sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Brasil que construímos

Antes mesmo de começar a escrever o que penso, sei que vou na contramão da maioria da mídia nacional, que tem ocupado todos os espaços com as piores notícias do nosso Brasil. Quando faltam fatos de repercussão nacional, essa mesma mídia destaca brigas de vizinhos e outras ocorrências isoladas, até em Cacha Pregos, uma vila de pescadores, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, Bahia.
Penso que temos o Brasil que construímos. Brasil que não é só tragédia, nem só comédia. Brasil da diversidade. Brasil da miséria. Brasil da riqueza. Brasil dos sonhos. Brasil dos pesadelos. Brasil de tantas realidades. Só que não dá pra enfiar tudo isso num saco, e sair por aí, gritando uma única definição – aliás, se for comigo, gritou, já não escuto, por que meu estremecimento me ensurdece.
Lembrando a historia do Brasil (aquela reconhecidamente “oficial”, que consta nos livros, e tantas outras que nos contam os velhos sabios), podemos compreender um cadinho mais essa nação. Continuamos construindo um Brasil, na minha opinião, bonito, por que diversificado, que rompe preconceitos, sai às ruas pra mudar o que precisa ser mudado urgentemente. Brasil que pinta a cara, bota pra correr do cargo o presidente que não corresponde às expectativas e esperanças do povo.
‘Tá’ certo que sempre há exceções. No Brasil, não poderia ser diferente. Mas não vou ficar, aqui, perdendo tempo em destacar os ‘bolhas’ energumenos que querem destruir a beleza do nosso grande Brasil, com corrupção, violência, drogas, pedofilia, etc e tal. Não eu, que também sonho com o nosso Brasil gigante, berço de todas as nações, exemplo para o resto do mundo.
Se, no tempo da escravidão, os negros africanos fugiam para os quilombos, hoje, qualquer forma de opressão faz uma grande parte da nação brasileira se manifestar. E não estou falando de campanha partidaria, por que seria reduzir o sentimento de insatisfação de um povo, que, cada vez mais, se conscientiza do importante papel que tem, no cotidiano de uma nação.
Aliás, você deve lembrar os tempos de didatura, quando justamente os intelectuais – os seres mais pensantes da epoca – é que se manifestavam publicamente, desafiando o regime, e assumindo as punições. Somos filhos dessa historia, que, temos de reconhecer, serve de exemplo de liberdade e cidadania, até hoje, e assim continuará sendo.
Tudo começa na quitanda, na feira. Diante do aumento nos preços dos legumes e frutas, a clientela reclama e se afasta, deixa de comprar ali. Se tem patrão explorando funcionarios, a maioria dá jeito de manifestar-se, denunciando, e até pedindo demissão em massa. Brasileiro não se cala, diante da injustiça. Aprendemos a lição, com o que outros brasileiros sofreram, no periodo sombrio da ditadura.
Assim, construímos nosso Brasil. Alguns brasileiros ainda vivem na condição de “pedintes”, dizendo que “se Deus quer assim”, acomodando-se, deixando de fazer a parte que lhes cabe. Não importa. O Brasil continua sendo construído, a cada instante, quando uma criança, uma mulher, um homem, um velho reclamam e denunciam, e dizem: “Quero viver em paz”. É neste Brasil que acredito. É com este Brasil que eu sonho. É por este Brasil que eu torço. Brasil que busca aprender o melhor de cada cultura, e recebe o estrangeiro feito irmão. Brasil que vai além das belezas naturais, por que existe uma beleza ainda maior, que está no olhar que brilha em cada cidadão que sonha, e realiza. E ponto, sem final.

