quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O todo poderoso


Realmente, ele é mesmo o todo poderoso. Com o tempo, a tecnologia avançada, ele foi tomando conta das nossas vidas – tanto que, hoje, não há lugar no mundo onde ele não se faça presente e reconhecido. Sempre imponente, ele – o todo poderoso – é o dono da maioria das atenções. Onde ele toca, quase tudo paralisa, e, depois, quase tudo se transforma.
Antes, ele era todo poderoso, somente nos escritorios, nas empresas. Aos poucos, quase imperceptivelmente até, ele foi dominando outros ares, tornando-se mais e mais necessario, e hoje faz parte do cotidiano da grande maioria das residencias. Mais ainda, atualmente, ele é o todo poderoso das ruas, das calçadas, de todos os locais publicos. Às vezes, causa até acidentes, mas continua imperando, se impondo mesmo, e não há quem fique impassível, diante do chamado dele.
O todo poderoso não é super heroi, nem milagreiro, mas, depois de alguns toques, pode salvar vidas. Não é artista de sucesso, mas sempre é esperado, e recebe toda a atenção. Não é time de futebol, mas tem torcida fiel. Não é novela mexicana, por que emociona muito mais. Não é controle remoto, mas muita gente briga pra segurá-lo. Não é confessionário, mas guarda segredos inimagináveis.
O todo poderoso toma conta das nossas vidas, tornando-nos dependentes dele. A cada toque do todo poderoso, um sobressalto, uma sensação diferente. Por isso, ele domina tudo e todos, invade reuniões, salas de aula, de cinema, estadios de futebol, até refeições, cultos religiosos. O todo poderoso não quer nem saber se estamos assistindo noticiarios, novelas, filmes, ou se estamos tomando banho, dormindo, viajando. Em todas as situações, o todo poderoso pode tocar, e não há quem fique indiferente. O jeito mesmo (é o que a maioria pensa, se pensa) é atender o todo poderoso telefone.
Se o telefone convencional (criação do escocês Graham Bell) alterou completamente os habitos da humanidade, o celular, na companhia da internet, veio superar qualquer expectativa mais ambiciosa, e já não há mais limite, nas comunicações. Hoje, celular é objeto indispensável, sempre com mais funções – além de permitir conversação (nem sempre dialogo), o aparelhinho pode disponibilizar câmera digital, gravador de vídeo, controle por voz, bússola, conectividade bluetooth, reprodutor de mp3, rádio fm, tv, aplicativos Java, porta de comunicação USB. A cada lançamento, mais uma surpresa que fascina – quem pode comprar, compra; quem não pode, acaba comprando também (“made in Paraguai”).
Conforme pesquisa do IBGE, somos 190.732.694 habitantes, no Brasil. Agora, se acomode na cadeira, e segure essa: O mesmo Brasil tem hoje 227,4 milhões de linhas celulares, segundo a Anatel. Nem a geladeira e a televisão, bens de maior consumo brasileiro, chegam proximas a esse indice de compra. Por isso, eu acho que tem brasileiro utilizando celular, pra saber das fofocas dos artistas, das novelas, e encomendar cervejinha gelada.
Lembro agora de um fato ocorrido, bem no inicio da popularidade dos telefones celulares. Um prefeito do interior desse enorme Brasil estava num motel, na companhia de uma trabalhadora do sexo. Em razão do atraso dele em casa, a esposa ligou para o celular do prefeito, que, afoito, gritou ao telefone: “Quem te contou que eu vim para o motel?”... Não fiquei sabendo se houve separação do casal, por que quem repetia o relato do que acabou virando piada nem se preocupava com esses “detalhes tão pequenos”.
Em qualquer lugar – por aí, por aqui, acolá -, basta o telefone tocar, pra afrodescente (“neguinho” virou termo preconceituoso) gritar: Alguém atenda o telefone!... Por causa do todo poderoso, muita gente sai ensaboada do banho – às vezes até pra atender chamada de telemarketing. Tem gente que adota o identificador de chamadas, provavelmente, pra evitar essas situações. Eu ainda prefiro as surpresas – se não estou a fim de atender telefone, simplesmente desligo o aparelhinho da parede (simples). Até por que não costumo correr pra atender chamada telefonica – nem lembro ter saído do banho, por causa disso.
Por outro lado – no outro lado da linha (telefonica) -, muitos que fazem telefonemas sentem-se semelhantes à imagem que fazem de Deus: onipresentes. A exemplo da internet, também uma ligação telefonica propicia estarmos em outros lugares, sem sairmos do lugar. Com isso, dizem, poupamos tempo, dinheiro, cansaço, stress, etc e tal. A realidade, hoje, é que não há distancia – o que continua existindo, por vontade humana, é distanciamento.

Em tantos lugares, neste momento, algum telefone está chamando – por aqui, por aí, acolá...

Um comentário:

  1. Seres Humanos, escravos da telefonia..., Nem mesmos conseguem ler o que esta escrito aqui, não porque não querem, mas por preguiça de ler...

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