segunda-feira, 25 de julho de 2011

Para sermos aceitos

Só às vezes, pra variar:
Para sermos aceitos, dizemos sim, com a vontade (engasgada) de dizermos não.
Para sermos aceitos, mostramos sorrisos amarelos, e chamamos todos de queridos amigos.
Para sermos aceitos, vestimos roupas apertadas, de tamanho menor que nosso corpo.
Para sermos aceitos, fazemos programas de finais de semana (que nem queremos) com a turma.
Para sermos aceitos, comemos escargots de Bourgogne, e vomitamos no banheiro.
Para sermos aceitos, pagamos mais caro por um produto, na loja famosa, frequentada por gente rica.
Para sermos aceitos, matriculamos nossos filhos em escolas particulares, por que os vizinhos fazem isso.
Para sermos aceitos, caricaturamos uma segurança inimaginável, escamoteando o medo de que somos feitos.
Para sermos aceitos, vendemos a geladeira que ganhamos de presente, para pagarmos uma prestação do carro zero, exibido, na garagem, como trofeu.
Para sermos aceitos, vomitamos a feijoada do almoço, no campo de futebol improvisado.
Para sermos aceitos, colecionamos cartões de credito, perdendo a noção de limite.
Para sermos aceitos, encomendamos, a amigos viajantes, lembrancinhas de alguma cidade distante, para comprovarmos nossas mentiras sobre as ferias recentes.
Para sermos aceitos, sacrificamos nossos sonhos, ideais, projetos de vida.
Para sermos aceitos, sofremos cirurgias plasticas, e ainda dizemos que não dói.
Para sermos aceitos, buscamos tantas igrejas, tantos cultos, e até desembolsamos dizímos, e, por isso, até deixamos de pagar o aluguel da casa onde moramos.
Para sermos aceitos, nos calamos, nos omitimos, diante da injustiça, da humilhação.
Para sermos aceitos, lemos sinopses de filmes, resumos de livros, e encenamos nosso pseudo-conhecimento.
Para sermos aceitos, exageramos nas bebidas, nos remedios, por que a maioria faz isso.
Para sermos aceitos, vamos a todos os shows, e até participamos do fã clube de alguma banda barulhenta, que nem gostamos.
Para sermos aceitos, aceitamos o que nos é imposto, sem questionarmos.
Para sermos aceitos, só usamos roupas com rosa pink, verde limão, só por que estão na moda.
Para sermos aceitos, casamos, temos o numero de filhos estabelecido pelo grupo com quem convivemos.
Para sermos aceitos, comungamos a fé em um “deus” criado pelos homens – às vezes, um “deus” liberal e misericordioso; outras, um “deus” autoritario e punidor.
Para sermos aceitos pelos outros, esquecemos de nós – nós que, quando deixamos de ser aceitos pelos outros, também somos esquecidos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O pobre coitado

