domingo, 8 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Você tem?
Você tem alguém, um só alguém, com quem você pode ser você, sem ser o que os outros querem que você seja?
Você tem alguém com quem caminhar na chuva, sem proteção?
Você tem alguém com quem pode falar tudo e mais um pouco, e com quem silenciar horas a fio?
Você tem alguém que sempre destaca o melhor que enxerga em você?
Você tem alguém com quem você volta a ser criança, e quer envelhecer junto?
Você tem alguém que te espera, sempre, de braços abertos?
Você tem alguém a quem você não sente necessidade de mentir, nem de dizer verdade absoluta alguma?
Você tem alguém que te estenda a mão, sem falar coisa alguma?
Você tem alguém com quem ri e chora, e, no meio da madrugada, pode acordar esse alguém, por sentir-se só?
Você tem alguém com quem dividir a barra de chocolate, a coca-cola, o arroz com jiló?
Você tem alguém a quem não vive pedindo perdão por ter nascido?
Você tem alguém que, quando você chega, quer saber mesmo como você está se sentindo?
Você tem alguém que diz lembrar de você, nas situações mais simples da vida?
Você tem alguém que te ouve, te questiona, sem te interpretar?
Você tem alguém que você convida para sair, vai contigo, sem perguntar aonde?
Você tem alguém com quem você pode até não ser?
Você tem alguém que entra no consultório médico contigo, para saber da sua saúde?
Você tem alguém que te olha nos olhos, e diz o que pensa e sente, sem medo de interpretação?
Você tem alguém que ri das tuas piadas sem graça?
Você tem alguém com quem conversar sobre tudo, sobre nada, a qualquer momento, sem data especial?
Você tem alguém?...
Se você tem esse alguém ao seu lado, e também é esse alguém para esse alguém, só posso desejar uma coisa: Que você não acorde.
Você tem alguém com quem caminhar na chuva, sem proteção?
Você tem alguém com quem pode falar tudo e mais um pouco, e com quem silenciar horas a fio?
Você tem alguém que sempre destaca o melhor que enxerga em você?
Você tem alguém com quem você volta a ser criança, e quer envelhecer junto?
Você tem alguém que te espera, sempre, de braços abertos?
Você tem alguém a quem você não sente necessidade de mentir, nem de dizer verdade absoluta alguma?
Você tem alguém que te estenda a mão, sem falar coisa alguma?
Você tem alguém com quem ri e chora, e, no meio da madrugada, pode acordar esse alguém, por sentir-se só?
Você tem alguém com quem dividir a barra de chocolate, a coca-cola, o arroz com jiló?
Você tem alguém a quem não vive pedindo perdão por ter nascido?
Você tem alguém que, quando você chega, quer saber mesmo como você está se sentindo?
Você tem alguém que diz lembrar de você, nas situações mais simples da vida?
Você tem alguém que te ouve, te questiona, sem te interpretar?
Você tem alguém que você convida para sair, vai contigo, sem perguntar aonde?
Você tem alguém com quem você pode até não ser?
Você tem alguém que entra no consultório médico contigo, para saber da sua saúde?
Você tem alguém que te olha nos olhos, e diz o que pensa e sente, sem medo de interpretação?
Você tem alguém que ri das tuas piadas sem graça?
Você tem alguém com quem conversar sobre tudo, sobre nada, a qualquer momento, sem data especial?
Você tem alguém?...
Se você tem esse alguém ao seu lado, e também é esse alguém para esse alguém, só posso desejar uma coisa: Que você não acorde.
quinta-feira, 29 de março de 2012
O melhor da vida
Às vezes, chego pensar que o melhor da vida ainda não foi vivido, por que acontecia, enquanto a gente se distraía em olhar para os lados, para baixo, para cima, procurando o melhor da vida. Mas tem gente que espera o melhor da vida, quando não mais usar fraldas, aprender caminhar, ler e escrever. Depois, espera crescer mais, e experimentar a vida. Enquanto isso, a vida vai vivendo... No final da vida, essa mesma gente (ainda) espera o melhor da vida, quando não usar mais fraldas, já que aprendeu caminhar, ler e escrever.Mas também há gente que deseja o melhor da vida, quando conseguir diploma, quando tirar as merecidas férias, quando terminar o tratamento de saúde, quando saldar as dívidas, quando chegar a aposentadoria, quando acertar na mega sena. Quando não há mais nada a esperar da vida, ainda assim, espera o melhor da vida, depois que os filhos nascerem, crescerem, estudarem, se formarem, tiverem filhos.
