sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Coisas simples

Dia desses, fui a um shopping, por que precisava de calças jeans basicas e camisetas brancas simples. Eu não tinha todo o tempo que a maioria que vai a shopping dispõe, mas arrisquei, assim mesmo. Afinal, eu supunha que comprar calças jeans e camisetas basicas não levaria tanto tempo. Engano meu – mais uma vez.
Conheci e remexi aquele shopping, de ponta a ponta – só não entrei nos banheiros, nem nas perfumarias e lanchonetes. Eu queria tão pouco: apenas calças jeans basicas – ‘basiquinhas’ mesmo – e camisetas brancas simples. Sem sofisticação. Será que estava sonhando alto demais?... Ah, estava sim.
Lembrando o que me aconteceu, só posso dizer, hoje – definitivamente -, que já não confeccionam mais calça jeans simples, muito menos camiseta branca basica. Descobri modelos de calças que jamais imaginei: convencional (nada convencional), boca de sino (com paetes), skinny (da moda), jeans reto (nem tanto), capri (diversificadíssima), boyfriend (isso mesmo!), pantalona (com brilho e manchas atrativas), saruel (sem fralda), legging (moda apertada), cenoura (laranja e outras cores), barras dobradas (cheias de adereços), semibaggy (cheia de “fricotes”), cargo (parece, mas não é simples), alfaiataria (à moda da clientela da moda), pescador (com listras de zebra), cintura baixa (quase caindo), cintura alta (debaixo dos braços), montaria (sofiscadíssima), quinik (um susto!), cigarrete (multicolorida), suplex (pra quem pensa andar na moda), com ou sem flex.
Em algumas lojas, cheguei insistir: Nem uma calça jeans simples, sem adereços, sem manchas, sem rasgões, sem brilho?... Nada. Camisetas brancas simples? Nem pensar. E os atendentes insistindo: “Jeans puro? E isso já existiu?”... “Branco, branco? Como assim?”... Simplesmente, não há mais branco total nas camisetas, que apresentam modelos para todos os gostos e desgostos. Camiseta basica, agora, é objeto de uso e abuso de estilistas sofiscadissimos, que ‘carregam’ nas cores, nos acessorios, nos cortes, recortes, decotes – tudo tão, tão (imagine – ou nem queira)...
Alguns atendentes tentaram me convencer: “camiseta branca acaba manchando”, “calça jeans sem adereços não é calça jeans”, “o laço da camiseta é um pouco branco”, “a calça jeans é manchada e rasgada artisticamente”. Não me convenceram. O efeito foi contrario: acabei me sentindo, mais uma vez, um ser dinossaurico, que, por engano, e com (seculos de) atraso, pegou o trem do tempo errado.
Depois de quase me perder no shopping, desanimada da vida, decidi sentar, mas os poucos bancos dos corredores estavam ocupados. Fui procurar um degrau, para sentar e pensar – ou deixar de pensar, (merecidamente) sentada. Transitei por todo shopping, e só o que achei foram escadas rolantes (estonteantes, vascilantes) - subindo e descendo - superlotadas. Um dos seguranças do shopping, avistando a barata tonta (no caso, eu mesma), me interpelou: “Posso ajudá-la?” E eu: Só estou procurando um degrau de escadaria. O segurança, com olhar inseguro, observou todos os lados, e disse, em tom duvidoso: “Acho que aqui não tem escada. Só lá fora mesmo.” Nem um simples degrauzinho? – cheguei pensar, mas não falei. Agradeci, saí do shopping, e – finalmente! – encontrei dois degrauzinhos ‘humildes’, numa escadinha tosca, sem reboco, proxima ao estacionamento externo. Sentei, e fiquei buscando respostas, remexendo as britas depositadas ali: Onde foram parar as coisas simples da vida?...

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