Numa realidade escrachadamente individualista, a presença do pobre coitado é notada, com veemencia. O pobre coitado pode ser homem, ser mulher. O pobre coitado. A pobre coitada. Sempre pobre. Sempre coitado. Sempre coitada.
O pobre coitado ‘tá’ em todas:
“Pobre coitado, ele bebe, se droga, desde que perdeu um familiar!” (Quem nunca perdeu, na vida?)
“Pobre coitado, ele não preparou o trabalho da aula, por que sentia-se inseguro!” (Quem não se sente inseguro?)
“Pobre coitado, ele é cleptomaniaco, e está com vergonha, por ter roubado o frasco de perfume francês.” (Um pobre coitado de bom gosto, hein?)
“Pobre coitado, ele sente muita solidão!” (Quem não sente solidão?)
“Pobre coitado, ele errou, sem querer!” (E quem erra, querendo errar?)
“Pobre coitado, ele não sabe brincar, mas não quis ofender!” (Se não sabe, aprende. Se sabe, respeita.)
“Pobre coitado, ele só quer a companhia de alguém que o ame!” (Quem não deseja isso também?)
“Pobre coitado, ele está arrependido de ter atropelado e matado a criança!” (A criança é que não pode mais arrepender-se de ter ido à calçada, naquele dia.)
“Pobre coitado, ele não gosta de ser contrariado!” (Até aí, todo mundo não gosta, mas precisava quebrar o trofeu de primeiro colocado, do adversario dele?)
“Pobre coitado, ele quer que você tome a iniciativa de procurá-lo!” (Pobre coitado do orgulho dele, isso sim!)
“Pobre coitado, ele é analfabeto, por isso, não leu a placa.” (Nem desenhando?)
“Pobre coitado, ele ficou alterado, falou sem pensar!” (Todas as pessoas ficam alteradas, falam e agem sem pensar, e não são pobres coitadas, por causa disso.)
“Pobre coitado, ele perdeu o controle, e, por isso, não parava de espancar o pai.” (O pobre coitado podia perder outro controle, e começar se espancar, né?)
“Pobre coitado, ele está tão nervoso, por isso, não quer fazer o teste do bafômetro.” (O ‘bafo’ alcoolico dele também deve estar muito nervoso.)
“Pobre coitado, ele foi rejeitado, e por isso age assim!” (Quem nunca foi rejeitado, nessa vidinha de meu Deus?)
“Pobre coitado, ele entendeu errado o que você falou, e respondeu pelo que achou ter ouvido.” (Pobre coitado daquele que foi mal interpretado!)
“Pobre coitado, não reclame dele, senão ele se ofende.” (O ‘negocio’ é deixar o pobre coitado reclamar e ofender todo mundo?)
“Pobre coitado, ele é sensível, e por isso sofre mais!” (Alguém tem alguma duvida de que todo mundo é sensível? Na duvida, martele o dedo de alguém, pra ver se não sente!)
“Pobre coitado, ele não tem conhecimento da Lei Maria da Penha!” (Mas tem muito conhecimento de porrada em mulher, hein?)
“Pobre coitado, ele está bebado, não sabe o que diz!” (Mas aponta, e “dá nomes aos bois”, sem errar um!)
“Pobre coitado, ele precisou ter uma amante, para ser feliz, por que a esposa sempre foi indiferente com ele!” (Fala sério!)
“Pobre coitado, ele é negro!” (E daí?)
“Pobre coitado, ele nunca trabalhou, e só sabe ganhar dinheiro, comovendo as pessoas, relatando a propria miseria em que vive!” (Na minha terra, isso tem outro nome: “conto do vigario”. Quem quer, ‘entra nessa’.)
“Pobre coitado, ele nunca se sentiu filho dela, e, por isso, matou a mãe.” (Se ele não se sentia filho da mãe, por que matou justamente a velha?)
“Pobre coitado, ele inverteu toda a situação, para proteger-se!” (Precisava inverter, em proveito proprio? E o outro: faz o que, pra proteger-se?)
“Pobre coitado, ele deu todo o dinheiro que tinha, por que queria ajudar aquela senhora!” (Mas o bilhete falso, que ele comprou, e pagou caro, por que alguém disse que era premiado, né?)
“Pobre coitado, ele é doente, sempre esquece de pagar as contas!” (Pobres coitados daqueles a quem ele deve, isso sim!)
“Pobre coitado, ele é louco, não merece ir preso!” (Louco mesmo, rasga dinheiro, e toma sopinha de pedras?)
“Pobre coitado, ele não fez por mal, não bolinou a garota, no onibus, por que ele é deficiente visual!” (Ah, tá bom, e os demais passageiros são deficientes mentais!)

E ainda dá pra identificar o pobre coitado, em outras situações. Se você não sabe, pense comigo (ou não):
- Pobre coitado é quem mais chora em velorio.
- Pobre coitado é o ultimo da fila, que encena passar mal, pede até copo d’agua, e acaba sendo atendido imediatamente.
- Pobre coitado é o motorista que sorri à motorista, e rouba-lhe o lugar no estacionamento.
- Pobre coitado é o politico que apresenta pedido de demissão, e ainda justifica estar contribuindo nas investigações de corrupção.
- Pobre coitado é o que chora, no proprio julgamento judicial, depois de ver provado o crime cometido por ele.
- Pobre coitado é o arrependido, diante do confessionario.
- Pobre coitado é o cara que te ‘atropela’, na entrada do taxi, dizendo estar atrasado, e vai embora, te deixando a pé, na avenida, em dia de chuva.

