terça-feira, 18 de setembro de 2012

Oferta e demanda

Daqui a pouco, chegamos no mês de outubro, e, talvez, você, feito eu, também nem esteja se interessando pela campanha eleitoral deste ano. Pode dizer que é cedo para pensar nisso. É isso mesmo. Deixe para pensar mais tarde, muito tarde – ou, melhor ainda, nem pense a respeito. Afinal, o que a gente tem a ver com isso, não é mesmo?... Se não somos políticos – candidatos, ou puxa-sacos -, para que acompanharmos os entendiantes programas eleitoreiros, que atrasam as novelas da televisão?...
Independente de quais sejam os candidatos, na minha desimportante opinião, o que não pode faltar, numa campanha, é aquela frase maravilhosa: “Peço licença, para entrar nos vossos lares”. Gente, quanta criatividade (alguns plagiam, é verdade)!... E a impostação de voz, ou de vozes?... Tem tanta coisa artística, dita e notada, nas campanhas eleitorais, que, em ano de eleição, eu sempre acho que tem gente que reprisa vídeos, feito “vale a pena ver de novo” mesmo (traduzindo: se não gostou na primeira, engula a segunda vez).
Diante de tantos candidatos, fica mesmo difícil escolher. Eu começo sempre por eliminar – por exemplo, não falou “peço licença, para entrar nos vossos lares”, já está fora. Mas há que se considerar outros pormenores, ou 'pormaiores'. Eu sempre observo se o candidato inova: tem de falar que vai trabalhar por saúde, educação, segurança, transporte e habitação (nem sempre nesta mesma desordem). Ah, não pode faltar a preocupação dos candidatos com as crianças, os velhos, os jovens, as mulheres, os negros, os índios, os homossexuais, os trabalhadores, os desempregados, os religiosos, os ateus, os doentes, os sadios. Isso tudo (e mais um pouco) não pode ficar de fora.
Mas sou exigente. Quero mais, para continuar selecionando, até chegar à escolha dos meus candidatos – este ano, vale lembrar (tem gente que nem sabe), as eleições são municipais. Tem prefeito se pendurando em retroescavadeira (novinha em folha), buscando reeleição, enquanto vereadores se seguram nas cadeiras, cantando: “daqui, não saio; daqui, ninguém me tira”.
São tantos candidatos, que resolvi fazer um manualzinho de filtro. Escolha o candidato mais bonito, ou a candidata mais bonita (se fizer alguma coisa, não vai fazer feio). Se for artista, ou que se ache, pelo menos, celebridade, melhor ainda. Ou, então, escolha o candidato, ou a candidata, que já teve o nome em processos de falcatrua. Você não sabe o que é falcatrua? - melhor ainda. Pelo menos, o candidato, ou a candidata, já fez alguma coisa, e até ficou famoso(a), por isso. O importante é que a maioria fale – bem ou mal – do candidato, da candidata, pra você votar. Você não vai querer votar num(a) ilustre desconhecido(a), né?... Fama é tudo.
Todo mundo sabe que um monte de eleitores vende o voto a um monte de candidatos. Dependendo da cotação no mercado, o voto parece ter valor – senão para quem vende, pelo menos, para quem compra. Eu sei que tem muita gente que reclama, que quer ganhar mais dinheiro, para votar no fulano, ou na sicrana. Esses eleitores se assemelham, à minha visão estrábica, àqueles caras estressados que trabalham na bolsa de valores de qualquer lugar do planeta. Gente, necessário se faz compreender o momento: o mercado está superlotado de ofertas - muitos eleitores trocam o voto por uma casca de cebola. Isso é fato. Já a demanda é criteriosa: trabalha na base do olhômetro leiloeiro – preferencia a compra de um voto, barganhando o kit família, e oferece, não uma casca de cebola, uma cebola podre, fedorenta. Resultado disso: no dia da eleição, já não existe mais a lembrança do valor do 'negócio', mas o 'santinho' do candidato segue enroladinho, entre os calos da mão do eleitor, objeto da maior confiança dos candidatos que investiram nele.
Eu sou irônica?... imagina...

De olho