sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sem discussão

São tantos os momentos em que não há a menor possibilidade de discussão... Um dos piores é quando você já foi ouvido, lido, mal interpretado, e recebe a conclusão do outro, sem qualquer pergunta previa. Sem discussão – mesmo (às vezes até para todo o sempre, que, se não existe, parece valer por muito tempo, que também não existe).
Sem discussão, você fica mudo (a), estupefato (a) até. Não importa. Você pode espernear, ou ficar na “posição da vaca (cagando e andando)”. A sentença já foi dada, e não há processo judicial, para você recorrer. O “veredito” é a guilhotina – sem discussão. Se você ainda quiser discutir, fará isso sozinho (a). Por que já ninguém mais te escuta – se ainda te ouvissem, talvez, te interpretassem pior.
Quando me apercebo, diante de uma situação inevitável dessas, sei que não existe minima possibilidade de discussão. Por isso, nem recorro à tentativa de dialogo – no máximo, um monologo desnutrido. Também eu me sinto a ré, diante da guilhotina. Se me dão direito a uma ultima frase, apenas penso: Quero mandar um beijo para o meu pai, a minha mãe, e a Xuxa (claro!). Por que nada mais há que ser pensado, muito menos dito. Sem discussão.
Tem gente que confunde discussão com briga. Pra mim, como pra (quase) toda gente, inclusive, o velho e bom “Aurelião”, discussão é debate, instante de tentativa de compreensão mutua. Acho que discussão não é troca de ideias – se fosse, nessa troca, alguém sairia perdendo. Mas, na pratica, as pessoas também confundem muito discussão, e acabam brigando – mais ainda. Por isso que ninguém se entende. Sem discussão.
Se um defende a si mesmo, obviamente que o outro, pra acompanhar o ritmo, vai defender a si proprio também. Mas isso não chega ser discussão. Aí, é qualquer outra coisa: concorrencia de egos, exposição de feridas, ou seja lá o que for. Concurso não é discussão. Nem ponto final faz parte de discussão – no maximo, uma virgula, um pontinho e virgula, um ponto de interrogação, e até dois pontos, nova linha, travessão. Discussão, na minha visão estrabica, é cada qual preocupar-se mais em ouvir que falar, e, antes de interpretar, questionar o outro, esperar e buscar compreender as respostas. Esse “quebra-pau” que, a gente sabe, acontece diariamente não é discussão. É “quebra-pau” mesmo. Só isso.
Houve um tempo (há muito tempo) em que se dizia que pessoas civilizadas sabiam discutir. Os tempos mudaram; as pessoas também. Hoje, pessoas civilizadas já não sabem discutir. E discussão mesmo só cabe em dicionario. Talvez, por que discussão dá muito trabalho. Sem discussão é melhor, principalmente, quando ninguém sabe de ninguém, nem de si mesmo – nem quer saber.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Frágeis aparencias

Ouvindo Elis Regina cantar “As aparencias enganam” (composição de Sérgio Natureza), penso nas suaves e pesadas - sempre frágeis - aparencias que carregamos – todos nós, seres humanos. Podemos nem saber ao certo quem somos, mas sempre sabemos buscar a aparencia que queremos ter, ser para os outros.
Vivemos de aparencias, mesmo quando afirmamos não dar importancia a elas. Até numa feira, os produtos vendidos são sempre os mais belos (?). Por isso, inclusive, tem muito feirante ‘maquiando’, à base de óleo, com efeito de óleo de peroba, cascas de frutas e legumes. O olhar humano sente-se atraído pelo brilho, pelo colorido que se destaca.
Pra mim, que, admito, não tenho noção de beleza e estetica, todos nós nos revelamos bastante, nas aparencias que resolvemos assumir, nos expor ao mundo com o qual convivemos. Quando falo da minha visão estrabica, não estou dizendo que meus olhos (globo ocular e tudo o que tem dentro) não se movimentam paralelamente. O meu olhar estrabico está justamente no ponto de partida do que consigo enxergar – nem sempre vejo o que realmente é.
