sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vizinha da imaginação

Existe, numa loja nada distante, vizinha da imaginação, um balcão comum, onde atende-se pedidos assim:
- Por favor, eu quero meia dúzia de amigos e um grande amor, mas precisa ser com garantia, pra eu não ter de descartar tão cedo, por que vir aqui, e ficar escolhendo, dá muito trabalho. Os amigos podem ser semelhantes entre si, mas que não vivam sem mim. Que sejam, também, alegres, sorridentes, divertidos, o tempo inteiro, e que me ouçam, e nada falem. Ah, por favor, que esses amigos não pensem, não questionem, por que a ultima remessa que levei teve muita conversa, muita profundidade filosofica. Quero amigos novinhos em folha, que só queiram curtir a vida, sem pensar mais nada. Podem ser falsos, à vontade. O que quero é que me aplaudam, e digam, o tempo todo, que eu sou o maximo do maximo. O meu pedido mais exigente é quanto ao amor. O grande amor da minha vida precisa atender todos os meus caprichos e desejos, no momento que eu quiser. Amor, que é amor, tem de ser educado, respeitoso, solicito, mas, acima de tudo, subserviente – a mim, claro.
- Estamos em falta de todo este material. O que temos, ainda, são peças antigas, fora de uso, há muito esquecidas, no fundo das prateleiras, aqueles produtos de quinta categoria, utilizados há decadas. Os que restam – a maioria, por devolução – são kits completos, com personalidades que alguns gostam, outros, não. Mas pretendemos repor o estoque de lançamentos, logo, logo, para atender a crescente clientela. Só não aceitamos devolução.

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