quinta-feira, 4 de março de 2010

Apontar “desconfiômetro”! Fogo!


Há pessoas que simplesmente jogaram fora o “desconfiômetro”, logo na maternidade, e, de lá pra cá, aproveitam-se das outras pessoas, consideradas “educadas”. Tem gente que as chama “espaçosas”. Eu as considero aproveitadoras mesmo, sem o menor “desconfiômetro”, um verdadeiro “pé-no-saco”, pra quem tem (saco). Como não tenho (saco), quando não verbalizo, sempre dou jeito de manifestar que tô ‘puta’ com a situação. Não faço isso, por acreditar que o dito sem “desconfiômetro” vai ‘se tocar’, e parar de fazer ‘merda’. Manifesto por mim, pra mim, pra eu ser e saber de mim. Quanto ao “espaçoso”, aproveitador: ‘foda-se’.
Tô escrevendo sobre aquela gente espaçosa que entra na tua casa, ou no teu local de trabalho, sem ser convidada, já pedindo cafezinho, água com gelo, ou até uma cervejinha com petiscos. Vocês nem se conhecem – ela é sobrinha da vizinha do tio da vendedora da esquina, prima de terceiro grau do teu avô que morreu há séculos. Oras carambolas, pro diabo com a “intimidade” encenada!...
Respeitar o jeito de ser do outro não pressupõe desrespeitar, pra isso, o meu jeito de ser. Se não vou ao ambiente de trabalho ou à casa de ninguém “encher o saco”, por que tenho de aceitar a “invasão”, e fazer o que seria minha parte, no joguinho?... Por que eu, só eu, tenho de compreender, e, por isso, aceitar a situação que me faz mal, de bracinhos cruzados, comportadinha, fingindo aceitar?... Se aceitasse, mesmo fingindo, estaria sendo conivente pra que mais circunstâncias como essa acontecessem, a “bel prazer” do único que se aproveita e se diverte com tudo isso.
Não exijo (nem quero) que alguém seja como eu. Mas, quando esse jeito de ser do outro me incomoda, ou, mais, me é intolerável, insuportável (e mais ‘áveis'), que o outro continue sendo o “pé-no-saco” que bem entender e quiser, desde que seja looooooooooooooooonge de mim, sem me envolver com a ‘merda’ toda. Dá licença, né?... Já tenho muito o que me preocupar e me ocupar: o meu próprio jeito chato de ser, sem querer comprometer o outro, seja quem for, por causa disso.
Já me julgaram evasiva (em alguns momentos, talvez). Sem querer me comparar, pior mesmo é ser invasivo. A criatura entra de “penetra”, em todas as ocasiões, e permanece, parecendo divertir-se. Pior ainda, quando interrompe reunião de grupo, solta frases feitas aleatoriamente, sem o mínimo interesse de saber o que tá “rolando” na conversa. Mas, como sempre tem pior, há aqueles não convidados que chegam na festa, bebem todas, esvaziam as bandejas de doces e salgados, ficam hora e meia no único banheiro, e depois gargalham, e relatam, aos gritos, os cochichos que ouviram pelo salão. Não consigo me ver em tal situação constrangedora, como também muita gente deve me enxergar por aí (tropeçando nas calçadas, pra fazer fotos de nuvens, por exemplo), sem conseguir imaginar-se no meu lugar. Num momento desses, meu “desconfiômetro” alerta, e eu me despeço das lindas e únicas e efêmeras nuvens, que seguem viagem para o nada...
(Em caso de ausência de “desconfiômetro”, fazer o quê?... Sei lá – aprender a dizer não, talvez - ou foda-se também...)

Um comentário:

  1. Putz, de repente era tudo oq eu precisava dizer! Obrigada! Vc me ajudou a não me sentir tão sozinha num mundo sem desconfiometro!

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