Conscientemente, uma aparência é minuciosamente criada, para, de fato, convencer quem com ela se depara. Mas isso não quer dizer que a intenção chega ao objetivo alvo – às vezes, acaba, no meio do caminho, sem porquê. Um exemplo?... O cara, que resolve aparentar que é rico, se ‘borra’ todo, na ostentação, exibindo rolex (made in Paraguay), até em supermercado. A maioria dos milionarios não age assim, até por que sabe que seria chamariz de furtos e assaltos. Quando a aparencia é demais, dá mesmo pra desconfiar...
A realidade é que vivemos e sobrevivemos de aparencias – poucas, ou muitas, mas sempre aparencias. Afinal, ainda é pelo olhar que nos reconhecemos. Enquanto nos preocupamos em aparentar o que consideramos “aceitável” e “admirável”, vamos escamoteando, cada vez mais lá para o fundinho (da alma?), quem pensamos que somos. Por isso mesmo (quem sabe?), as convivencias humanas se tornam “samba do crioulo doido”. Ninguém se entende. Porque não só criamos a aparencia fisica (com dietas inacreditáveis, cirurgias, lipos e botox). Também, idealizamos (e esboçamos) uma aparencia mais sutil: de personalidade, e até de caráter. Aí, a convivencia pode tornar-se perigosa, por que já não somos nós, muito além da figura estetica. Isso deve causar uma trabalheira (mental) inimaginável...
Por isso, protagonizamos, ou testemunhamos, cenas assim:
- Eu não sabia que você gostava, e por isso eu afirmava não gostar...
- Se você dizia não gostar, eu não queria dizer que gostava, pra não desagradar...

Alguém tem duvida de que o mundo é das aparencias?... Diante disso, melhor seria aparentarmos ser quem pensamos ser, né não?... Dá menos trabalho, gente.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Estar só

Sós – todos somos. Até os gemeos xifopagos - que, permanentemente, não estão desacompanhados - são sozinhos. Estar só – ou não - é escolha de cada um. Não vou fundo, nessa questão – prefiro me manter nas beiradas (que são tantas). Ser só é uma coisa. Estar só é outra coisa. E ainda tem mais uma coisa: se sentir só. Escolho escrever sobre a coisa que fica entre uma coisa e outra coisa: o estar só.
Todo mundo sente vontade de estar só, uma vez na vida, ou ‘zilhões’ de vezes, ou até a maior parte da vida. Diante disso, há muita gente que enxerga obstaculos intransponíveis, e não se vê capaz de transpô-los, para, quando necessario, assumir uma separação, um divorcio. Alguns justificam que não conseguiriam manter o suficiente à familia e à propria (nova) vida. Outros dizem que se sentiriam “monstros”, sem perdão, se cometessem “abandono familiar”. Quanto a mim, continuo pensando que tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, faz parte do ‘kit’ das nossas escolhas, de mais ninguém. As consequencias disso, também.
Tenho um amigo que, depois de morar com colegas de trabalho, resolveu, como ele mesmo diz, “montar o proprio acampamento”. Para esse meu amigo, “você percebe estar só, quando não precisa brigar pelo controle remoto, nem bater na porta do banheiro, e gritar, quando quer tomar banho, muito menos tentar adivinhar quem roubou as latinhas de cerveja da geladeira”. Com tremendo bom humor, meu amigo parece estar comemorando estar só. Há vinte anos, principalmente, muitos brasileiros estão fazendo o mesmo. Hoje, já são quase sete milhões de pessoas morando sozinhas, no Brasil (dados do Censo do IBGE/2010). São homens e mulheres que, pelo visto, fizeram essa escolha, e não querem ser considerados “pobres coitados solitarios” (estigma derrubado há tanto tempo).
