quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eterno Chico

Quem nunca teve um amigo chamado Chico?... Mas Chico Xavier continua sendo um só – único e eterno Chico. Este ano, todos os holofotes estão direcionados para o velho Chico, que estaria completando um século de existência, se não tivesse desencarnado em 2002.
Toda minha formação religiosa provém do kardecismo. Quando eu e meus irmãos éramos pequenos, Seu França, nosso pai, nos apresentou diversas religiões – as tradicionais, pois muitas, como “Esconderijo do Senhor”, que vi em Goiânia, ainda não existiam. Todo domingo, frequentávamos missas, cultos diferentes, para escolhermos uma religião a seguir. Meus irmãos optaram logo, e eu, com sete anos de idade, fiquei por último, reclamando com meu pai que os discursos religiosos terminavam sempre com “fim de tudo”, ou “segredo”. Foi por isso que meu pai resolveu revelar um segredo dele: sempre foi espírita kardecista, desde o tempo em que espiritismo era combatido, por ser considerado comunismo. Aliás, qualquer “ismo” pressupunha, na época, comunismo. E lá fui eu conhecer, junto com Seu França, o meu primeiro Centro Espírita, lugarzinho que, até hoje, quando retorno, me é tão familiar.
Li e ainda leio obras kardecistas. Não ouso dizer que li os 451 livros psicografados por Francisco de Paula Cândido Xavier, mas pretendo chegar lá. Há espíritos com os quais sinto afinidades. Sem contar Emmanuel e André Luiz – companheiros inseparáveis de Chico, em toda a missão -, há lindas mensagens de Meimei, Maria Dolores, Camilo Castelo Branco, Humberto de Campos (o “Irmão X”), e tantos outros, que ficaram registradas, para todo o sempre, por Chico Xavier, homem simples de Uberaba – MG.
Meu pai tinha um afeto especial pelo velho Chico – os dois nem chegaram se conhecer, mas tinham alguns aspectos (visíveis) em comum: a fé, o bom humor, a paciência, e até a marca registrada de Chico Xavier, que foi o inseparável boné de orelhas (meu pai usava sempre). Seu França sempre repetia que “Chico só poderia ser aceito pelos espíritas, mas teria trabalhado, com o mesmo amor, em qualquer outra religião”. Cresci ouvindo informações sobre Chico Xavier, como quem sabe de algum parente distante, sempre presente, até nas conversas mais triviais.
Há pouco, assisti “Chico Xavier – o filme”. Gostei do que vi. O diretor Daniel Filho foi fiel aos relatos e biografias sobre Chico Xavier. O tempo é curto, pra contar tantas histórias de uma vida de 92 anos, neste planetinha. Mas valeu o esforço – o filme ficou “redondinho”, sem pieguices, ou fanatismo. O eterno Chico merece, a Espiritualidade também, junto com os espíritas e todos os religiosos que dedicam o tempo de vida ao bem da humanidade.
Como se não bastasse todo movimento em torno do nome Chico Xavier, é comum o “autor desconhecido” ser substituído pelo médium espírita, nas mais diversas mensagens que a gente recebe, por email, diariamente. Às vezes, são conteúdos absurdos, parágrafos desconexos, catados aqui e acolá, e reunidos em mensagens de power point. Provavelmente, se Chico soubesse disso, diria, naquela voz profunda, quase inaudível: “O que vale é a intenção”.
Enquanto assistia o filme, fiquei pensando tantas coisas. Chico Xavier fez da vida, um sacerdócio. Todo mundo o admira por isso. Naquela simplicidade mineira, ele se dizia “escrevente e carteiro” (psicografava obras ditadas pelos espíritos, e recebia cartas do além, com o nome de cada destinatário). Praticou todo bem que possa existir na vida humana, e não foi considerado “milagreiro” – era e ainda é visto e admirado (por espíritas, não-espíritas e até ateus) como ser humano. Além de admirá-lo, todos nós podemos (ainda há tempo!) seguir um exemplo do velho Chico – ou dois exemplos, ou tantos quanto consideremos possíveis. E o planeta inteiro teria (quem sabe?) a fé, o bom humor, a paciência de Chico Xavier, que estaria mais vivo que as próprias obras psicografadas, que sempre emocionam o mundo...

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