No meio disso tudo, tem gente que não espera o melhor, nem o pior, da vida – por que não acredita, ou por que não quer pensar. Vai vivendo. Às vezes, até se dá bem com a vida, com quem passeia de braços dados, por algum tempo. Mas tudo, na vida, é passageiro. E o que parecia ser o melhor da vida simplesmente deixa de ser. Mas ainda existe vida a ser vivida – de um jeito, ou de outro, acreditando, ou não.
Pensando nisso tudo, e em mais que isso, acho que, diante de tanta vida, estamos perdendo vida – talvez até o melhor da vida. Obviamente, a cada instante, perdemos vida, mas, aí, trata-se de vida cronometrada, medida, pesada, avaliada pelo somatório circunstancial do nosso “modus vivendi”. A vida que estamos perdendo, acho, tem a ver com nossas escolhas – tão nossas, de cada um, por isso, tão especiais e únicas.
Há tanta vida fora, que acabamos “exilados de nós mesmos” (acho que a expressão é de Nietzsche). Tudo, lá fora, acontece cada vez mais rápido – o mundo virou on line, e “ficar off line” é deixar de viver (o melhor da vida?). Realmente, eu não compreendo, apesar de pensar tanto a respeito. Mas não penso, buscando respostas, por que seriam meras justificativas da minha própria imaginação, criada pela minha visão estrábica.
E ainda existe o que é o melhor da vida. Não há conceito permanente – a vida não é; a vida está. Não há melhor da vida igualzinho para duas pessoas – uma quer mais, outra se contenta com pouco menos do melhor. Isso, por um instante. Em outro momento, os desejos e as esperanças podem inverter, desabar. Enquanto tudo isso acontece, ou deixa de acontecer, a vida continua vivendo, tornando-se realidade. Nem sempre melhor. Nem tão pior. Vida – simplesmente -, essa amante infiel do tempo.
No meio disso tudo, tem gente que não espera o melhor, nem o pior, da vida – por que não acredita, ou por que não quer pensar. Vai vivendo. Às vezes, até se dá bem com a vida, com quem passeia de braços dados, por algum tempo. Mas tudo, na vida, é passageiro. E o que parecia ser o melhor da vida simplesmente deixa de ser. Mas ainda existe vida a ser vivida – de um jeito, ou de outro, acreditando, ou não.
Pensando nisso tudo, e em mais que isso, acho que, diante de tanta vida, estamos perdendo vida – talvez até o melhor da vida. Obviamente, a cada instante, perdemos vida, mas, aí, trata-se de vida cronometrada, medida, pesada, avaliada pelo somatório circunstancial do nosso “modus vivendi”. A vida que estamos perdendo, acho, tem a ver com nossas escolhas – tão nossas, de cada um, por isso, tão especiais e únicas.
Há tanta vida fora, que acabamos “exilados de nós mesmos” (acho que a expressão é de Nietzsche). Tudo, lá fora, acontece cada vez mais rápido – o mundo virou on line, e “ficar off line” é deixar de viver (o melhor da vida?). Realmente, eu não compreendo, apesar de pensar tanto a respeito. Mas não penso, buscando respostas, por que seriam meras justificativas da minha própria imaginação, criada pela minha visão estrábica.
E ainda existe o que é o melhor da vida. Não há conceito permanente – a vida não é; a vida está. Não há melhor da vida igualzinho para duas pessoas – uma quer mais, outra se contenta com pouco menos do melhor. Isso, por um instante. Em outro momento, os desejos e as esperanças podem inverter, desabar. Enquanto tudo isso acontece, ou deixa de acontecer, a vida continua vivendo, tornando-se realidade. Nem sempre melhor. Nem tão pior. Vida – simplesmente -, essa amante infiel do tempo.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Blog alimentado

Por algum tempo, fiquei sem dar alimento ao blog. Alimento havia. O que não havia era vontade de alimentar - por não saber escolher o alimento, ou por não querer escolher o alimento.
Durante esse tempo, volta e meia, ou meia volta, eu me deparava pensando em como se cria e se alimenta um blog. Nada técnico – a técnica limita, não gosto disso. Acho que, primeiro, precisa haver a vontade, o querer criar um blog. Depois, sim, a organização do pensamento: que alimento dar ao blog.