(... Agora, te prepara, respira fundo, pra votar no domingo – é “ou vai ou racha” mesmo, porque não tem terceiro turno...)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Charme das palavras

Perdoem-me os portugueses, mas eu ainda estou “a lamentar” a queda brusca de acentos e tremas em tantas palavras, com as novas regras ortograficas. Foram dispensados apenas – assim, “de uma hora pra outra”, quando menos se esperava. Chamam de “acordo ortografico” entre os países que falam o idioma portugues (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Principe). Até 2012, adeus a todos os tremas e à maioria dos acentos!...
Pra mim, a palavra eloquente, por exemplo, com trema, como era antes – eloqüente -, tinha mais eloquencia (coitada, perdeu até o acento circunflexo!).
O charme das palavras - escritas e lidas -, na minha insignificante opinião, estava justamente na acentuação. Agora, já era. Foram-se os acentos, os tremas, e as palavras estão desamparadas.
‘Tá’ certo que muitos brasileiros nem sequer aprenderam a escrever, com tantos tremas e acentos. Mas fazia parte da linguagem escrita da gente. ‘Tá’ certo que, agora, ‘afinamos’ com os portugueses, com quem escrevemos do mesmo jeito. Mas todo mundo entendia muito bem – com ou sem acento, com ou sem trema. Até outros idiomas (como o espanhol) a gente deduz, e acaba compreendendo. Tem gente que fatura, dando aulas de “espanholês”, por esse Brasil de meu Deus.
Não sou daquela época, mas me emociono, quando tenho nas mãos, livros com ph (Philomena, pharmácia, etc etc etc). É coisa antiga, ultrapassada?... É – e daí?... Faz parte da historia da gente – que, até há pouco, a gente escrevia “história”. A historia continuará sendo escrita, lida, contada, recontada, mas sem acento. Até a palavrinha voo perdeu o acento – mas todos continuaremos voando sentados, por que ainda não retiraram as poltronas (essa é ‘podre’demais!).
Como sobrevivo das palavras, fico lamentando a ausencia dos tremas e acentos, o tempo todo. Sei disso. Mas sei, também, que, com o tempo, o meu lamento vai ficar miudo ('tadinho', ficou nu de acento), miudinho, até desaparecer. Mas, lá no fundo (da alma, talvez), um saudosismo, uma nostalgia resistirá ao tempo, e, por engano desenganado, eu colocarei algum acento, ou trema, onde um dia existiu de fato. Num sorriso idiota, olharei a palavra a ser corrigida, e ainda poderei pensar que ‘os linguistas facilitaram as coisas pra gente’. Até eles – os linguistas – perderam, nessas novas regras ortograficas. Perderam o quê?... Oras carambolas, perderam o trema!...
Enquanto o meu ‘habito de acostumar-me’ não chega, deixo aqui minha homenagem a todas as palavrinhas que lerei e escreverei, sem acentos e sem tremas: ^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´ ¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^´¨^
... depois desse desabafo fatalista, só mesmo terminando em japones:

私の中で沈黙があります。そして、この沈黙は私の言葉の源となっている。 - クラリスリスペクトールを
(Acho que Clarice Lispector iria gostar de se ler, nesse desenho.)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O que pensar?

O que pensa o catador de papel, escorado na lixeira?...
O que pensa a motorista, no carro parado no sinal, com a testa no volante?...
O que pensa o bebado ziguezagueando pela rua, aos gritos?...
O que pensa o garoto de rua, diante da vitrine da loja de tênis importados?...
O que pensa o velhinho atravessando sobre a faixa de segurança?...
O que pensa o cara de gravata falando pelo celular, e tropeçando no meio-fio?...
O que pensa a moça que chora, no ponto de onibus?...
O que pensa o homem que limpa as mãos cheias de graxa, examinando o pneu que acabou de trocar?...
O que pensa o rapaz debruçado no violão, sentado na praça?...
O que pensa a policial anotando multa, na esquina?...
O que pensa o garotinho se lambusando com sorvete, na avenida?...
O que pensa o pescador amparado por um par de muletas fincadas na areia, olhando fixo para o mar?...
O que pensa a velhinha que espia a rua, pela fresta da cortina de casa?...
O que pensa o garoto malabarista, no meio de tantos veiculos parados no sinal?...
O que pensa o hippie cabisbaixo, ao lado de brincos, colares e pulseiras, na calçada?...
O que pensa o motorista de taxi limpando o para-brisa do carro?...
O que pensa a dona-de-casa contando o dinheiro da carteira, no canteiro?...
O que pensa o velho barbeiro olhando para o céu, na porta da barbearia?...
O que pensa a garotinha empoleirada na grade do playground?...
O que pensa o carteiro que passa apressado, pedindo licença aos transeuntes?...
O que pensa a mulher olhando revistas, na banca?...
O que pensa o caminhoneiro sisudo buzinando, na contramão?...
O que pensa o homem que caminha, limpando as lentes dos oculos?...
O que pensa a mulher pedinte sentada na cadeira de rodas, na frente da agencia bancaria?...
O que pensa a adolescente que retoca a maquiagem, na frente do espelho da loja?...
O que pensa você agora, enquanto me lê?...
O que penso eu – analfabeta de pensares alheios -, enquanto escrevo?... O que pensar?...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

