terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O “sexo dos anjos”

Quem nunca participou de uma daquelas reuniões para analisarem, avaliarem e concluirem sobre o “sexo dos anjos”?... Por trás da extensa (e inocua) pauta, não acontecem mais que chatas reuniões, pra marcarem novas chatas reuniões.
Essas reuniões – agendadas, programadas, ou chamadas em “carater urgente urgentissimo” – são feitas, quase sempre, da mesma estrutura. Comumente, a reunião é convocada por um chefe, ou diretor, da empresa. Depois, não faltam os personagens, cada qual ajeitando-se nas cadeiras da grande mesa de reuniões. Além do patrão, no foco principal, participam os diretores de departamentos (sempre há), e aqueles que, além de fazerem numero, representam os coadjuvantes.
Não há reunião que não conte com o puxa-saco de plantão do chefe – concorda com tudo, e até aplaude, entusiasticamente, qualquer citação feita pelo patrão. Também, tem sempre aquele que, mesmo sem ter o que dizer, por ignorar o que deveria estar sendo exposto e debatido, manifesta a frase classica: “Eu acho que temos de fazer um estudo mais aprofundado a respeito”.
Ah, mas reunião mesmo não pode deixar de contar com aquele personagem classico que chama (ou pelo menos tenta chamar) a atenção de todos. Dependendo do humor do dito cujo participante da reunião, ele pode sair com uma dessas: “Nossa empresa merece mais do que está sendo falado aqui”. “Vocês assistiram o jogo de decisão, no final de semana?”
Além do puxa-saco, do metido e do “nada-a-ver”, reunião que se preze conta, ainda, com aquele personagem tipico de filme norte-americano. Ele permanece distraído, enquanto ‘rola’ a reunião, e, quase no final, fala, em tom dramatico: “Devemos marcar outra reunião, pra decidirmos alguma coisa mais concreta”. E ainda tem lugar para quem chamo ‘muralista’ (sempre em cima do muro), afirmando: “Eu não sei. Não sei mesmo. Esta é a minha mais sincera opinião”.
Não podemos esquecer do otimista e do pessimista de plantão, participantes marcantes, em toda reunião. O otimista, quando falta-lhe inspiração, na mesa de debate, aponta à janela, e quase canta: “Olhem, que natureza exuberante da nossa selva de pedra”. O pessimista, por sua vez, na tentativa de mostrar-se interessado, num muxoxo, olhando para baixo, interrompe: “Se querem saber minha opinião, acho que essa empresa pode falir”.
Cá muito entre nós, a maioria dessas reuniões já foi tão programada e ensaiada, que, por isso, já tem até o veredicto. Se for para reduzir salarios, ou aumentar horas de trabalho, ou reduzir/aumentar produtividade – tudo isso será feito, independente até de alguma opinião inedita, lançada durante a dita reunião. Já está tudo pronto. Não há mais o que fazer. Concordar, ou discordar, é o papel de cada participante, que assinará embaixo do que foi dito, ou não dito. Se a reunião tiver ata – aí, danou de vez. Todo mundo – um por um – quer “fazer constar em ata”: blá blá blá blá blá
Em tempo: Alguns livros espiritas (kardecistas) explicam que anjo, dentro do que chamam “hierarquia espiritual”, já não tem mais sexo, pois, segundo os livros, o anjo atingiu a “segunda morte”, rompendo o vinculo com o perispirito (que seria a ligação com a condição humana). Sem mais reencarnações. Nem homem. Nem mulher. Anjo somente. Longe de reuniões. (Acho melhor mesmo, por que já não dá mais para imaginar que os pobres anjos fiquem só tocando harpa – devem ter mais o que fazer -, para todo sempre da vida angelical eterna...)

Um comentário:

  1. Trabalhei numa agencia de propaganda onde havia os famigerados brainstorm. Há quem ache que destas reuniões chatérrimas e sem fim possa sair alguma idéia boa. Pra mim, só serviam pra cansar o cerebelo e tomar café com croissant até o fígado pedir pra parar.

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