Tem gente que cria blog, para copiar frases (de efeito) de gente que nem teve ou tem blog, gente que deixou escritos, que, até hoje, são lidos, relidos, pensados, imaginados, bem ou mal interpretados, dissecados, lembrados. Tem gente que condena o que chama “falta de criatividade”, nesses blogs que multiplicam os pensamentos alheios. Na minha visão estrábica, Ctrl C + Ctrl V tem utilidade, desde que respeitada a autoria. Por conta, talvez, de uma ansiedade desmedida, tem muita gente copiando “batatinha quando nasce”, e presenteando a autoria a Chico Xavier, ou Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Mário Quintana – todos mortos, e, por isso mesmo, indefesos. O próprio Luís Fernando Veríssimo, numa entrevista, disse se divertir, quando lê o nome dele, em algum texto que nunca imaginou escrever.
Mas tem gente, também, que ousa ser o que chama “original” - criar e alimentar um blog de autoria própria. Acho que, depois do desejo incontido, precisa ter o que registrar, que pode ser, também, além de escritos, desenhos, charges, instantes fotografados em momentos únicos da vida, etc e tal. Ter o que expressar, seja do jeito que for. A partir daí, penso que o que menos importa é a autocrítica, ou, mais ainda, tentar imaginar o que os outros vão imaginar, se imaginarem alguma coisa. Imaginação, por imaginação – eu continuo preferindo a minha, antes e depois de qualquer outra.
Desde que o “blogueiro” saiba o que quer, acho que não pode haver cerceamento interno. Vai lá, usa, sem abusar, o espaço que abriu, mas ('pelamordedeus'!) diga alguma coisa, qualquer coisa que, senão o revela, aponta o caminho de (mais) um ser humano pensante. Mais que fazer pensar, o blog precisa ser alimentado por alguém que pensa - pensa tanto, que chega transbordar.
Se escolher demais o que escrever, rebuscando as palavras mais simples, tornando o fato de alimentar o blog, trabalho árduo, é quase certo que o blog pode morrer à míngua. Trabalho sem prazer acaba virando escravidão. A vitamina do blog, pra mim, é o prazer, o prazer genuíno – aquele que a gente sente, sem saber, ou querer, explicar.
Se você tem, ou planeja ter, alimentar um blog, não imagine ser lido, ou execrado. Não queira, nem espere, aplausos, ou vaias. Nem manipule o que imagina que os leitores poderiam discordar, ou concordar, gostar, ou desgostar. Não há leitores. Na realidade, há só você e um blog faminto. Nada além, nem aquém. Se você pensa que blog tem a função de fazer pensar, já cumpre: o autor dele pensa, se pensar, ou, então, não pensa. E pronto.
Durante esse tempo, volta e meia, ou meia volta, eu me deparava pensando em como se cria e se alimenta um blog. Nada técnico – a técnica limita, não gosto disso. Acho que, primeiro, precisa haver a vontade, o querer criar um blog. Depois, sim, a organização do pensamento: que alimento dar ao blog.
Tem gente que cria blog, para copiar frases (de efeito) de gente que nem teve ou tem blog, gente que deixou escritos, que, até hoje, são lidos, relidos, pensados, imaginados, bem ou mal interpretados, dissecados, lembrados. Tem gente que condena o que chama “falta de criatividade”, nesses blogs que multiplicam os pensamentos alheios. Na minha visão estrábica, Ctrl C + Ctrl V tem utilidade, desde que respeitada a autoria. Por conta, talvez, de uma ansiedade desmedida, tem muita gente copiando “batatinha quando nasce”, e presenteando a autoria a Chico Xavier, ou Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Mário Quintana – todos mortos, e, por isso mesmo, indefesos. O próprio Luís Fernando Veríssimo, numa entrevista, disse se divertir, quando lê o nome dele, em algum texto que nunca imaginou escrever.
Mas tem gente, também, que ousa ser o que chama “original” - criar e alimentar um blog de autoria própria. Acho que, depois do desejo incontido, precisa ter o que registrar, que pode ser, também, além de escritos, desenhos, charges, instantes fotografados em momentos únicos da vida, etc e tal. Ter o que expressar, seja do jeito que for. A partir daí, penso que o que menos importa é a autocrítica, ou, mais ainda, tentar imaginar o que os outros vão imaginar, se imaginarem alguma coisa. Imaginação, por imaginação – eu continuo preferindo a minha, antes e depois de qualquer outra.
