaram-se piadas nacionais. Vanusa “pisou na bola”, “derrapou na contramão”, “enfiou o pé na jaca”, “deslizou na maionese”, “escorregou no catchup”, “sefu” (como diz um amigo meu), fez ‘merda’ mesmo. Não tem jeito. E justamente com o hino nacional. O povo “caiu em cima”, e com tudo, claro, não podia perder essa. Caetano escorregar do palco, e cair, não dá tanta manchete (no máximo, um comentariozinho discreto, aqui e acolá), por que Caetano não permite. “Caê” é “Caê” – ele pode tudo.
Mas Vanusa vacilou demais. Ela discutiu com o filho, o que causou-lhe, provavelmente, mais uma crise de labirintite. Como tinha o compromisso, no evento da Assembléia Legislativa/SP, decidiu, por conta própria, tomar dois comprimidos de Vertix (quem tem labirintite pode traduzir isso), e outro de Neosaldina. Querem mais?... Só podia mesmo dar no que deu. Vanusa ‘enroscou’ no hino nacional, ‘trocou as bolas’ da letra e da melodia, quando poderia simplesmente ter justificado a ausência, por questão de saúde. Mas não. Vanusa parece ser mulher de assumir sempre seus compromissos. Parece mesmo ser perfeccionista, em tudo. Danou-se, mais ainda, por isso. “Meus pêsames”!
Inclusive, no dia 22 de setembro, Vanusa completa 62 anos de idade. Será que ninguém pode dar um desconto, por isso?... São mais de 40 anos de carreira. Lembram de “Manhãs de Setembro”?... Pois é, Vanusa canta essa música, desde 1973. Ela tinha 26 anos, quando lançou o que seria um dos maiores sucessos da carreira dela. Em recente programa de televisão, durante entrevista, para defender-se (será que precisava?) das piadas, Vanusa cantou “Manhãs de Setembro”, ao vivo, e também errou a letra. De entrada, ela já emendou tudo. Começou com: “Fui eu que se fechou no muro, e se guardou lá fora”. Logo depois, já seguiu para: “Fui eu que conseguiu ficar e ir embora”. Alguém viu?... Alguém fez piadinha sem graça, por causa disso?... Ah, mas não foi com o hino nacional! Grande coisa! Errou igual! Muitos cantores, até Milton Nascimento, admitem “tropeçar” nas tantas letras de músicas, que todo mundo canta com a maior facilidade, em qualquer lugar.
Aliás, quem sabe o hino nacional de cor, e canta num só fôlego?... Eu não arriscaria, pois sei que, mesmo sem o efeito de dois Vertix e um de Neosaldina, eu faria ‘merda’ no hino nacional. Isso não é música somente de artista – qualquer cidadão brasileiro deveria saber. Mas não sabemos. O que sabemos mesmo é fazer piadas (dos outros, claro, nunca de nós mesmos) – e como somos criativos, mais ainda, quando não enxergamos a “linha tênue” do respeito, e atropelamos tudo e todos.
Quanto à Vanusa, continuará cantando, certamente. Em muitos shows – se prepare! -, haverá ainda algum “palhaço” bom de memória, que pedirá pra ela cantar o hino nacional. Eis o grande desafio da cantora: “levar na esportiva”, e deixar um pouco de lado, a vaidade, o orgulho e o perfeccionismo. A lição pode ser pra todos nós, que também distorcemos a letra e a melodia da vida que segue, quase sempre, com falta de harmonia...

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