sábado, 13 de novembro de 2010

Habitos que não fazem os monges

Infelizmente, (ainda) vivemos os tempos de habitos que não fazem os monges, que o que mais fazem é meditar. Principalmente no ocidente, quem passa a vida meditando, “vive na vadiagem” – se for homem, é vadio; se for mulher, é vadia (e vadia, por essas ‘bandas’, tem outra conotação, que, nós, brasileiros, sabemos qual).
Por que, ainda, na maioria dos lugares, trabalho mesmo, só é considerado o braçal?... Por que você precisa sempre mostrar ação, ação?... ‘Tá’ certo que o cérebro não transpira, e a alma nem aparece, pra gente ver (quem sabe?) todo o cansaço dela. Mas isso não justifica o estigma que carrega aquele que (sabiamente) medita.
Conheço gente que não pára um só instante, e até justifica que faz isso pra ser valorizada, reconhecida. Sei lá. No minimo, pra mim, a atitude é estranha. Se eu não parasse de executar trabalhos braçais, acho que nem conseguiria ver reconhecimento ou valorização dos outros, por que ficaria muito cansada, exausta mesmo. Tentemos imaginar, então, como é manter uma vida assim: sem o corpo dar uma ‘estacionadinha’ na sombra contemplativa...
Acho que já escrevi e postei algo a respeito, e repito: gosto de fazer um monte de coisas praticas, braçais até – faxina é uma delas -, mas faço isso com prazer, por gostar mesmo. Não faço isso por obrigação, ou quando estou estressada, cansada demais (só quando estou cansada de menos).
Muito cá entre nós, às vezes, quando toca o despertador, já dá um trabaaaalho danado abrir os olhos. E o dia nem começou. Não é assim que acontece, de quando em vez, ou isso só acontece comigo?...
No oriente, os monges budistas vivem a meditar, e são respeitados também por isso. Por lá, os velhos são reconhecidos sabios, não desrespeitados, como acontece no ocidente. A sabedoria deles – os orientais – é milenar. Por isso e apesar disso também, já que nós – os ocidentais – temos o exemplo, por que não segui-lo?... Será que precisamos de milenios, pra aprendermos o que vemos de melhor, que outras culturas já praticam?... Confesso que não compreendo (também) essas coisas.
A verdade é que comecei escrevendo isso aqui, pensando em sair em defesa daqueles que (ainda) sabem e refletem, meditam, contemplam, param. E continuo com o mesmo objetivo. A ‘bandeira de defesa’ é pequena (proporcional a mim), mas cada um poderia cuidar mais da propria vida, né não?...
Por aqui onde transito, tem um catador de papéis que vive perambulando pelas ruas, exibindo musculos, sempre sem camisa. Ele faz inimaginaveis poses acrobaticas (forma de manter a forma?), inclusive do “Rambo”, só desarmado (por sorte!). Aí, fico eu pensando que as academias de (tantas) ginasticas podem ser comparadas a (mais) um altar de adoração – ao físico, ao corpo, que corre, tenso, e depois se exercita ainda mais, com o mínimo repouso.
Lá fora, as pessoas continuam correndo, pisando firme no acelerador, perdendo a paciencia no transito, se estressando, mais e mais, pra voltarem pra casa, e correrem mais ainda, tentando compensar a ausencia. Esquecemos nós que o tempo continua ignorando o nosso tempo, preparado pra nos surpreender, “a qualquer momento, em edição extraordinaria”, com: fim. Daí, depois de corrermos tanto, sem tempo (nem disposição) pra pararmos, ficamos até sem tempo pra pensar sobre essas coisas...Cansei de pensar e escrever sobre isso. Fui atrás de um mantra, em homenagem aos sabios monges, que trabalham mais que nós, por que não precisam refazer o que já fizeram, e continuam a meditar – simplesmente... Esse mantra (orienta a ‘bula’) “se destina a purificar e preparar o recebimento da transmissão de sabedoria”: “Sobre Sharei Shurei Juntei Sowaka”. Quem sabe, um dia, talvez, a gente medite sobre...
(Agora, vou ali meditar um pouco – sobre nada.)

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