Ouvindo sempre muita gente falar a respeito disso, lembro, aqui, a maior vantagem citada, para quem mora sozinho: fazer o que quer. Todo mundo gosta de só fazer o que quer, né?... Estar só – pelo menos, onde mora – pode garantir a grande ‘graça’. Mas, pra muita gente, estar só pode trazer a desgraça de voltar pra casa, não encontrar um olhar amigo, um aconchego, alguém à espera, dizendo que conseguiu o filme tão sonhado, ou com outra surpresa repousante. Entre os “pós e as contas” (como diz outro amigo), a escolha é sempre de cada um.
Dentro da previsibilidade de vida humana, muitos sentem-se felizes, morando sozinhos; outros, infelizes, morando acompanhados; e há gente que se sente infeliz, morando sozinha, e, outra gente, feliz, morando na companhia de outras gentes. Nem todos, certamente - por morarem, ou não, sós - afirmam estar sozinhos. O sentimento de solidão parece desatrelado do estar – ou não – só. Ainda bem, por que, assim, não estamos predestinados a coisa alguma, e o destino de cada um continua sendo unico, resultado das escolhas intransferíveis que fazemos, a cada instante. É só o que penso – por enquanto.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vizinha da imaginação

Existe, numa loja nada distante, vizinha da imaginação, um balcão comum, onde atende-se pedidos assim:
- Por favor, eu quero meia dúzia de amigos e um grande amor, mas precisa ser com garantia, pra eu não ter de descartar tão cedo, por que vir aqui, e ficar escolhendo, dá muito trabalho. Os amigos podem ser semelhantes entre si, mas que não vivam sem mim. Que sejam, também, alegres, sorridentes, divertidos, o tempo inteiro, e que me ouçam, e nada falem. Ah, por favor, que esses amigos não pensem, não questionem, por que a ultima remessa que levei teve muita conversa, muita profundidade filosofica. Quero amigos novinhos em folha, que só queiram curtir a vida, sem pensar mais nada. Podem ser falsos, à vontade. O que quero é que me aplaudam, e digam, o tempo todo, que eu sou o maximo do maximo. O meu pedido mais exigente é quanto ao amor. O grande amor da minha vida precisa atender todos os meus caprichos e desejos, no momento que eu quiser. Amor, que é amor, tem de ser educado, respeitoso, solicito, mas, acima de tudo, subserviente – a mim, claro.
- Estamos em falta de todo este material. O que temos, ainda, são peças antigas, fora de uso, há muito esquecidas, no fundo das prateleiras, aqueles produtos de quinta categoria, utilizados há decadas. Os que restam – a maioria, por devolução – são kits completos, com personalidades que alguns gostam, outros, não. Mas pretendemos repor o estoque de lançamentos, logo, logo, para atender a crescente clientela. Só não aceitamos devolução.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A sabedoria do ouvir

Incontestavelmente, ouvir é um exercicio de sabedoria – e arte. Mas não pretendo ‘baixar’, aqui, a moral que nunca tive. Estou pensando em algo mais simples, que se refere, também, à sabedoria do ouvir.
Os canais de televisão estão exibindo, cada vez mais, programas de entrevistas, o que, na minha opinião desimportante, é um jeito de fazer pensar. O problema (que eu enxergo) reside nos entrevistadores, já que a maioria deles acaba falando mais que os entrevistados. Ainda que alguns (cada vez mais raros) entrevistadores tenham algo a dizer, por conhecimento e boa articulação verbal, quem assiste uma entrevista quer saber a opinião do entrevistado (que não é o entrevistador).
Não vou perder (o meu e o seu) tempo, aqui, fazendo a listinha dos entrevistadores que falam mais que os entrevistados. Não vale a pena. Até porque isso eu e você já sabemos, reconhecemos, principalmente, nos “talk shows” diarios televisivos. Também, prefiro destacar quem, na minha opiniãozinha, é melhor, às vezes até, sem saber disso – reconhecer é uma das coisas que eu procuro fazer sempre, na vida.
