sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Efeito colateral

Nem tente calcular, mas você também, como eu, já deve ter vivenciado cenas como essas:
- Tentou esclarecer alguma coisa com alguém, e acabou complicando mais ainda, perdendo a única oportunidade de clarear as sombras;
- Teve a intenção de ajudar uma pessoa com problema, mas não era isso que ela queria (precisava do problema, pra continuar sentindo-se viva);
- Lembrou do aniversário do namorado (ou namorada), dois dias depois, e gastou até as moedas do cofrinho pra comprar-lhe presente, que acabou quebrado na tua cabeça;
- Achou que a frase do coordenador da reunião (“sejam sinceros”) fosse sincera, e falou, sinceramente, o que pensava, e se deu mal por isso;
- Tomou um chá horrível, indicado por alguém que esqueceu de dizer que não precisava ferver a árvore inteira;
- Considerou o braço pra fora do caminhão, permissão do motorista pra ultrapassagem, e quase tornou-se mais um número de vítima na estrada;
- etc etc etc e tal (o resto da lista fica por tua conta – tô preguiçosa hoje).
Tudo isso e muito mais que isso tudo que exemplifiquei (palavrinha que parece palavrão) eu chamo efeito colateral. Você até racionaliza, pensa profundamente alguma coisa, mas não tem elementos suficientes pra adivinhar o efeito colateral do teu feito. E tudo, tudo mesmo, causa algum efeito – visível, ou sutil, mas sempre efeito.
Pior mesmo é quando você solta, discretamente, um “pum”, e, logo adiante, acaba caindo numa fossa de esgoto. Nem pense em “jogar verde, pra colher maduro”, por que o que chega sempre é podre, fétido. Outra: não pense que “sempre fica perfume, nas mãos que oferecem rosas”, por que rosas têm espinhos, e esses não murcham. Ah, pior, ainda, do que isso tudo é, no final das contas, depois que o efeito tornou-se colateral, você ainda querer desculpar-se, dizendo “não tive a intenção”. Aí sim, dana tudo de vez. É o que acho, eu, que prefiro me calar, pra não jogar “merda no ventilador”.
Tudo – efeito colateral.
Ou você é a causa. Ou você é o efeito. E outra opção não há, nem “consultando os universitários”. Às vezes até, você acaba sendo o efeito da causa que o outro causou, depois de ter sido o efeito da causa que você causou. Você entendeu, né?... Diga que sim, pelamordedeus!...
Na minha vidinha insignificante e medíocre, estou sempre, em tom de brincadeira, ‘traduzindo’ meus gestos: Olha, tô te oferecendo água, achando que você pode estar com sede, por causa do calor. Pensei em te dar um livro, mas não sei o que você gosta de ler, e se gosta de ler. E por aí vai. E por aí vou.
Bem no fundo, efeito é sempre bom, penso eu, justamente por que escancara, pra gente mesma, o que a gente fez, faz (causa), ao outro. O problema fica no colateral, que é sempre imprevisível, e, às vezes, como disse a jornalista Mônica Valdvogel, na televisão, “irresolvível” (depois dessa, desisti, desliguei a tv).
O colateral atinge sempre o mesmo alvo: a nossa auto-frustração. Pensei fazer tal coisa, esperando determinado resultado, e minha intenção “subiu no telhado”. Já era. E não há conserto para o que chamo efeito colateral. Até por que a gente sempre se prepara para o efeito, e não tem como se preparar para o dito colateral. É uma ‘merda’. E ainda vamos pensar muito sobre isso, e continuaremos causando efeitos colaterais... Não há remédio sem.

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