Sabe o que eu acho pior, pior mesmo, nisso tudo?... É quando pedem a minha conivencia, pra ajudar os (tantos) pobres coitados...

sábado, 16 de julho de 2011

Auto-entrevista

Desde sempre, sobrevivo das palavras. Profissionalmente, continuo entrevistando muita e toda gente. Volta e meia, ou meia volta, alguém me pergunta algo pessoal, e eu saio sempre pela tangente, na maioria das vezes, lançando uma outra pergunta no ar, sem responder coisa alguma. Pensando nisso é que resolvi colocar aqui alguns pontinhos de interrogação que recebi – respondo-os agora, com alguns seculos de atraso.

O que mais admira numa pessoa?
O exercicio de ser humano.

Uma saudade:
Meu pai, não por que morreu, mas por que me ensinou sobre viver.

Livros de cabeceira:
Clarice Lispector e Fernando Pessoa – sempre de mãos dadas comigo, na escuridão.

Uma duvida:
Todas as duvidas.

Um lugar:
Qualquer lugar.

Prato predileto:
Arroz, feijão, ovo frito e couve.

Uma certeza:
A certeza de que não há certeza alguma.

Uma companhia:
A que aceita a minha companhia.

Sobre a morte:
Faz parte (ainda não sei de quê).

Um livro:
Muitos, todos que releio.

Uma canção:
Dia Branco (Geraldo Azevedo/Renato Rocha)

Um sonho:
O unico segredo.

Se sente bem resolvida?
Nem bem, nem mal resolvida.

Uma coragem:
Viver.

Uma alegria:
Não pensar. É quando descanso a alma.

Um perfume:
Sou alergica, mas gosto de brisa, cheiro de mata fechada.

Um toque:
As veias grossas das mãos de meu pai.

Uma voz:
De uma menina que canta e brinca na minha alma.

Um olhar:
Quando não há necessidade de palavras.

Uma tristeza:
Pensar.

Um momento:
Aqui. Agora.

Um segredo:
Um sonho unico.

Amizade:
Sem fim, nem fins.

Uma viagem:
Todas que faço, sem bagagem, sem passaporte.

Um projeto:
Continuar tentando concretizar algum projeto.

O que admira em você?
Eu (ainda e sempre) acreditar – de fato – no impossível.

Uma descoberta:
Ainda que eu não saiba receber, é melhor ser amada, que odiada.

Um País:
Brasil – sempre -, com amor acalentado também à África.

Uma palavra:
A palavra genuína – sem interpretações.

Um desejo:
Que eu ainda consiga ser plenamente coerente com o que penso e faço.

Um medo:
Todos os medos.

O que costuma fazer, antes de pegar no sono?
Ler, e dormir com canções.

Sobre a vida:
Qualquer coisa que ainda me instiga, e eu não compreendo.

Como prefere ser enxergada:
Alguém que se alimenta do impossível.

O que vale a pena?
Acreditar – sempre.

Campo, praia, ou montanha?
Uma rede – em qualquer lugar.

O que mudaria em você?
Se eu mudasse, já não seria mais eu – eu, que nem sei quem sou.

Mar:
Fascinio.

Terra:
Limite.

Céu:
Nuvens.

Fé:
Crer em si mesmo.

Arte:
Vida.

Familia:
Ninho.

Um idolo:
Sem mitificações.

Uma bebida:
Coca-cola – sempre.

O que te chateia?
Fofoca.

O teu primeiro pensamento, quando acorda:
Calma, calminha!

O que não vale a pena?
Desistir de um sonho.

Dia ou noite?
Madrugada.

O que te anima?
Admirar as nuvens.

Amanhã será...
Amanhã.

Ontem foi...
Ontem.