Desde que o “blogueiro” saiba o que quer, acho que não pode haver cerceamento interno. Vai lá, usa, sem abusar, o espaço que abriu, mas ('pelamordedeus'!) diga alguma coisa, qualquer coisa que, senão o revela, aponta o caminho de (mais) um ser humano pensante. Mais que fazer pensar, o blog precisa ser alimentado por alguém que pensa - pensa tanto, que chega transbordar.
Se escolher demais o que escrever, rebuscando as palavras mais simples, tornando o fato de alimentar o blog, trabalho árduo, é quase certo que o blog pode morrer à míngua. Trabalho sem prazer acaba virando escravidão. A vitamina do blog, pra mim, é o prazer, o prazer genuíno – aquele que a gente sente, sem saber, ou querer, explicar.
Se você tem, ou planeja ter, alimentar um blog, não imagine ser lido, ou execrado. Não queira, nem espere, aplausos, ou vaias. Nem manipule o que imagina que os leitores poderiam discordar, ou concordar, gostar, ou desgostar. Não há leitores. Na realidade, há só você e um blog faminto. Nada além, nem aquém. Se você pensa que blog tem a função de fazer pensar, já cumpre: o autor dele pensa, se pensar, ou, então, não pensa. E pronto.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Escolha canina
Em casa, recebia ordens – e, sem pensar, obedecia cegamente – do pai, da mãe, dos avós, dos irmãos, até do cachorro...Casou, e foi receber ordens – e obedecer – do marido, da família do marido, até do cachorro (que era outro)...
Casal separado, recebia ordens – e obedecia – dos filhos, dos amigos, e também do cachorro (que era outro)...
Decidiu trabalhar, e foi receber ordens – sem questionar – do patrão, dos colegas de trabalho, além do cão de guarda (que era outro)...
Velha, cansada, quis conhecer o mundo, e passou obedecer ordens de funcionários de agências de turismo, aeroportos e estações, hotéis e shoppings, e dos cachorros (que eram outros)...
Quando parou para pensar na própria vida, não havia mais ninguém para lhe dar ordens, nem sequer um cachorro (que poderia ser outro)...
Não sabia o que fazer, senão, seguir vivendo a escolha canina – e não havia um mísero cachorro para lhe ordenar... Numa esquina qualquer, um (outro) cão desconhecido a atacou. Morreu – ninguém ordenou-lhe. Mas, um dia, morreria - todo mundo morre. E só.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Pão & circo
Pelo visto, nos últimos dias, muitos brasileiros perderam os horários dos ônibus, dos trens, para o trabalho – tudo por conta de acompanharem o julgamento do jovem que assassinou a ex-namorada, há três anos, no estado de São Paulo. Não vou falar sobre o crime, nem citarei nomes – a mídia nacional já se apropriou do estardalhaço todo. Incrível, o fato foi transmitido, ao vivo, em 2008, com desfecho trágico (a morte de uma adolescente de 15 anos), o criminoso preso, e nunca mais se falou sobre isso. Esta semana, a mídia retomou o caso, com a divulgação do julgamento, que iniciou segunda-feira, e só teve o veredicto, no final da tarde de hoje.
Não quero me deter no que a mídia mostrou, no que era (somente) para ser visto – nem nos fatos, nem na repercussão deles. O que lamentei foi ter enxergado tanta gente (que também deve trabalhar, estudar, viver a própria vida) arrumando tempo e disposição, para ficar 'acampada', por horas, na frente de um fórum de justiça, acompanhando o julgamento de mais um criminoso (desconhecido pela maioria).
Evidentemente, até o público que não costuma pensar observou o sensacionalismo coletivo dos profissionais(?) da imprensa brasileira, em relação ao julgamento. Toda mídia foi unânime, ao citar, nos noticiários, “comoção nacional”, sobre o fato. Não foi isso que acho que vi – eu, mais uma cidadã do mundo, profissional do jornalismo “fora de moda”, dos tempos em que havia preocupação, sim, com a informação, mas, mais ainda, com a formação de opinião.
