terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Você escolhe

O Natal passou. O ano passou. O tempo passou. A vida passou. (Quase) tudo passou. Mas você não passou. Junto com você, não passou a ardência da ulcera a torturar. Também, não passou o seu desejo de ganhar dinheiro, acertar todos os números da mega sena. Não passou a sua vontade de parar de beber, de fumar. Não passou o seu sonho de emagrecer dezoito quilos, surpreender-se na balança. Não passou o desejo de casar, ter filhos, netos, bisnetos, tataranetos. Não passou o seu projeto de economizar, para fazer a tão sonhada viagem ao exterior. Seus sonhos – adormecidos, ou insones – não passaram.
Mas cada ser humano faz sempre escolhas únicas, intransferíveis. Por isso, a você também cabe escolher, neste final de ano, se vai chorar sobre o leite derramado (sei lá o que isso significa), se vai só lembrar das suas derrotas, e lamentar-se por isso. Você pode escolher chorar as suas perdas, ausências, faltas, carências. Você, feito qualquer outro ser humano, tem o poder (direito) de escolher se vai permanecer no emprego que lhe causa mal estar, que coloca sua autoestima embaixo do pé, que não lhe dá perspectiva de sucesso crescente.
Tudo, até a forma de você comemorar a virada para o novo ano, depende da sua escolha. Você pode “encher a cara”, esvaziar a carteira. Você pode reunir-se com a família, ou com os amigos, ou com todo mundo junto. Você pode viajar para Madinat, no Bahrein, ou para o sítio daquela tia que morreu, sem você conhecê-la, ou ainda dar asas à mente (à alma), num mosteiro, ou lendo um livro. A escolha é sua – ainda há tempo de mudar de ideia(s).
Por favor, por você, não culpe o governo, o vizinho, o trânsito, o cachorro, ou a mulher do vizinho, por suas escolhas erradas. Quem escolheu foi você, e quem continua escolhendo é você – é a coisa mais certa, mesmo quando a escolha (sua) é errada.
Se você escolher o bom da historinha da sua vida, este ano, com certeza, lembrará momento hilários, com amigos, familiares, colegas, ou até desconhecidos. Entre “os pós e as contas”, como diz um amigo, você enxergará muitas coisas que fizeram valer a pena ter vivido 2011. As conquistas podem ter sido poucas e pequenas, mas também não merecem ser esquecidas, por causa disso, né?... Você escolhe.

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