Amor:
Tudo – em tudo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O pão nosso de cada dia

Você já reparou o quanto nos alimentamos, diariamente, além das refeições, dos lanchinhos fora de hora, do assalto à geladeira à noite?... Dizem que tudo isso é o nosso pão de cada dia. Mas não é sobre gastronomia que quero escrever. Nem sobre nutrição, ou até o aspecto religioso disso tudo.
Além de alimentarmos o estomago – consequentemente, todo o organismo e o fisico -, também alimentamos algo mais abstrato, mais sutil: sonhos, pensamentos, ideias, ideais, projetos, planos, sentimentos, ‘coisas’ da alma. E tudo isso (também) é o nosso pão de cada dia. Mas é tanta oferta diaria, que acabamos tendo de escolher – sempre. E a unica coisa que difere é justamente a escolha que cada um faz. Não há outro jeito, sabendo disso, ou não: a opção (quando dá tempo de pensar) já vem com a consequência ‘embutida’. Kit completo.
São tantas ofertas, tantas procuras, que, muitas vezes, acho que nos perdemos, nos corredores de escolhas da vida. No que diz respeito ao alimento propriamente dito – para o estomago não ‘roncar’ -, a maioria dos produtos conquista todos os sentidos: visão, olfato, tato, paladar. A fala e a audição são as conquistas finais, quando falamos e ouvimos sobre o prato delicioso que acabamos de degustar.
Para alimento intelectual, a gente conta com a ‘mãozinha’ de uma enxurrada de informações diarias, que nos chegam por email, ou em pesquisas de internet. E ainda tem muita gente que lê jornal (de papel mesmo), diariamente, enquanto outros se reúnem em torno de uma televisão, ou até de um radio. São tantas informações, que não há como retê-las todas. Por isso, selecionamos (escolhemos, mais uma vez) – cada qual, pelo ‘filtro’ proprio que dispõe, ou quer dispor.
Mas, ainda, nos resta o pão nosso de cada dia mais intrinseco, alimento que vai parar lá no fundinho da alma da gente. É justamente aí, nesse pão de cada dia da alma, que eu ‘tô’ pensando.
O que você tem escolhido comer, devorar?... O que você engasga, e não consegue engolir?... O que você tem engolido, por obrigação, com dificuldades?... Qual o pão de cada dia que te causa enjoo?... O que você tem conseguido digerir?... O que você tem vomitado, do pão de cada dia que escolhe?... O que você “engole seco”, por autopunição?... O que você tem deixado no prato, sem sequer provar?... Que alimentos te causam diarreia?... Qual o teu prato predileto?...
Leu as perguntas?... Também li. Quer saber?... Isso tudo me deu uma fome! – vou ali fazer a cotidiana visitinha à geladeira, e depois eu penso (e escrevo) mais sobre isso. Ou não.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Tolerancia ZERO