De chorar

Todo mundo sabe que todo mundo chora – não importa quando, nem por quê. Mas chora. E chora muito.
Eu e você (e toda a humanidade) podemos chorar por:

- Dor de barriga
- Dor existencial
- Dor por não ter o carro do ano
- Dor pela perda de alguém
- Dor por ser mal interpretado
- Dor de amor
- Dor de inveja (inveja também dói, principalmente, quando se sente incapaz)
- Dor por que perdeu o emprego
- Dor no corpo
- Dor na alma
- Dor
- Dor

Quase sempre, ou quase nunca, alguma coisa dói. Quando a gente é criança, a gente chora, e dizem que é dengo. Quando a gente é adulta, a gente chora escondido, pra ninguém dizer coisa alguma. Mas a verdade é que a gente chora.
Oras carambolas, pra que dar bola pro choro alheio?... Quem chora que assuma a dor de chorar... Não vivemos tempos de individualismo?... “O outro que se dane” – pensa a maioria (ou nem chega pensar). Tem gente que acha até graça de os outros chorarem. Tem gente que chora junto – rara, gente cada vez mais rara.
Apesar disso – por causa disso, também –, choramos todos nós. É uma dor insuportável, que extravasa num choro miúdo, ou num choro rasgado. É choro. Passamos a vida inteira chorando, e tentando negar isso. Quando negamos, tornamo-nos frios, insensíveis, ou, então, vítimas de nós mesmos. E o choro continua – dentro e fora de nós.
Até essa gente que ‘tá’ sempre com a imagem corajosa e segura também chora. Chora o pobre, por que não tem. Chora o rico, por querer mais, ou ter perdido o que teve. Todo mundo chora – a dor até difere (tamanho, proporção, intensidade), mas continua sendo dor.
Do outro lado, alguém percebe que tem alguém chorando. Pode não dar ‘bola’, e seguir adiante. Pode tentar se aproximar, e colocar-se “todo ouvidos”. Pode tudo, por que a dor que chora é alheia, às vezes até desconhecida, inimaginável.
Mas vivemos tempos em que não há tempo – nem pra chorar, muito menos pra perceber choro alheio. Pior mesmo é que tem gente que, mesmo sentindo dor, abafa, faz de conta que não sente, e continua exibindo a melhor mascara – por que assim é aceito, nem causa piedade, compaixão, nem risinhos sarcásticos.
Não há tempo pra chorar. Não há tempo pra sentir e se aproximar do choro do outro. É preciso seguir a encenação: nada fere, nada dói... O palco continua apinhado de gente sorridente, gente que finge não sofrer, não chorar, não sentir dor. Quando, lá no canto mais escuro, alguém é visto chorando, todos baixam o holofote, e as gargalhadas aumentam, pra que o choro não seja percebido pelo público que aplaude o grande e célere show da vida humana – cada vez mais fria, cada vez mais individualista, cada vez mais irônica, cada vez mais cênica, com script cada vez mais distanciador e pobre... Isso tudo é de chorar mesmo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sonhos de escola