Acho que exemplo de ouvir com sabedoria é a jornalista Leda Nagle, “ancora” do Programa Sem Censura, na TV Brasil. Os demais entrevistadores, a meu ver, que estou sempre buscando programas de entrevistas, (ainda) não sabem ouvir o outro, no caso, o entrevistado, e acabam ‘rodopiando’ no proprio umbigo. Às vezes, a diferença de opinião – entre entrevistado e entrevistador – torna-se tão gritante, que o entrevistador (ou entrevistadora) chega manifestar-se enfaticamente, com imponencia mesmo, deixando o entrevistado (ou entrevistada), visivelmente, constrangido (a).
Gente, o microfone, semelhante a uma caneta, uma camera, ou (hoje) um computador, é uma ‘arma’. Seja no meio de comunicação que for – os tradicionais jornal, radio e televisão, ou blogs e todas as redes sociais -, ouvir é sabedoria e arte. Jornalista, eu sei o quanto a gente pode direcionar a entrevista, e fazer o entrevistado falar o que queremos ouvir. Mas, se cometemos a parcialidade, já não precisamos mais do outro, por que estamos falando sozinhos. Isso não é entrevista, muito menos dialogo.
“Operaria das letras” que sou, acho que uma das primeiras lições que tive, lá no “be-a-bá” da minha pratica jornalistica, foi buscar, ao maximo, a imparcialidade, ainda que seja utopia. Por isso, um dos caminhos, pra gente se aproximar dessa (tão cantada em prosa) imparcialidade, é deixar falar, e saber ouvir. Acredito mesmo que, na vida cotidiana, acontece igualzinho: a sabedoria do ouvir pode nos levar à compreensão. Não me refiro a quem deixa o outro falar, sem o ouvir, sem pensar sobre o que escuta. Absolutamente. Saber ouvir, pra mim, é despojar-se, pelo menos, por alguns instantes, das opiniões e certezas proprias, e permitir-se pensar sobre o que o outro fala, manifesta. Melhor ainda, quando nos detemos menos nas palavras, e mais no sentido delas – o que o outro sente/pensa. É o que penso – eu, que prefiro observar, ouvir, e não concluir coisa alguma. Nem queira me ouvir.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Nossa humanidade está doente

Por não compreender, estou me sentindo quase o garoto, que, no meio dos omissos, gritou: “O rei está nu!”... Eu escrevo (não grito): Nossa humanidade está doente!... E não há diagnostico que possa precisar o grau de enfermidade. Não havendo diagnostico, não há medicamento, nem vacina. Os laboratorios podem continuar fazendo conluio com os medicos, para venderem cada vez mais remedios, que não há como combater a doença que afeta a humanidade, da qual faço parte, e, por isso, me preocupo mais ainda.
A nossa humanidade está doente!... Preferimos nos manter engaiolados – assim, nos sentimos menos inseguros. Engaiolados, sim. Hoje, nosso condominio tem grades, nosso jardim tem grades, nossa casa tem grades, nossa garagem tem grades, nossas janelas têm grades, nossa sacada tem grades. Levar as crianças, para brincar no parque, é perigoso. Fazer uma caminhada é perigoso. Passear, nos finais de semana, é perigoso. Tomar sorvete, comer pipoca, na velha praça, é perigoso. Diante do perigo, baixamos a cabeça, recuamos, desistimos, e até esquecemos o que, um dia, fizemos – ao ar livre, livres do medo de todos os perigos. Pelas frestas das grades, cada vez mais pesadas e imponentes, espiamos a vida lá fora...