As imagens que assisti, pela televisão, me fizeram lembrar a política “panis et circenses”, adotada pelo império romano. Os políticos espertinhos já se revelavam, séculos antes do nascimento de Jesus Cristo – a historinha é contada e recontada até hoje. O povo recebia pães, na entrada das apresentações de lutas entre gladiadores, com a participação de alguns animais (mais) ferozes (tigres, leões), durante o show sanguinolento. Assim, a plebe comia pães e se distraía, no circo armado, aplaudindo os promotores dos espetáculos. Pão e circo – os tempos romanos voltaram, e poucos querem pensar sobre isso.
Daqui a 98 anos e dez meses (condenação do réu), a mídia não vai desenterrar o caso. Os pães serão feitos de outra massa. O circo apresentará outros espetáculos.
Não quero me deter no que a mídia mostrou, no que era (somente) para ser visto – nem nos fatos, nem na repercussão deles. O que lamentei foi ter enxergado tanta gente (que também deve trabalhar, estudar, viver a própria vida) arrumando tempo e disposição, para ficar 'acampada', por horas, na frente de um fórum de justiça, acompanhando o julgamento de mais um criminoso (desconhecido pela maioria).
Evidentemente, até o público que não costuma pensar observou o sensacionalismo coletivo dos profissionais(?) da imprensa brasileira, em relação ao julgamento. Toda mídia foi unânime, ao citar, nos noticiários, “comoção nacional”, sobre o fato. Não foi isso que acho que vi – eu, mais uma cidadã do mundo, profissional do jornalismo “fora de moda”, dos tempos em que havia preocupação, sim, com a informação, mas, mais ainda, com a formação de opinião.
As imagens que assisti, pela televisão, me fizeram lembrar a política “panis et circenses”, adotada pelo império romano. Os políticos espertinhos já se revelavam, séculos antes do nascimento de Jesus Cristo – a historinha é contada e recontada até hoje. O povo recebia pães, na entrada das apresentações de lutas entre gladiadores, com a participação de alguns animais (mais) ferozes (tigres, leões), durante o show sanguinolento. Assim, a plebe comia pães e se distraía, no circo armado, aplaudindo os promotores dos espetáculos. Pão e circo – os tempos romanos voltaram, e poucos querem pensar sobre isso.
Daqui a 98 anos e dez meses (condenação do réu), a mídia não vai desenterrar o caso. Os pães serão feitos de outra massa. O circo apresentará outros espetáculos.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Ah, o amor
Ah, o amor – essa palavrinha ordinária, mundana, usada e abusada, a todo momento, e em qualquer circunstância, ou liquidação... Apesar de a realidade nos mostrar, cotidianamente, que, cada vez mais, nos afastamos do amor, mais ainda (por teimosia?), buscamos o amor, atabalhoadamente. Às vezes, no sexo sem compromisso, podemos até dizer ao parceiro: eu te amo (será?). Por outro lado, podemos interpretar uma manifestação do amor (o cuidado, por exemplo), como intromissão, ou falta de confiança. Embaralhamos tudo, pelas decepções e frustrações que vivenciamos, e por que também absorvemos o que lamentam os desiludidos da vida.
A ansiedade é tanta, que enxergamos amor, em momentos abarrotados de prazeres fugidios, que impossibilitam até o aparecimento do amor. Por esses descaminhos, confundimos amor com paixão, amor com amor próprio, amor com atração física, amor com sexo, amor com posse, amor com romance, amor com comercial de margarina. Obviamente, 'quebramos a cara', e ainda nos sentimos injustiçados, enganados, e todos os 'ados'.
Como se não bastasse toda essa confusão mental de cada um de nós, ainda existem os estereótipos de amor, nos impingindo conceitos, pré-conceitos e preconceitos. Nesse 'barquinho', velejam as crenças religiosas, o livrinhos de auto-ajuda, conduzindo multidões, que pagam (caro) para segui-los. Resultado: “samba do crioulo doido” (claro!).
Sempre escuto suspiros e definições de amor. Chega ser engraçado, o que escuto, por que os olhares, tão diferentes, às vezes, são idênticos, por que a maioria não quer saber (conhecer, vivenciar) o amor. Amar dá trabalho, e dói. A maioria quer mesmo experimentar o que aprendeu, ou pensa que seja amor (mágico, ideal, prontinho e perfeito) – sem esforço, nem dor. Por isso, tem tanta gente falando que amor é aquele sentimento que causa “friozinho na barriga” (efeito contrário de uma azia?). Mas tem muito mais definições espalhando-se, por todo lugar, ganhando adeptos.
