quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pensar entristece

Há muito tempo, ouço dizerem que “quem pensa, não casa”. Sei lá. Penso que pensar entristece. Se pensamos o tempo inteiro (por que outro jeito não existe), então, entristecemos mais ainda. Mesmo quando pensamos coisas alegres – é triste, por que (sabemos) tudo acaba. E não há como não entristecer com isso.
Se não podemos parar de pensar, frear o pensamento, o negocio é ir pensando devagar, quase devagarinho. E ainda tem aquela de que “todo pensamento puxa outro pensamento” (sei lá de onde). Penso que precisamos ficar alertas, principalmente, quanto ao que pensamos.
Mesmo quando não queremos pensar – pensamos. Fatalidade. Há quem diga que não pensa (balela!). Pensa que não pensa – mas pensa. E pensar entristece. Melhor é nem admitir que pensa, por que, se admite, pensa ainda mais – e pensar (mais, ou menos) entristece.
Se, conscientemente, pensamos nas vivencias boas que tivemos, ou temos, ainda assim, basta nos aprofundarmos cadinho – e o nosso pensamento entristece. Tudo acaba. Pior ainda, se pensamos na vida – o sentido da vida. Nem precisamos ter conhecimentos (bibliograficos) de filosofia – pensar entristece. Entristece mais ainda, se pensamos no que poderia ter sido – e não foi.
Ser humano carrega a sina do pensar, mesmo quando não quer. Por isso, passamos, quase a vida inteira, desviando pensamentos, fazendo malabarismos com o que nos pegamos a pensar, insistentemente. Mas não pensamos somente frustrações, decepções, desilusões, para constatarmos que pensar entristece. Absolutamente. De quando em vez, nos enxergamos rindo sozinhos, lembrando cenas da vida que já vivemos. Continuamos recordando, rindo, pensando, e entristecendo – por isso, ou por aquilo -, e percebemos, mais uma vez, que pensar entristece.
Não há como fugir de todos os pensamentos. Às vezes, nem nos dispomos da vontade de deixar de pensar. E acabamos voltando aos mesmos pensamentos acalentados. Mesmo quando nos surgem novos pensamentos, ainda assim, pensar entristece.
Tem gente que perde o sono, por tanto pensar. Tem gente que dorme demais, por tanto pensar. Tem gente que acha que nem pensa. No fundo de tudo isso – e de todos nós -, pensar entristece.
Mas somos seres pensantes (que grande coisa!), e isso nos diferencia dos outros animais. Quantas vezes, invejamos os cachorros, os cágados, os tigres, os macacos, as hienas?... Eles não pensam – nunca vão saber que nascem, que vivem, que morrem. Nós todos sabemos, por que pensamos, mesmo quando desejamos não pensar.
Definitivamente, pensar entristece. E isso não é ironia.

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