Foi-se o tempo da concretização de ideais e sonhos na escola. Hoje, nem aluno, nem professor querem mais que o “prato do dia”. Alerta: não é regra, por que (ainda) existem exceções.
Confesso que tive verdadeiros mestres acompanhando meus estudos, dentro e fora da sala de aula. Minha primeira professora era silenciosa – alfabetizava com calma, cuidado, sempre em silencio (e eu, em silencio também, ficava observando o minimo gesto dela, já que meu pai tinha me alfabetizado, antes de eu ingressar na escola). Ficou pouco tempo na sala, pois o marido dela faleceu, e eu nunca mais a vi. A substituta falava mais, com voz empostada, segura, mas tinha algum quê de distanciamento, que eu nunca entendi (na época, não sabia pensar, e hoje não tenho lembranças para pensar sobre).
Ah, depois vieram outras professoras – cada qual de um jeito, num ritmo de aula diferente. Na segunda serie primaria, eu tive uma professora que ficava me observando em sala (eu sabia, mas não entendia também). Houve um tempo que eu ficava de olho mesmo nos colegas que trocavam figurinhas de um álbum que eu sonhava ter – todo colorido, cheio de fotos (não desenhos) de flores, plantas, animais. Eu ficava doidinha, tentando ser discreta, sem perder sequer a imagem de uma figurinha que passava de mão em mão. O que me fascinava eram as (tantas, tantas) figurinhas – não o álbum.
Num recreio qualquer, um coleguinha me propôs a grande troca: ele me daria algumas figurinhas do tão ‘famoso’ álbum, se eu lhe desse a borracha que eu levava à escola. Nem pensei. Aceitei, na maior alegria. Nem lembro quantas (poucas) figurinhas recebi no ‘grande negocio’. O que lembro mesmo foi a surra que levei da minha mãe, a quem eu menti que havia perdido a borracha. Apanhei, por que perdi, não por que menti.
Escondi o quanto pude as figurinhas tão desejadas por mim. Guardava sempre em lugares diferentes, e corria para revê-las, o dia inteiro. Mas ainda eram poucas, e eu nem queria ter o álbum, que, para mim, era graaaaaaaaaande. Em pouco tempo, acho que a ‘notícia’ da troca se espalhou, e outros coleguinhas vieram propor mais ‘negocios’. Eu tinha o mínimo material escolar. Por isso, não podia simplesmente ficar sem. Até porque minha mãe não repunha material escolar – “vocês terão outros, quando me mostrarem os restos desses”, ela dizia a mim e aos meus irmãos. Depois da borracha, acho que cheguei contando em casa que perdi só mais um lápis, e outra borracha, claro. Apanhei pra caramba da minha mãe, por causa disso – mais até que a primeira ‘perda’.
Acabei contando a grande ‘aventura’ para meu pai, que também achou lindas as figurinhas, mas me fez pensar que não dava para eu continuar trocando-as por material escolar. Sem perceber que o obedecia, eu – cabecinha infantil – ‘concluí’, por mim mesma, que aquele tipo de ‘negocio’ não ia dar certo, e resolvi aquietar, consolando-me com as figurinhas que guardava. Foi nesse tempo que a professora (aquela que me observava em sala) falou comigo, no final da aula. Pediu-me se podia propor ao meu pai, que me esperava no portão da escola, para irmos – nós dois - com ela, à casa dela. Claro que aceitei, e lá fomos nós.
Quando chegamos, a professora foi direto à mesinha da sala, pegou aquele álbum graaaaaaaande, e disse algo assim: “Eu coleciono o álbum que você gosta. Quero que você veja, por que já está quase completo”. Guardei a sensação que tive, quando ela colocou o álbum graaaaaaaaande sobre os meus joelhos minusculos. Eu fiquei verdadeiramente em “estado de graça” – é a melhor definição que guardo. Olhei para o meu pai, sentado ao meu lado – ele sorria. E a professora, no outro sofá, a me observar, sorrindo também.
Pra te resumir a historia, a professora me deu dezenas de figurinhas que ela guardava, por que já as tinha coladas no álbum. Antes de sairmos da casa dela, a professora disse que me convidaria a rever o álbum, quando o completasse, mas eu poderia pedir para rever o álbum, na casa dela, para encher meus olhos com tantas maravilhas. A professora cumpriu o que prometeu: o álbum completo ficou lindo, maravilhoso. Ela demorou um pouco para completá-lo. Mas nem me importei com isso, por que ganhei mais figurinhas que um dia eu pudesse sonhar... As figurinhas?... As figurinhas continuam guardadas, em algum canto calido, na minha alma infantil...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cursinho rapido

