domingo, 14 de maio de 2017

És mãe

És mãe – o mundo já não te enxerga mais, por que te tornaste invisível, diante de tamanha luz que rompe a estrada da maternidade. Todo mundo vê teu filho – lindo, gracioso, com saúde. E tu te tornas coadjuvante feliz, numa peça que existe, por que tu escolheste construí-la.
És mãe – te desdobras e te multiplicas em tantas quantas necessárias, para atenderes teu rebento. Estás feliz – teus olhos brilham. Não há dor e prazer maiores que este que sentes agora, e continuarás sentindo, sempre, sempre…
És mãe – te alimentas, no momento que consegues, cuida de ti, quando o pequeno adormece. E não haverá – jamais – sentido maior à tua vida, que já não pulsa só em teu corpo que se desnutre e emagrece.
És mãe – amamentas a vida que, enquanto se desenvolve, de mãos dadas com o tempo e a natureza, te envolve na essência do amor. Teus olhos, teus ouvidos, teus sentidos todos aguçam, a cada novo dia – primeiro sorriso, primeira palavra, primeiros passos, primeiro abraço. E não há alegria que te faça mais emocionada e feliz, ao ouvir a voz infantil: “Mamãe”.
És mãe – animal que pensa com o coração, age com a intuição, e sabe sem saber. Já não há espaço vazio, todo ocupado pelas pequenas e grandes emoções, que se multiplicam com os momentos de puro êxtase.
És mãe – ninguém mais enxerga o que só tu vês, e compreendes. Ninguém mais se preocupa tanto em cuidar, proteger, acarinhar e acolher o teu pequeno. Ninguém mais sabe, ou saberá, tanto sobre teu rebento.
És mãe – carregas todas as lágrimas de emoção, com o filho junto ao peito. Sem tradução, segues o destino de todas as mães que sofrem – dor e prazer -, muito além de uma vida inteira.
És mãe – tudo faz sentido, ou até deixa de ter sentido. Não importa. A vida vive, espalha alegria e luz, por onde corre o teu pequeno, com olhinhos curiosos e sorriso largo, diante de tudo tão novo.
És mãe – ninguém sabe o quanto. Só o pequenino, aconchegado ao teu colo, reconhece, no teu olhar de puro amor, o sentido da própria vida que cresce.
És mãe – depois da tua barriga predestinada a crescer, fazes esforços, sacrifícios até, abres concessões. Nada disso é, ou será, reconhecido. Por toda a vida, haverá sempre alguém (único) a te chamar, até em silêncio: Mamãe.
És mãe – e isso é tudo. Não precisas pensar, conjecturar, a respeito. Pelo menos hoje, dia que te homenageiam, descansa...

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