terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sem palavras

Sabe quando sobram palavras, quando as palavras transbordam tanto, que já não há mais espaço pra qualquer coisa?... Sabe quando você escuta tantas palavras, e todas elas – as palavras – parecem desconexas, interpretadas por outras (palavras) estranhas, alheias?... Sabe quando você já usou tanto as palavras, na tentativa de expressar tanta coisa que não nasce, nem vive, no universo das palavras palavreadas?...
É assim que me vejo, me sinto: sem palavras. E meu silêncio não decorre da falta de palavras – pelo contrario, há palavras demais em mim, ao redor de mim, e até onde não sei. Então, talvez, por isso, ou por nada disso, escolho não escolher palavras. Além de sinonimos, cada palavra carrega interpretações – por isso, as palavras pesam tanto.
Simplesmente, sem palavras. Nos instantes em que enxergo e sinto com a alma, abandono as palavras (ou são as palavras que me abandonam?). Simplesmente, não há palavras simples que traduzam as palavras (intraduzíveis) da minha alma sem palavras. Resignada, aceito o abandono do convivio de todas as palavras que me cercam e tentam me domar – eu, alma indomável que sou, até a mim mesma, sem uma palavra sequer que me traduza, ou me justifique.
Se as palavras – todas – são interpretáveis, interpretadas, mais ainda, o silêncio o é. Mas, pra mim, que convivo com, e sobrevivo das palavras, o silêncio sobrepõe a todas elas – as palavras, em quaisquer idiomas, ou dialetos. E não há palavra que traduza a alma, tão cheia de palavras e palavreados – silencio.

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