terça-feira, 4 de janeiro de 2011

“A vida é tão rara”

É do compositor e cantor Lenine, a frase aí de cima. E a vida é mesmo tão rara – unica, especial. Mais ainda, se paramos pra nos debruçar na soleira da janela da vida do outro, quando enxergamos o que nunca vimos, nem chegamos imaginar: uma vida que jamais se repete.
Alerta: Você pode (ainda) escolher interromper essa leitura. Se prosseguir – por sua conta e risco -, boa viagem a lugar algum...
Há quem acredite e divulgue a ideia de reencarnação. Ainda assim, penso eu que esta vida – esta, que a gente vive agora – continua sendo unica, e por isso rara, pois jamais se repetirá, mesmo que haja mil e uma encarnações. Até por que as outras (supostas) vidas seriam vividas com outras pessoas, não com quem convivemos hoje, na condição em que estamos, todos nós.
A vida é dinamica, e não há como interromper o fluxo. Saber que estamos de passagem nos dá (vaga) ideia do quanto “a vida é tão rara”. Cada momento é unico – o desperdiçado pode ser, no final das contas, o mais bem aproveitado, e aquele instante que queremos aproveitar o maximo pode ter sido desperdicio. Nunca saberemos.
Sem qualquer intenção de verdade absoluta, penso, como tanta gente, que a vida é feita de escolhas – mesmo quando resolvemos não escolher. Se não escolho, não é a vida que escolhe por mim – alguém escolhe. Às vezes, dependemos do outro, nas nossas escolhas. Ainda assim, participamos, ou temos esse direito (participar), da escolha que nos envolve. Se não nos manifestamos, estamos escolhendo que o outro escolha por nós – talvez até com a intenção de responsabilizarmos o outro, no final da historia (se for catastrofica). Mas jamais, quando fazemos nossa propria escolha, estaremos escolhendo pelo outro – o outro tem a escolha dele, que pode ser gritante, ou silenciosa. É escolha também. Direito inalienavel de cada ser humano: escolher (inclusive, não escolher).
Já ouvi tantas pessoas dizerem: “E a vida continua, com, ou sem, minha presença, minha participação”. Nunca repeti isso, por discordar da isenção. Na minha visão estrabica, cada um de nós, justamente por seguir um caminho unico (marcado por todas as escolhas particulares, feitas por nós), faz parte dessa mesma humanidade que vive em contradição, querendo o que não faz, esperando o que não sabe doar ao outro.
Acredito – isso sim – nas historinhas de “causa e efeito”. Acredito nos efeitos que qualquer atitude humana pode causar. Acredito nas consequencias inimaginaveis da perda de uma simples moeda de um real, na calçada. Acredito que isso tudo, sim, representa as maiores revoluções humanas, cotidianamente causadas, testemunhadas e sofridas por toda gente.
Hoje, eu posso até “me dar ao luxo” de nem querer pensar que estou fazendo escolhas, o tempo todo, a vida inteira. Independente disso, até quando escolho não escolher, minha vida – “tão rara” – continua sendo unica, e sendo vivida (por mim), com todos os efeitos causados pelas minhas proprias escolhas, sem que eu possa responsabilizar mais ninguém por isso. Fatalidade.
A minha escolha foi escrever, e postar, isso. A sua escolha foi ler. Estamos quites.
... Lenine ainda canta:
“Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara,
Tão rara…”

E eu repito às paredes: A vida é só isso – e ainda acaba.

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