Doente, a nossa humanidade se refugia na internet, no canto de um quarto esquecido de uma casa esquecida. Tem gente que não sai de perto do computador (sempre conectado), não sai do quarto, não sai de casa, não sai da chamada “vida virtual”. Na internet, podemos ser quem somos, quem não somos, quem gostaríamos de ser, quem recusamos ser. Na internet, somos crianças – mimadas, muito mimadas – brincando de gente grande, como queremos que seja a nossa vida, deletando o que não nos causa prazer. Na internet, extravasamos nossas frustrações (conosco mesmos), como quem encontra, depois de tanto procurar, em mais de duzentos quilometros de estrada, um banheiro. Nesse “alterador de realidade”, refugiamos nossos medos, nossas angustias, nossos sonhos, nossos pesadelos. E ainda podemos nos sentir amados (?) – tanto, que até fazemos “sexo virtual” (de graça, sem precisarmos gastar com preservativos, nem com todos os inconvenientes do “depois”, sem o risco de gravidez indesejada).
O Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um dos países onde mais as farmacias se proliferam. Na maioria das cidades brasileiras, há cerca de duas farmácias, em cada quadra. Nem vou calcular essa estimativa. O que me preocupa mesmo é ver, diariamente, por onde passo, gente sorrindo, ao entrar nas farmacias. E ainda tem gente (já testemunhei isso) que entra na farmacia, como quem vai ao mercado: pede analgesico, anti-termico, anti-septico, anti-histaminico, anti-iterico, anti-helmintico, todos os ‘antis’ de uma lista infindável, demonstrando conhecimento de causa. Isso, na minha insignificante opinião, comprova que as pessoas estão se tornando ‘especialistas’ em medicamentos, familiarizadas que parecem estar com os remedinhos, às vezes até, aumentando o indice de hipocondria. Essa realidade está em todo lugar, para corroborar o que escrevo, já que há até discussão entre clientes e atendentes, nos balcões das farmacias. A ‘briga’ vai mais longe ainda, quando o medicamento solicitado tem “tarja preta”, e só pode ser vendido, com receita medica - a clientela vai à loucura, e tem gente que até esbraveja, na farmacia.
A nossa humanidade está tão doente, que já não mais reclama sequer os proprios direitos, se acomoda no silencio confortável da espera, sem a minima esperança. Por outro lado, a nossa humanidade, também, já não cumpre os deveres que lhe cabem. Diariamente, vemos crianças abandonadas – desamparadas nas ruas, e nas casas reconhecidas como “de família”. E mais: há meninos e meninas trabalhando, nas mais diversas funções, mendigando, fazendo cursos (de ballet, judô, natação, ou qualquer outra coisa), sem tempo de serem crianças, ou simplesmente esquecidos, na frente de um computador, de um aparelho de televisão. Diante disso, o governo responsabiliza a família, pela educação, ou falta de educação. Por sua vez, a família responsabiliza a escola, que responsabiliza o governo.
Medrosa, sempre mais insegura e titubeante, a nossa humanidade não quer mais investir em relacionamentos. Nada de amizade, ou “amor a dois”. Relacionamento dá muito trabalho, exige, da nossa humanidade, olhar o outro – e ninguém mais quer enxergar o outro, nem a si mesmo, muito menos compreender e aceitar, seja quem for. Nossa humanidade não quer pensar, sentir profundamente. Por isso, quem não foge à internet, está sempre buscando ‘anestesicos’, nas constantes “baladas noturnas”.
Cada vez mais insatisfeita – consigo mesma e com a propria vida -, a nossa humanidade escolhe consumir, consumir e consumir. Nossa humanidade participa de uma concorrencia (escrachada) de consumismo. Para isso, trabalha mais, faz hora extra, e se recusa a refletir a respeito. Depois de trabalhar, a nossa humanidade consome. Depois de consumir, a nossa humanidade descarta o que estava consumindo. Depois de descartar o consumido, a nossa humanidade trabalha, mais ainda, para adquirir mais produtos de consumo. Isso tudo está consumindo a minha, a tua – a nossa humanidade doente.

De olho