quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Minha unica arma é a palavra

- Mãe, que barulho todo é esse?...
- Tiroteio, moleque...
- O que é isso?...
- Todo mundo atirando com armas, uns contra os outros, bandidos e policiais...
- Ah, com armas parecidas com a do Luciano, do barraco de baixo?
- Até parece... Só que a arma de madeira do seu coleguinha não mata ninguém...
- Mas ele vive apontando, e fazendo: bang, bang... Às vezes, ele é policia, e, de vez em quando, faz o bandido...
- É assim que começa a violência... Por isso, eu proíbo meu moleque de brincar de guerra...
- Mãe, o Luciano disse que a gente tem de treinar, desde cedo...
- Ah, Luciano é um moleque estupido... Não vai na onda dele, não...
- Mãe, os ruídos aumentaram...
- Agacha, menino, vai pra debaixo da cama...
- Mãe, então, aquilo tudo que falam da violencia no Rio, na televisão, é verdade?...
- Agacha, moleque... Querem que seja verdade, e por isso criam essa confusão nas favelas...
- Por que eles brigam tanto, mãe, até se matam?...
- Fica quietinho aí debaixo da cama, que eu vou trancar a janela...
- Por que eles se matam, mãe?...
- Por que eles acham que podem mandar na gente, brigam pelo poder...
- Foi assim que meu pai foi morto, mãe?... Você contou que ele foi assassinado por um poderoso...
- Foi, moleque, foi... Por isso, fica escondido aí, até que o tiroteio passe... Não quero perder meu unico filho, em briga dos outros... Fica quieto aí, que eu tenho de trancar a janela...
- Mãe, os tiros não param... ‘Tô’ ficando com medo... Vem logo pra cá, mãe!...
...
- Mãe!... Mãe!... Mãe!...

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