segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Morte banal

Tudo ‘tá’ ficando cada vez mais banal e banalizado. A morte, por exemplo, já não causa tanta comoção – o tempo de sofrimento, por causa da morte, ‘tá’ sendo cada vez mais reduzido. Não há mais tempo pra ficar chorando a morte – diz a maioria. Por sorte (dos mortos), algumas criaturas ainda guardam, no fundo da alma, a lembrança daqueles que partiram para o “desconhecido”. Mas a maioria mesmo, quando lembra, chora pelos mortos, somente no dia dois de novembro – talvez, movida até pelo apelo que a data traz (com feriado nacional e tudo). A verdade é que não há mais tempo nem pra viver – imagine, então, pra “curtir” a morte dos outros.
Há pouco tempo atrás (há algumas decadas), o luto era periodo de resguardo, e poderia seguir por anos. Será que alguém ainda lembra disso?... Mas, hoje, não há mais tempo para luto. Se o enterro atrasa, muita gente vai embora antes, justificando que tem “mais o que fazer”.
Hoje, a morte – tão banalizada, coitada! – já não causa o horror antigo. Pelo menos, a morte dos outros. Tem criança (de 9-10 anos) matando colega, “de brincadeirinha”. Tem estudante adolescente levando arma de fogo à escola, causando ameaças. Tem muitos projeteis ‘voando’ nas ruas – não só do Rio de Janeiro. Tem ex-marido matando quem (só ele) imaginava ser propriedade dele. Tem assaltante matando – de susto.
Pior mesmo é assistir noticiarios na televisão, e ouvir o apresentador: “Acidente na rodovia mata mais cinco pessoas”. Nem cita nomes – são numeros apenas (o que mais importa é o indice de mortes em acidentes nas estradas).
Mas tem muito mais. Tem marmanjo ‘brincando’ de medico, nos hospitais brasileiros, e matando pacientes. Tem criança de colo, desamparada, nas mãos de mulheres que se dizem babás, e são ‘especialistas’ em torturas. Tem motorista brigando e matando no transito. Tem tanta, tanta morte provocada, que o menor indice, daqui a pouco, será “morte natural”, ou “parada cardio-respiratoria”.
Talvez, por causa do medo da morte, muita gente desvie o assunto. Tem gente até que nem vai a velorio, enterro – quem sabe, no proprio (?)...... E a vida continua (até quando?)...

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