segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pratica magica

Na minha visão estrabica, percebo que, na proximidade de cada final de ano, a humanidade se contrai entristecida – quem sabe, somando e multiplicando frustrações, decepções, e um monte de ‘ões’ monstruosamente negativos, desanimadores. Também eu, por força do habito (tão humano), me condiciono a fazer isso. Independente da intensidade, o que queremos – todos – é sermos aceitos, senão pela maioria com quem convivemos, ao menos, por alguns proximos. Aí, a decepção conosco mesmo pode ser maior ainda, por que não correspondemos ao que o outro espera, os outros esperam, da gente. Pior ainda, se introjetamos o que esperam da gente, e passamos a desejar o mesmo de nós. Jamais correspondemos ao que os outros e nós mesmos esperamos da gente – por isso, tantas surpresas na vida.
(Não quero escrever sobre “perdas e ganhos” – até por que Lya Luft publicou um livro a respeito. Não vou entregar o ‘peixe’ dela, de graça. Que Lya Lyft continue vendendo muito, e publicando vaaaaaaaarias edições. O que sei é que tem muita gente comprando o livro, na imaginação fértil de que a obra trata sobre economia, como aumentar os ganhos financeiros. Em tempo de crise, até justifica-se o desespero.)
Já li, em algum lugar, que, nos países europeus, esta epoca de final de ano é sempre marcada pelo aumento no indice de suicidios, (pasme!) principalmente, entre os jovens. Por lá, o inverno chega com tudo – frio, gelo, tudo cinza. Realmente, a situação fica dificil, por muito tempo – mais tempo até, para alguns, que o humanamente suportável. Ser humano precisa de luz, calor, alegria das cores – vida, vida...
Mas eu ‘tava’ escrevendo que, todo final de ano, é ‘batata’: a gente pára pra pensar na vida – o que fez, deixou de fazer, o que deu certo, o que deu errado. Incrivelmente previsível, ou previsivelmente incrível, a gente acaba se tornando o proprio algoz da gente mesmo – com dedo em riste, diante do espelho particular, condenamos nossos fracassos, sem qualquer direito de recurso, ou atenuação da ‘pena’. Nesta auto critica, nos distanciamos, cada vez mais, do que fizemos de bom, das nossas infimas conquistas. Sem contemporizar, damo-nos o veredicto: mais um ano de erros, frustrações, decepções, desilusões, enganos e desenganos. E não há um só alguém que nos convença do contrario. É assim - na condição de “réu confesso” - que entramos no novo ano que se aproxima. Pensando nessas coisas todas, acho mesmo que não dá animo, nem se tem motivação para o novo que desponta, independente da nossa vontade.
Claro que cometemos deslizes, cotidianamente, e até erros imperdoáveis. Mas qual a intenção que nos moveu a deslizar, ou errar amargamente?... Será que não podemos lembrar que tentamos acertar, mesmo quando o resultado é um erro catastrofico?... Sei lá. Acho que, se a gente selecionasse todo mal que causamos, pela intenção (primeira e unica) de verdadeiramente causarmos tal mal (ou até pior), talvez, a gente conseguisse se perdoar um cadinho mais, já que não se recebe gratuitamente perdão alheio – o olhar do outro nos acusa, quase sempre, e, quando não o faz, nos abandona. Fazemos isso sempre – todos, todos seres humanos.
O ultimo mês do ano chegou, e o que a gente fez, deixou de fazer?... Independente da vida que a gente leva, com certeza, a maioria (por que sempre há exceções em tudo) tentou acertar. Se é complicado o outro compreender nossas (miseráveis) intenções, por ter visão propria, e, com isso, interpretação unica, que, pelo menos, nós compreendamos nós mesmos, e até (quem sabe?) nos perdoemos. Depois de aprendermos isso, quem sabe até vamos adiante, e perdoamos os outros. Não é a palavrinha que é magica – é a pratica: resignificar. É dificil?... Eu também acho que é – e quanto!... Mas não é impossivel, poxa!... Sem truques.

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