sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Intimidade = Desrespeito?


Uma das coisas (humanas) que eu não entendo há mais tempo é a tentativa prática de igualar intimidade com desrespeito. Não falo da forma como os homens (sexo masculino mesmo), desde a puberdade, se tratam verbalmente, ou ainda com gestos mais agressivos. O que quero escrever aqui é sobre a intimidade que descamba para o desrespeito mesmo.
Por que será que as pessoas confundem essas duas palavrinhas tão simples (intimidade – desrespeito), se analisadas superficialmente?... Sinceramente, não sei, e o meu não saber já tem décadas, tá ficando velhinho, caduco talvez...
Afinal, o que é intimidade?... Para alguns, intimidade é ir pra cama com alguém. Pra outros, intimidade é afinidade de almas, semelhança intelectual, e essa coisa toda intangível e indescritível. Mas há aquelas intimidades “por direito”, “por força das circunstâncias” – intimidade familiar, ou decorrente do tempo de convivência com alguém, seja no ambiente de trabalho, ou pela vizinhança. De algum jeito, alguém sempre se sente íntimo de outro alguém. Nem sempre há reciprocidade, mas isso não chega ‘derreter’ a visão de intimidade que alguém tem.
Pra mim, que pouco conheço e menos ainda sei de relações humanas, intimidade até pode ter cama, com a mais deliciosa sintonia sexual. Mas nem sempre intimidade pressupõe sexo. Na minha visão estrábica, intimidade tem várias vertentes, e é mantida pela vontade das pessoas envolvidas. Há quem não permita, nem se permita, a muita intimidade. Há outros que, sem se importarem com tempo, ou espaço, tornam-se íntimos e inesquecíveis, e reconhecem outras pessoas com tamanha intimidade, que não há limites, nem fins. Essa tamanha intimidade me fascina – tão longe mora do desrespeito.
Independente das variadas e inimagináveis opiniões acerca de intimidade, penso que nada tem a ver com desrespeito – nem vizinhos devem ser. Mas acho que a maioria das pessoas (as quais eu sei da existência delas, obviamente) não pensa, nem age assim. As pessoas confundem demais intimidade com desrespeito, um fato que eu nunca cheguei compreender. Sempre acabo na observação e no questionamento: Por que, quase sempre, as pessoas, sentindo-se íntimas, tratam as outras com desrespeito?
Não estou me referindo aqui a brincadeiras. Não e não. Absolutamente. Falo sobre situações sérias, momentos únicos, da necessidade (acho) do respeito básico. Sentindo-se íntima, e considerando o outro íntimo, se vê no direito de desrespeitá-lo. Não entendo isso, como não entendo a maior parte do que enxergo, percebo e vivo observando nos seres humanos. Talvez, quem sabe, por isso (também), ainda não sei ser humana.
Com a minha “veia jornalística”, sempre que tenho uma oportunidade, questiono as pessoas sobre isso. O que me dizem é que “é natural”, que, quanto mais amam, mais se sentem no direito de até humilhar o alvo do seu amor. Compreendo menos ainda.
O que vejo é gente tentando cativar outra gente, com mil manifestações de afeto, que, “depois do primeiro tempo, feito o gol”, deslancham para o desrespeito, por que (talvez) essa gente sente-se segura o suficiente, para ser quem é, ou simplesmente desabafar no primeiro “saco de lixo” que topar a ‘função’. O mais lamentável, na minha opinião, é quando intimidade = desrespeito torna-se um hábito, e depois um vício incorrigível. Azar de quem conviver com.
Se o que o outro faz, na intimidade, é desrespeitar, e justifica que age assim, em razão da vida que teve, como aprendeu associar a dor ao prazer, fazendo sempre amor rimar com dor, o problema (reconhecido) é dele, não do alvo dessa convivência íntima. É o que penso. Tem gente que diz que há pares que são feitos de um que bate e de outro que apanha, e ambos gostam de viver assim. Não consigo (nem quero) acreditar nisso.
Não sabe como tratar as raras pessoas que compartilham intimidade contigo?... Ah, sei lá, você deve ter tido papai, mamãe, ou alguém que fez um desses papéis na tua vida, e que te mostrou a chave mágica, que abre todas as portas: gentileza (que provém do respeito humano)... Já pensou nisso?... A vida pode não ser um ensaio, mas é um experimento, e a gente pode experimentar tudo, todo o tempo – ou não.
Não é julgamento meu, nem sequer pré-julgamento. Para se configurar julgamento, necessário é conhecimento de causa, o que não tenho farelo. Só expus o que (entre tantas coisas) não compreendo. Registrado.

Um comentário:

  1. Eu também quero entender...será falta de empatia?!...esse sentimento raro....

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