segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ninguém odeia ninguém

Não é que te odeie. Simplesmente não gosto do teu jeito de pensar, falar, vestir, expressar, ouvir, interpretar, caminhar, maquiar, olhar, rebolar, comer, beber, vomitar... Brincadeirinhas à parte, acho que ninguém odeia ninguém. Pode até não gostar (admirar) muita coisa no outro, mas não chega odiar. Não gosta de algumas (ou muitas) coisas, mas não odeia também. É nisso que acredito: ser humano nasceu pra amar - quando não outro ser humano, amar um animal, uma planta, uma pedra, um sei lá o quê (mas amar).
Quando você ouvir alguém gritar “te odeio”, não acredite, mesmo que seja você dizendo isso. O que eu acredito é que alguém não odeia alguém. (Lembrei agora do filme “O Retrato de Dorian Gray”, quando Lord Henry diz: “Acredito em tudo, desde que seja inacreditável”.) Eu acredito que alguém não gostou da atitude, da fala, ou do silêncio, de alguém – mas isso não chega ser ódio. É o que penso.
Pode observar, quando alguém diz que odeia alguém, está, quase sempre, referindo-se a algo específico nesse alguém em questão. Ou esse alguém “odiado” não fez o que alguém “que odeia” esperava que fizesse, ou não disse o esperado, ou simplesmente não correspondeu à expectativa de alguém. Bastou, pra levar um tremendo “eu te odeio” na cara.
Ódio, pra mim, é um termo muito forte (e horrendo), que cheira ‘coisa’ que vai perdurar pra todo sempre. E todo sempre é muuuuuuuuuuuito tempo. E não temos tanto tempo assim - ou ‘tô’ errada?...
Tudo bem, pode até ser verdade real essa ‘coisa’ de reencarnação, etc e tal. Mas, mesmo assim, quando esta vidinha aqui acabar, será o fim de (mais) uma etapa, por que a(s) próxima(s) vida(s) que virá(ão) será(ão) outra(s), com o convívio de outras pessoas, em outras situações. Já não seremos os mesmos – nem no pensar, nem no sentir -, seguindo o pensamento das doutrinas reencarnacionistas, por que teremos evoluído, amadurecido, aprendido alguma coisa a mais.
Por isso, pra mim, essa ‘coisa’ de sair gritando por aí, por aqui, em qualquer lugar, “eu te odeio” é pura besteira. Não há tempo, nem pra amar tanto. E amor, acredito, é pra gente crescer – um com o outro. Imagine, então, se haveria tempo pra “ódios mortais”. Não mesmo. No máximo, ‘entortamos’ as palavras, numa circunstância de raiva extrema, e ‘soltamos’ um “eu te odeio”, que às vezes faz inveja aos melhores atores em cena.
A raiva, acho, é momentânea. Mas, então, você pode estar perguntando: Por que tanta gente deixa de falar com tanta gente, pra “adeus, nunca mais”?... Oras 'carambolas', eu acho que é por orgulho, por que fica difícil voltar atrás, por que pode nem lembrar mais o motivo do distanciamento, mas, sabendo que ele existe, permanece com “pé atrás”, às vezes até esperando que o “alguém odiado” tome a iniciativa de voltar a falar, conviver. Às vezes, por que se perdeu do caminho de encontro com o outro. Por que, acredito, ser humano é isso mesmo: “odeia” tanto hoje, mas amanhã já é outro dia, e sabe que não tem tanto tempo assim, pra continuar “odiando”, “odiando”... Há tanto amor pra fazer, construir, alimentar...
‘Tô’ sendo “Alice no País das Maravilhas”?... Que eu seja. Se eu estiver sendo mesmo Alice, ainda ‘tô no lucro’, por que o novo filme, com Johnny Depp (maravilhoso!), está fazendo o maior sucesso no mundo. Sabe por quê?... Por que o mundo está carente de sonhos, o mundo quer amor, não ódio... todo mundo é assim...

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