quinta-feira, 2 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Confirmado: o Brasil continua maior que o umbigo
Apesar
da campanha aberta, feita pelo próprio presidente da Câmara dos Deputados, o
plenário de hoje à noite não teve os 308 votos necessários à aprovação da
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171. Confirmado: o Brasil continua
maior que o umbigo. No final da sessão da Câmara, depois de tantos absurdos vingativos,
defendidos em plenário, a derrota foi da hipocrisia e da injustiça, e o caminho
da pena de morte foi, mais uma vez, obstruído.
Bravamente,
deputados federais sensatos, de diversas bancadas, chegaram até a contrapor-se
à decisão do próprio Partido, em respeito ao direito à vida dos adolescentes de
16 e 17 anos. Com todas as caras feias, dos que acreditavam destruir,
finalmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente, que, este ano, completa 25
anos, a redução da idade penal – de 18 para 16 anos – foi rejeitada pela Câmara
dos Deputados. Por falta de cinco votos, os adolescentes brasileiros foram
absolvidos da guilhotina imposta pela sociedade imediatista e hipócrita, que,
conforme pesquisa, quer o encarceramento dos adolescentes, retirando-lhes
qualquer possibilidade de vida digna.
Disso
tudo, resta o que a maioria não quer pensar: Se aos governos cabe oportunizar
políticas públicas, para o desenvolvimento integral das crianças e dos
adolescentes, à sociedade caberia, na mesma proporção de responsabilidade,
respeitar os direitos dos cidadãos, principalmente, daqueles em condição de
maior vulnerabilidade.
Por
favor, não venham com discursos de que somos todos iguais – não somos, e, pior
que isso, todos sabemos, mas poucos reconhecemos. Quando se pensa em
oportunidades, então, as diferenças aumentam ainda mais. Isso foi comprovado,
durante a sessão de hoje, na Câmara dos Deputados, quando discursos infames e
separatistas, de discriminação descomunal, foram ao microfone, enquanto umbigos
inchavam, inflamados pelo ódio e pela vingança, representando outros tantos
umbigos.
Nossas crianças e nossos adolescentes foram
salvos da guilhotina da redução da maioridade penal, no Brasil. Desta vez.
Daqui a pouco, outras guilhotinas (mais afiadas) serão montadas, no picadeiro.
Por quê? Simplesmente, por que alguém tem de pagar a conta do desgoverno, na
aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente, da hipocrisia social, que se
acumula debaixo dos tapetes vermelhos (de sangue?), onde só pisam “homens e
mulheres de bem”.
domingo, 17 de maio de 2015
Um crime sem precedentes
Crianças e
adolescentes do nosso Brasil varonil estão para sofrer um crime sem
precedentes. Senhores e senhoras do Congresso Nacional estão querendo rasgar a
Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente, para, justificam eles,
atender à sociedade conservadora e imediatista, que não quer a solução dos
problemas, mas, sim, o fim deles, através do atalho mais curto, sem se importar
com as consequências.
Não é à toa que a
PEC (Proposta de Emenda Constitucional) tem o número 171, no Congresso Nacional
– se aprovada, a 171 jamais será esquecida mesmo. Nada por acaso – o número 171
remete a outras representações, que, talvez, não sejam outras, mas somente
sinônimos.
Por diversas vezes,
já postei, neste blog, a minha preocupação com os nossos adolescentes e as
nossas crianças. Adulta que sou, começo a me preocupar mais com o que os
adultos estão fazendo - esses que dizem representar “a vontade da maioria”. Mas
isso realmente não importa – é pouco. A realidade é que tem muita gente levando
a cabo o conservadorismo que fazemos questão de destacar que não existe mais,
que faz parte de um passado ainda sombrio – isso tudo, só em discurso político,
que mais parece setor de frigorífico, onde enchem linguiça.
Não quero tratar,
aqui, sobre a questão legal da dita PEC 171 – se atropela a nossa Constituição
Federal (ainda temos uma, soberana, para quem já esqueceu), ou se vai mais
longe, e faz parte de um processo legal, para chegar à aplicação da pena de
morte, no Brasil. O que tenho acompanhado, principalmente, nos canais de
televisão e jornais de circulação nacional, é que, de fato, está sendo feita
uma campanha massiva, para que a redução da idade penal seja colocada em
prática, o quanto antes.
A maioria dos
canais de televisão não é sutil, quando vende felicidade, como bônus da redução
da idade penal. Em qualquer programa do que costumo chamar picadeiro televisivo,
sempre fazem alguma associação com a palavra ‘menor’. Inclusive, dá pra
perceber que os ‘famosos’ programas, que jorram sangue pelas salas dos
brasileiros, apresentam, diária e prioritariamente, crimes cometidos por
menores. A partir da exibição dessas notícias, os comentários dos
apresentadores remetem às piores épocas da humanidade – nazismo, ditadura militar,
etc e tal. Alguns apresentadores se empolgam tanto, que chegam defender, ao
vivo, a aplicação da pena de morte no Brasil. Quando assisto isso, mesmo por
distração, me assusto, e penso: Isso também é ser humano. Olho pela janela,
enxergo uma criança brincando na calçada, um gato se espreguiçando no gramado, me
acalmo – nem tudo está perdido (ainda).
