sexta-feira, 9 de outubro de 2009

No mundo das intenções

Embarque comigo, nesta (longa) viagem, para o mundo das intenções. É expressamente proibida, por questão de segurança, qualquer bagagem – não há lugar pra nem uma interpretação sequer, ou descrença, por menor que seja... Não sei ao certo, nem ao incerto, se aterrissaremos em algum qualquer lugar – depende de mim, depende de você...
Aviso prévio único: Não há cinto de segurança, nem qualquer seguro individual, ou kit salva-vida. A viagem inteirinha é por sua conta e risco. E boa viagem – pra nós!...
Se “de boas intenções, o inferno tá cheio” – não sei. O que sei (um pouco) é de mim, que (ainda e sempre) acredito nas intenções – boas, ou ruins. Eu mesma não preparo qualquer prato, na cozinha (um arrozinho sequer), sem que eu esteja imbuída de boas intenções. Pode parecer besteira - e é! -, mas acredito que, se eu não fizer bem intencionada alguma coisa, essa coisa vai resultar em ‘merda’. Por isso, quando não estou em paz com alguém com quem convivo, de uma forma ou de outra, antes de fazermos qualquer trabalho juntos, sempre procuro esclarecer o desentendimento, ou seja lá o que for que nos causou estranheza um com o outro. É meu jeito de ser, ou de não ser. Sei lá.
Tanto quanto em mim, também considero as intenções das pessoas. Se for alguém mais próximo, claro que a intenção tem um valor ainda maior. Lembro agora de uma senhora, que já faleceu. Ela criava muitos netos, e, por isso, a alimentação era escassa, mas contava com a ajuda de pessoas bem intencionadas. Eu a visitava quase sempre, mais pra ouvi-la, aprender com ela – figura simples, analfabeta, e sábia. Um dia, ao me receber em casa, essa senhora me disse, num abraço: “Guardei um prato de canjica de trigo, por que sei que você gosta tanto, mas não tenho leite pra colocar junto”. Quando ela me fez sentar à mesa, servindo-me o prato da canjica que tanto gosto, eu engasguei de emoção, e não havia jeito de engolir sequer o caldinho da pequena porção de canjica. Só pude degustá-la, depois de chorar, e, claro, tentar verbalizar o que senti, àquela criatura maravilhosa que conheci, com quem não posso mais conviver. Encontrei algumas (raras) criaturas encantadoras, que também me serviram canjiquinha de trigo (sonhos), alimentando a minha alma. O que contei aqui é pra você saber o que significa, pra mim, a intenção de alguém.
O mais legal é que guardo sempre as boas intenções das pessoas – as ruins, eu naturalmente esqueço (ou será que devolvo ao portador, que porta aquela dor?). É verdade – pode acreditar. E como valorizo cada uma das boas intenções que identifico! Nos sonhos das boas intenções das criaturas que conheci, já viajei quase o mundo inteiro, já trabalhei num gueto africano, já tive uma vida em paz no meio do mato, já fiz parte da criação de uma ONG de crianças, adolescentes e jovens esquecidos pela sociedade, já editei livros, e ganhei dinheiro com isso... hehehehehehehehehehe
Sonhei junto com gente bem intencionada. Sou uma privilegiada – isso sim.
As boas intenções – minhas ou alheias – sustentam a minha alma torta. Sou tão “ligada” nessas coisas intencionais, que acredito até na força do pensamento humano. Pra mim, tudo parte da intenção, e retorna à ela. Até mesmo quando eu quebro, ou alguém quebra, sem a intenção de, um copo, um prato, não fico me culpando por isso, nem culpo a outra pessoa, por ter quebrado a louça (é uma ‘merda’, quando a gente quebra, sem querer). Mas, quando existe a intenção – boa ou ruim -, aí sim, ajo de acordo com, mesmo quando sou eu, a criatura mal intencionada que protagoniza a cena terrível.
Acho mesmo que intenção é tudo. Por que – é o que vejo -, antes mesmo da concretização (materialização), houve um desejo, uma vontade, uma intenção. Nem sempre se alcança o objetivo, é verdade, mas, mesmo assim, a intenção sobrevive – liberta, ou escondida nos porões mais escuros da alma da gente...
A viagem pode continuar, se você (ainda) pensar sobre isso - ou não...

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