quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Haja justificativa!

Também você pode escutar muita gente justificando qualquer atitude, e também pode ser você a justificar. Não importa. Em algum canto, tem alguém justificando alguma “merda”: eu tu ele nós vós eles. Haja justificativa! Além do que eu mesma justifico (me 'borro' toda, quando me justifico), ouço sempre tantos depoimentos, feito esses:

“Já estava escurecendo, e a rua deserta. O desconhecido mexeu no bolso da calça. Eu imaginei que ele fosse sacar uma arma. Por isso, resolvi sacar e atirar antes. Matei o suspeito.”

“Eu estava no auge do stress, chutei o cachorro que abanava o rabo pra mim, na calçada, mas não tinha noção que o meu chute causaria o atropelamento do animal.”

“O homem negro estava em atitude suspeita, na agência bancária. Eu era o segurança de plantão, e cabe ao segurança (somos treinados para isso), assegurar a proteção dos clientes. Não interpelei o suspeito, por que pensei que ele reagiria, e, por isso, acabei tirando-lhe a vida, à queima roupa.”

“O meu colega sabia que eu havia passado a noite estudando, e eu, feito todo mundo, estava precisando de um dinheirinho a mais. Por isso, aceitei a proposta de vender a 'cola' da prova toda. Todo mundo faz isso. Não entendo esse 'auê' todo.”

“Eu matei o desgraçado do meu marido, por que a justiça demora demais, quando é feita. Se todo mundo fizesse isso, o mal seria banido do planeta, e só pessoas do bem, assim como eu, viveriam.”

“Matei, sim. Essa historia de bullying é coisa de escola particular. Aqui, a gente resolve tudo na porrada mesmo. Sempre foi assim. De vez em quando, morre um. Desta vez, foi a professora, mas podia ter sido eu.”

“Não lembro de ter espancado ela, até morrer. Eu estava bêbado, nem tenho tanta força pra isso. Ela deve estar fingindo de morta.”

“A culpa não é minha. Esse viciado é que sempre vem me acordar, pra comprar drogas. Eu nem procuro ele, não faço propaganda do produto. Ele que vem atrás.”

“O moleque sempre dizia que já era grande. Achei que meu filho podia ir brincar no córrego, me dar descanso. Três dias depois, fiquei sabendo que o moleque, de seis anos, morreu afogado. Não tenho dinheiro pra caixão, não, sou pobre.”

“Eu imaginei que você tivesse imaginado que eu estava imaginando que você imaginou que eu teria imaginado que você pudesse imaginar que eu imagino que você imagina outra coisa além da imaginação.”

São tantas as justificativas, que faltaria papel higiênico no mundo, pra descrevê-las todas – a cada dia, os chamados “originais” criam (retocam) mais e mais justificativas. Se você, feito eu, se sacrificou, lendo até aqui, pode estar questionando: E daí?... E eu respondo, como sempre, com uma pergunta: Pois é, e daí?...

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