O título aí de cima parece comercial desses cursinhos ‘picaretas’ – mas não é. Eu vou perder tempo com cursinho de “embromation”, se existe cursinho mais rapido, formador, criativo e com muito mais ação?... Do que eu ‘tô’ falando?... Você já vai saber, se arriscar continuar lendo.
Chega de cursinhos pra aprender o que você já sabe: ‘véri gud’, ou “pero que si, pero que no”. Agora, a moda é outra, mais emocionante. Como não poderia deixar de ser, a moda vem com a maior influência sofrida, de maneira indolor, pelos brasileiros: a televisão.
Ao que parece, os diretores dos programas policiais da nossa televisão brasileira resolveram ‘colaborar’ com a ‘onda’ de crimes, por todo o País. Agora, temos aulas diarias, em quase todos os horarios de televisão, ensinando como assaltar estabelecimentos comerciais, arrombar caixas eletronicos, fazer ligação direta nos veículos, e tecnicas de “arrastão” nas principais vias publicas (nem vou citar pedofilia e estupro). ‘Tá’ tudo ali, naquela ‘caixinha’, há tantos anos considerada inofensiva.
E ainda tem a narração quase tão grave e tragica quanto do inesquecível Cid Moreira, ou do repórter policial Gil Gomes. Não falta coisa alguma, gente. No “passo-a-passo”, se aprende rapidamente mesmo. Com os ‘treinos’ diarios (ouvindo e praticando), você acaba se tornando “expert”. Pra glorificação geral, ainda pode fazer parte de um desses programas, até como protagonista, se cometer um crime que ninguém ainda teve a ousadia de.
Se você é lento nos estudos, não há problema. Depois de um noticiario televisivo, basta trocar de canal, que já tem outro ensinando, mais uma vez, o “passo-a-passo” de como fazer coquetel molotov, maçarico, e até com as dicas de tempo pra fugir, antes que a policia chegue.
Ninguém tem ideia da influência que o (comodo) telespectador recebe, diariamente. Nem ele mesmo acreditaria, se conseguisse enxergar. Lamentavelmente, o maior espaço da midia é mesmo com noticias sensacionalistas. Acho que foi por isso até que o antigos filmes de “bang-bang” perderam o sucesso. Quem vai querer ver ficção, quando a “vida real” mostra, na pratica, o que pode ser “lição de vida”?...
No meio dessa ‘avalanche’ de más noticias, tem até artista fracassado retornando ao horario nobre televisivo, por que espancou (ou matou) a propria mulher, ou foi preso, acusado de ter ligações com traficantes de drogas, etc e tal. Todo mundo aparece mesmo – é fama garantida.
Ah, você tá achando pouco?... Mas tem até imagens!... Que mais você quer?... Você quer mais?... Tá bom, então, roube um pãozinho francês, ou uma embalagem de margarina em supermercado, vá preso, e faça um cursinho mais intensivo ainda, na cadeia. Lá, você aprende tudo – até o inimaginável. O cursinho pode não ser tão rapido, mas, com certeza, dá direito a especializações...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Liquidação sexual