Por isso, por aquilo, ou por nada disso, vivemos uma realidade estressante, onde estressamos e somos estressados, o tempo todo, independente do lugar em que estamos. O pior é que a tolerancia é zero – ZERO mesmo. Se algum dia tivemos paciencia – no transito, nos ambientes de trabalho e estudo, com familiares e amigos -, hoje, nos afastamos, cada vez mais, de tudo que pressuponha tolerancia, tentativa de compreensão. A verdade é que ninguém mais ‘tá’ a fim de suportar coisa alguma – seja o preço que for, se tiver de pagar por isso.
Acho que recebemos contribuições (dos outros), e também contribuímos, para continuarmos intolerantes – até conosco mesmos. Todo mundo ‘tá’ de saco cheio – quem tem saco, e quem não tem. Até aqueles que se esforçam em ser tolerantes já não toleram mais. Por isso até, acho que muitas festas acabam em pancadaria, ou morte.
O interessante, pra mim, nisso tudo, é o fato de que as pessoas continuam transferindo - ou, pelo menos, tentando transferir – a responsabilidade das ‘merdas’ que cometem diariamente. Ninguém assume. Todo mundo fica ‘empurrando a responsa’ para o outro – sempre o outro. Foi o outro que ultrapassou o carro, no sinal fechado. Foi o outro que ameaçou com a arma. Foi o outro que esbravejou primeiro. Foi o outro que cometeu o delito. Quem acusa é sempre vitima em legitima defesa.
Enquanto cometemos, presenciamos e assistimos cenas grotescas, a intolerancia continua permeando todas as relações, todas as convivencias. E o respeito acaba sempre substituído pelo maior adversario: o desrespeito. Diante dessa ‘merda’ toda, nem dá pra pensar como ‘consertar’ tudo isso. Madre Teresa de Calcutá que me perdoe, mas não vejo saída. Tanto é verdade, que, muitas vezes, no meu cotidiano mediocre, esqueço até que, um dia, li a palavrinha tolerancia, em algum livro perdido. Mesmo estando numa roda de intolerantes, não posso responsabilizá-los, por isso. Sou eu que faço a minha escolha – e cada um escolhe ser intolerante, também.
Como se não bastasse a intolerancia vivenciada por cada (o cacofato é intencional) um de nós, ainda contamos com uma grande aliada, pra justificarmos a nossa impaciencia: a televisão. Independente do horario que a gente ligue o aparelhinho, só tem manchetes de intolerancia ZERO – exemplos humanos, pra nós, que nem planejamos mais qualquer exercicio, ou atitude contraria. Por impeto, também, os protagonistas das materias noticiosas exibem toda a intolerancia dos (nossos) tempos atuais – espelho fiel do mundo particular de cada ser humano(?). Quantas vezes, nos identificamos com a briga intolerante que assistimos –até comentamos: eu também faria isso, no lugar dele (ou dela). E ainda tem gente que pensa que só o brasileiro está sendo, cada vez mais, intolerante.
Essa historinha de Bullying, por exemplo, virou moda, começando nos Estados Unidos, quando um estudante, armado, invadiu uma escola, matando e ferindo colegas – o primeiro caso registrado desta intolerancia, no mundo. Volta e meia, em algum país europeu (“primeiro mundo”), acontece uma ‘quebradeira’ geral, consequencia da revolta de quem mora por lá. Um dia desses, inclusive, assisti uma reportagem que mostrava os moradores do centro de Barcelona jogando muitos sacos de lixo, no meio das principais ruas daquela cidade. A manifestação foi realizada, por que a coleta de lixo estava atrasada, e a população intolerante. Na Inglaterra, o povo “quebra o pau” (literalmente), contra a reforma na previdencia. Os gregos também vão às ruas, com toda tolerancia - imaginável e inimaginável. Também, no Peru (o país mesmo), um diretor de escola foi denunciado, por desviar verbas da educação. Não deu outra: os alunos da dita escola, numa demonstração de tolerancia ZERO, invadiram a sala do diretor, e espancaram-no. Torcidas organizadas também se esbofeteiam, e até se matam. Quer mais?... Os policiais (treinados pra “proteger a sociedade”) fazem parte do ‘grande show’, nos noticiarios: há sempre imagens de integrantes da policia espancando alguém – com ou sem algemas. Esses exemplos todos – a gente pode assistir, diariamente, pela televisão, lições e exemplos vivos de intolerancia crescente. No meio de tudo isso, há pessoas que procuram, na internet, videos que mostram brigas, e gargalham, divertem-se com a intolerancia alheia.
... e ainda tem gente que me chama ironica – eu?...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ironias da convivencia humana

Do outro, nós queremos:
- cumplicidade,
- respeito,
- confiança,
- alegria,
- dialogo,
- auxilio,
- silencio,
- tranquilidade,
- sacrificio,
- valorização,
- paciencia,
- companheirismo,
- segurança,
- perdão,
- inteligencia,
- colo,
- lealdade,
- decisão,
- otimismo,
- consideração,
- apoio,
- humildade,
- obstinação,
- compreensão,
- trabalho,
- reconhecimento,
- coragem,
- aceitação,
- força,
- solidariedade,
- o melhor,
- amor.

Para o outro, nós damos:
- distanciamento,
- desrespeito,
- insegurança,
- humilhação,
- intolerancia,
- traição,
- stress,
- indiferença,
- negativismo,
- incompreensão,
- abandono,
- acusação,
- medo,
- orgulho,
- ingratidão,
- asco,
- reclamação,
- fraqueza,
- discriminação,
- sarcasmo,
- frieza,
- desanimo,
- desconfiança,
- ofensa,
- desatino,
- rejeição,
- gritos,
- destruição,
- tristeza,
- egoísmo,
- o pior,
- desamor.

... E, ainda assim, chamamos tudo isso: convivencia humana (a mesma descrita, nos dicionarios, como “familiaridade, intimidade”)... Quanta ironia! – não acha?...

De olho