domingo, 1 de maio de 2011

Trabalho: prazer, ou tortura?

De um jeito ou de outro, crescemos e trabalhamos – às vezes, o trabalho começa na infancia mesmo, quando nem sabemos o que isso e tantas outras coisas significam. Afinal, que relação a gente mantém com o trabalho: prazer, ou tortura?...
Já que pensar não me dá tanto trabalho assim, lá vou eu pensar em trabalho. Não no meu trabalho, pois este eu já penso mais que suficiente, e cumpro. ‘Cada lugar na sua coisa’. Cá entre nós, pensar em trabalho (dependendo do trabalho, obviamente) dá menos trabalho que o trabalho propriamente dito.
Na “wikipédia”, trabalho é “tripalium (do latim tardio "tri" (três) e "palus" (pau) - literalmente, "três paus") é um instrumento romano de tortura, uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão na forma de uma pirâmide, no qual eram supliciados os escravos. Daí derivou-se o verbo do latim vulgar tripaliare (ou trepaliare), que significava, inicialmente, torturar alguém no tripalium”. Talvez, por isso, tem tanta gente que procura (e encontra) trabalho que causa infelicidade. Infelizmente, há muita gente que quer justificar a propria vida frustrada, trabalhando e reclamando do trabalho. Esquece que poderia procurar outra oportunidade, para realização profissional. ‘Por que simplificar a vida, se dá pra complicar?’...
Como em tudo, na vida humana, há inimagináveis tipos de trabalhadores. Tem gente que leva ao pé da letra a maxima “dar a vida pelo trabalho” – que o digam os ‘discipulos’ do Osama Bin Laden. Não é o nosso caso, aqui no Brasil (ainda bem!). Não me refiro ao “workaholic”, que é a criatura viciada em trabalho. Não. Onde tem vicio, ainda assim, existe algum prazer.
Tem gente que trabalha de mau humor, como se necessitasse ser assim. Tudo cansa, desde o inicio do dia – que acaba sendo um dia mais cansativo ainda, justamente por causa disso. Há outros que trabalham na maior alegria, esbanjando bom humor. Independente de, todo trabalho dá trabalho mesmo – não tem jeito. Até existe um dito popular falando sobre: “Feliz é a pessoa que faz o que gosta, pois essa não precisa trabalhar”. A autoria, antes que você pense que se trata de Chico Xavier, Clarice Lispector, ou Fernando Pessoa, é desconhecida. O que se deduz é que a frase foi dita por alguém de bem com a vida.
Todo e qualquer trabalho pode representar prazer, ou tortura. Somos nós, como sempre, só pra variar, que ‘vestimos’ e ‘revestimos’ o proprio trabalho. Pode observar que, em qualquer empresa, cada funcionario trabalha de forma diferente. Não é só a função que difere, mas o jeito com que é conduzido o trabalho. Com toda certeza, o bom humor alivia pra caramba qualquer atividade. Gente chata, ranzinza, que trabalha reclamando (“oh, vida! oh, céus!”), deixa qualquer ambiente infeliz – inclusive, no trabalho. Isso, todos nós temos de reconhecer. Quem suporta o mau humor?...
Tem gente que vive repetindo que “o trabalho dignifica o homem”. Numa hora dessas é que penso que ser mulher tem mesmo suas vantagens. Brincadeirinha... Eu penso que dignidade permeia por toda vida – mesmo quando não parecemos estar trabalhando. Pra mim, dignidade é algo abstrato, uma coisinha muito particular de cada um. O trabalho pode até dignificar (“o homem”, que seja), mas respeito, bom humor, gentileza, boas ações (até para com a gente mesma) também dignificam – dependendo do momento, até mais.
Mas hoje é Dia do Trabalhador – um feriado em pleno domingo. Por isso, merecemos homenagens. Nada melhor que aquela musiquinha de 1976, “Soy Latino Americano”, de Livi e Zé Rodrix (alguém lembra?):
“Meu caminho pro trabalho
É um pouco mais comprido
Eu vou sempre pela praia
Que é muito mais divertido
Chego sempre atrasado
Mas eu não corro perigo
Quem devia dar o exemplo
Chega atrasado comigo
E diz:
- Soy Latino Americano
E nunca me engano
E nunca me engano
Soy Latino Americano
E nunca me engano...”

(Escrever isso aqui me deu um trabalho – nem tenha o duplo trabalho de imaginar e acreditar. Vou ali, descansar cadinho. Bom descanso ‘procê’ também.)

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