A exemplo de outros países (mais pobres, quase sempre), o Brasil não perde tempo, na liquidação sexual. Como se não bastasse o trafico de mulheres (norte-americanos, europeus e japoneses, principalmente, gostam de ‘sexo à brasileira’), agora, tem venda de “pacote de turismo ecologico”, com “sexo animal”, pra motivar e incentivar o setor.
A pratica, conhecida há mais de 510 anos no Brasil, causou manchete, recentemente, numa reportagem bem feita por Luiz Carlos Azenha, apresentada pela Ric Record. Pra eu tomar folego, repita comigo esse monstruoso: Óóóóóóóóóóóóóó!!!
Agora – pasme! -, a denuncia foi feita por “autoridades dos Estados Unidos”. Cadê as autoridades brasileiras, alguém pra saber, aqui, no nosso chão, o que acontece no setor turistico brasileiro?... Saber?... Saber – todo mundo, ou quase todo mundo, sabe... Formalizar denuncia, e partir pra medidas sérias que venham coibir a historica pratica é outra coisa, que não faz parte da nossa historia, desde o descobrimento, quando portugueses (primeiro) e outros europeus (depois) chegaram por aqui, e foram logo ‘comendo’ as índias (há quem relate que ‘comeram’ os índios também, mas não cabe agora falar sobre isso). Até Dom Pedro I não resistiu à paulista Domitila de Castro Canto e Melo, a mais famosa amante do nosso grande imperador, “à qual concedeu os títulos nobiliarquicos de viscondessa e, depois, de marquesa de Santos”. Diante disso, dizer o que dos demais estrangeiros, que continuam vindo em busca de aventuras no Brasil?...
Voltando à materia televisiva, Azenha entrevistou pessoas que denunciaram o fato de meninas (adolescentes mesmo) serem contratadas para trabalhar nos barcos de luxo, exploradas sexualmente por turistas estrangeiros. A promessa de pagamento, segundo a reportagem, era de cem dólares, mas as garotas não receberam mais que 50 reais. Isso tudo, no estado do Amazonas, foco de problemas de toda ordem (rota de entrada de drogas e armamento ilegal, queimadas, etc etc e tal).
Agora, a moda é turismo ecologico. Claro, os países mais ricos – Estados Unidos, Japão e os europeus – querem vender e comprar pacotes turísticos à natureza que ainda resta no planeta. Só que esquecem que a prostituição, por mais praticada que seja, continua sendo crime – também no Brasil. É nessa que ‘embarcam’ agentes de pacotes turisticos, turistas e meninas e meninos que se prostituem. Os agentes oferecem promoções irresistíveis de paisagens ecologicas, junto com verdadeiras orgias, como citou a reportagem da Ric Record. Os turistas se empolgam, até por que a imagem do Brasil, pelo mundo, continua perpassando pela linha da prostituição. As meninas e os meninos, esquecidos e abandonados no meio do nada amazonico, enxergam a possibilidade de conhecerem uma realidade que, imaginam, seja cheia de dinheiro e luxo. No final das contas, todo mundo quer mesmo faturar ‘algum’ (até aqueles brasileiros que fazem a ‘ponte’ entre os agentes de turismo estrangeiro e os “cafetões” que ‘emprestam’ os adolescentes).
Tudo isso me faz lembrar o livro de Gilberto Dimenstein – “Meninas da Noite” -, que, há muitos anos, eu li, reli, e repassei a uma amiga. Dimenstein ficou o maior tempão no norte brasileiro, e registrou, no livro, incontáveis casos (verídicos, e, mesmo assim, inacreditáveis) sobre meninas que se vendem e são vendidas à prostituição. Até o próprio jornalista foi surpreendido, durante o trabalho de pesquisa que fez, pelos pais de uma menina, que ofereceram-na a ele, por um valor tão irrisorio, causando-lhe vergonha.
O que dizer de tudo isso?... Que a situação não mudou?... Obviamente que não – só mudaram os objetos de troca: não são mais espelhos, ou algum outro acessorio que encantava os índios brasileiros, lá nos anos 1500. Agora, os aliciadores prometem dolares, e pagam preço de liquidação real. E já tem até índia amazonense denunciando a possibilidade de ter engravidado de um “gringo” – o filho ‘tá’ lá, ouvindo a historia da vida dele, no meio de uma tribo quase extinta, numa área que tem placa de “restrita”, e recebe visitinhas estrangeiras...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sem saco