Já ouvi pessoas falarem, também, que amor é sobressalto, pura adrenalina, o tempo todo – ignoram que isso é paixão, não amor. Tem gente que diz que o amor é morno, e a paixão, sim, é quente, ferve, atrai. A gente não pode esquecer que o que ferve pode queimar, e o morno pode acolher – feito colo.
Mas o pior mesmo é o fato de a maioria exigir, sempre, sexo com amor, amor com sexo, por que assim aprenderam os bisavós dos nossos tataravós, e, na herança, recebemos os delírios literários do romantismo. De repente, pode até ser assim mesmo: amor e sexo de mãos dadas – mas isso não é regra. Nem sempre o prazer sexual tem a companhia do amor. Nem sempre o amor tem atração sexual. Amor é amor. Sexo é sexo. Outra coisa é (mesmo) outra coisa. E ainda há pessoas que associam amor à dor, dizendo amar os tiranos – não me refiro a sadomasoquismo. São tantas imagens do amor, que ele – o amor mesmo – acaba saindo de cena, diluindo-se, sem sequer ter recebido alguma atenção.
Depois de tudo isso, se um dia, quem sabe, talvez, o amor surgir, pode ser que nem seja identificado, reconhecido. Já estamos tão convencidos de uma (outra) imagem do que deva ser o amor, que ele simplesmente passa pela nossa vida – incólume. Enquanto isso, permanecemos distraídos, buscando o que nos dá prazer, cada vez mais imediato, e efêmero...
A ansiedade é tanta, que enxergamos amor, em momentos abarrotados de prazeres fugidios, que impossibilitam até o aparecimento do amor. Por esses descaminhos, confundimos amor com paixão, amor com amor próprio, amor com atração física, amor com sexo, amor com posse, amor com romance, amor com comercial de margarina. Obviamente, 'quebramos a cara', e ainda nos sentimos injustiçados, enganados, e todos os 'ados'.
Como se não bastasse toda essa confusão mental de cada um de nós, ainda existem os estereótipos de amor, nos impingindo conceitos, pré-conceitos e preconceitos. Nesse 'barquinho', velejam as crenças religiosas, o livrinhos de auto-ajuda, conduzindo multidões, que pagam (caro) para segui-los. Resultado: “samba do crioulo doido” (claro!).
Sempre escuto suspiros e definições de amor. Chega ser engraçado, o que escuto, por que os olhares, tão diferentes, às vezes, são idênticos, por que a maioria não quer saber (conhecer, vivenciar) o amor. Amar dá trabalho, e dói. A maioria quer mesmo experimentar o que aprendeu, ou pensa que seja amor (mágico, ideal, prontinho e perfeito) – sem esforço, nem dor. Por isso, tem tanta gente falando que amor é aquele sentimento que causa “friozinho na barriga” (efeito contrário de uma azia?). Mas tem muito mais definições espalhando-se, por todo lugar, ganhando adeptos.
Já ouvi pessoas falarem, também, que amor é sobressalto, pura adrenalina, o tempo todo – ignoram que isso é paixão, não amor. Tem gente que diz que o amor é morno, e a paixão, sim, é quente, ferve, atrai. A gente não pode esquecer que o que ferve pode queimar, e o morno pode acolher – feito colo.
Mas o pior mesmo é o fato de a maioria exigir, sempre, sexo com amor, amor com sexo, por que assim aprenderam os bisavós dos nossos tataravós, e, na herança, recebemos os delírios literários do romantismo. De repente, pode até ser assim mesmo: amor e sexo de mãos dadas – mas isso não é regra. Nem sempre o prazer sexual tem a companhia do amor. Nem sempre o amor tem atração sexual. Amor é amor. Sexo é sexo. Outra coisa é (mesmo) outra coisa. E ainda há pessoas que associam amor à dor, dizendo amar os tiranos – não me refiro a sadomasoquismo. São tantas imagens do amor, que ele – o amor mesmo – acaba saindo de cena, diluindo-se, sem sequer ter recebido alguma atenção.
Depois de tudo isso, se um dia, quem sabe, talvez, o amor surgir, pode ser que nem seja identificado, reconhecido. Já estamos tão convencidos de uma (outra) imagem do que deva ser o amor, que ele simplesmente passa pela nossa vida – incólume. Enquanto isso, permanecemos distraídos, buscando o que nos dá prazer, cada vez mais imediato, e efêmero...
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