Justo eu, que nem saco tenho, me vejo de saco cheio, com gente especialista em encher o saco de quem nem saco tem. Acho mesmo que cada criatura tem uma função, nesta vidinha. Se até as plantas podem causar bem ou mal, nós, mais ainda.
Obviamente, tem gente que não me suporta, com o mesmo direito que eu tenho de não suportar gente que cria e alimenta fofocas – pior ainda, quando quer a minha ‘contribuição’. Quer me imaginar “p. da vida”?... Quando faço parte de uma cena em que alguém está falando mal de alguém, com crueldade mesmo. Se sou obrigada a permanecer no ‘palco’, me sinto conivente, assinando embaixo de toda ‘merda’ que a criatura ‘tá’ falando. Realmente, não gosto disso. No meu cotidiano insignificante, as pessoas que convivem comigo dizem que já me conhecem (nem eu me conheço), e falam saber que, se eu silencio, é por que discordo, e, sempre que posso, saio da roda. Quanto ao silêncio, não sei exatamente, por que, se discordo, normalmente falo (quando tenho a ver com). Agora, sair de uma situação que me faz mal (fofocas, principalmente), ah, me mando mesmo – o quanto antes.
Acho que nunca tive saco pra ‘segurar’ este tipo de situação. Agora, mais ainda – me vejo cada vez mais seletiva, e isso me faz bem, obrigada. E olha onde fui ancorar meu profissionalismo: ambiente de jornal, o chamado “covil das fofocas”. Mas acho que, pela minha postura, sempre me dei bem, recebendo respeito dos colegas – senão, era eu a debandar do ambiente da maioria (ah, tempos de juventude!).
Não gosto da maledicência – essa ‘coisa’ de inventar fofoca, intencionalmente, com unico foco: destruir a imagem (todos temos) de um ser humano, sem resguardar-lhe o direito de dispor ao menos de uma qualidade positiva. Como toda gente, também eu falo o que não gosto nas pessoas, ou numa determinada pessoa – mas prefiro falar à pessoa, ou às pessoas mesmo, diretamente. Procuro tomar o cuidado – sempre – de garantir-lhe (s) o direito de ter (em) um “lado bom”, às vezes por mim ignorado. Mas não sou de fazer fofoca, mesmo – isso não. Acho que não teria saco nem comigo mesma, se eu fosse “fofoqueira de mão cheia” (ou mão vazia, sei lá).
Essa ‘coisa’ de ficar falando mal da vida dos outros, inventando estorinha, a partir do que acha que viu, é banalizar demais a vida. Segundos são segundos – e únicos – pra todo mundo, poxa!... Horas são horas; minutos são minutos, e, assim, se sucedem anos, semanas, meses, décadas... Fofoca é perder tempo demais – até pra quem não tem o que fazer, e continua perdendo tempo... Eis aqui uma fofoca real: não tenho tempo pra saber de fofocas, nem pra aplaudir imaginações férteis, que usam seres humanos, pra alimentar-se com farto banquete de abobrinhas (não como abobrinhas - prefiro batatas!)...

domingo, 3 de outubro de 2010

Já era

Você foi lá (sei lá onde) – e votou. Eu também votei. Agora já era.
Se você “vendeu” seu voto, que tenha sido por um bom preço, pra pagar a ‘merda’ da tua consciência.
Se você não quer saber de política - votou nulo, ou em branco -, não reclame dos políticos, nos próximos quatro anos.
Se você votou no partido (legenda), sem se importar com cada candidato, veja e lamente quem você ajudou eleger.
Se você chorou, ao ver tantos candidatos beijando criancinhas, e por isso votou neles, você pode chorar mais ainda, se eles foram eleitos.
Se você votou em algum candidato “ficha suja”, sem se importar com isso, só tem o direito de se lavar em lágrimas, a partir de agora.
Se você votou a favor de algum candidato, pra ser contra outro, logo, logo, pode constatar que fazer outra escolha seria mais sensato.
Se você votou em qualquer candidato, por pensar que “tanto faz”, daqui a pouco, vai poder saber quem faz tanto.
Se você votou nos candidatos que somente estavam ganhando nas pesquisas eleitorais, aguarde os resultados que as pesquisas não computarão (que palavrão!).
Se você fez campanha contra candidatos, desta vez, vai ver o quanto perdeu, por não ter feito campanha a favor dos teus candidatos.
Se você acreditou nas promessas dos candidatos em que votou, “meus pesames”: a “estoria da carochinha” acabou.
Se você zombou de candidatos, e, por isso mesmo, não votou neles, reveja o teu pensar, se foram eleitos.
Se você já esqueceu os nomes dos candidatos que receberam teu voto, há poucas horas, azar o teu - e sorte deles.
A ‘merda’ toda já foi ‘pro’ ventilador mesmo. O que nos resta fazer, agora, é aguardar o desempenho de cada candidato eleito. E rezar. E torcer, torcer tudo – roupas, panos de prato, cortinas, tapetes... E que venha o segundo turno, com inimigos partidarios se abraçando em conluios inimaginaveis, e sorrindo, e beijando mais criancinhas...

De olho