Quando ouço um desses conservadores justificar que
“precisamos dar uma resposta à sociedade”, fico pensando: de que sociedade ele
está falando?... Onde está a 'faixa de gaza' brasileira?... Se realmente
existe, preciso me posicionar, urgentemente. Na condição de participante dessa
sociedade (sou ser vivente, brasileira, devidamente registrada em cartório),
nunca foi essa a resposta que esperei, até mesmo dos 'poderosos' conservadores.
Acredito em amadurecimento, mas pode ser que haja alguma alteração genética, e
o apodrecimento chega antes. Alguém precisa pagar por isso, também?... Não sei.
De repente, se, numa só sociedade, existem 'nós' e 'eles', eu preciso ter atitude,
e assumir se sou 'nós', ou 'eles'. Nunca pensei chegar a tal questionamento.
Mais uma vez, eu faço minha escolha simples: Não sou – nem ‘nós’, nem ‘eles’,
nem...
Resumindo
a história, na minha visão estrábica, daqui pra frente, tudo pode ficar diferente.
Os mesmos conservadores que defendem a redução da idade penal continuarão
contra a legalização do aborto. Só pra fazer pensar: o menor é obrigado a
nascer, pra ser encarcerado, aos 16 anos (vida curta essa, hein?). Essa é uma
possibilidade, caso a criança sobreviva até os 16, já que, volta e meia, tem
bala perdida (de alguma arma policial) matando menores, pelo País, não só no
Rio de Janeiro. Desse jeito, qualquer gravidez é de sério risco...
E
ainda tem mais possibilidade: os 'poderosos' representantes dos eleitores podem
ganhar essa de reduzir a idade penal mesmo. De outro lado, os 'poderosos' do
crime podem, também, reduzir a idade dos menores contratados, os únicos, aliás,
nada 'poderosos'. Nesse “samba do crioulo doido”, pode não demorar muito pra
reduzirem a idade penal aos recém-nascidos - pobres e negros, claro, por que os
outros, com 'pedigree', nascem com oportunidades, e, quase sempre, têm apoio
dos 'poderosos', com quem aprendem a fazer o mesmo, no futuro cada vez mais
próximo. ‘Apartheid’ velado, sem que uma só criatura tenha de assumi-lo, já que
diz representar ‘a sociedade’, que não é identificada.
Falamos
tanto em ditadura, e torturas e injustiças, mas, pelo visto, ainda tem muita
gente que não saiu dos tempos da escravidão, que foram muitos. Naquela época,
sim, uma 'lei do ventre livre' libertava um nascituro, que acabava por conhecer
somente torturas e injustiças sofridas pelo povo pobre e negro (já citei pobre
e negro, neste texto, né?). E ainda tem tanta gente se preocupando com “curtidas
e compartilhamentos”, em rede social, enquanto um bando de conservadores quer
ser aplaudido, pra 'ficar bem na foto' – ou selfie, para os que não estão nem
aí com o que escrevi... Os 'poderosos' parecem não estar muito interessados –
nem com a minha, nem com a sua opinião. Sem plebiscito. Depois disso, não vamos
dizer que jamais imaginamos chegar a tal ponto (oh!), quando a pena de morte
for à votação, no Congresso Nacional.
Quando
encontro a ignorância defendendo a pena de morte, sempre digo: Deixemos isso
para o primeiro mundo – lá nos Estados Unidos (mero exemplo), esse termo chega
ao termo. Não merecemos isso – nem nós, nem os que virão, se virão. E viva o
terceiro mundo. Fim de linha.
Se houver mesmo redução da idade penal para 16 anos (ou
15, 14, 13, 12, 11, 10, ou para recém nascidos sem ‘pedigree’ – que diferença
faz?), acreditemos nos políticos que estufam o peito, para dizer: “o futuro é
agora”. Será mesmo – por que outro futuro não haverá, senão construído por herdeiros
do sistema cada vez mais ‘poderoso’, e alguns poucos mutilados, ignorados pela
mesma sociedade moralista, conservadora, preconceituosa, irresponsável, discriminadora,
imediatista, extremamente cruel e injusta, sem qualquer noção de humanidade.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Que coisa feia!
Tem
coisas que a gente não merece sequer tomar conhecimento, muito menos sofrer
(nem nos piores pesadelos). As notícias que me chegam, de meios de comunicação
sérios, me deixam indignada. Que coisa feia! O irônico, nisso tudo, é que os
protagonistas da violência têm sido justamente aqueles a quem deveríamos
respeitar como “homens da segurança”.
Em
São Paulo, há alguns dias atrás, um segurança, contratado pelo governo do
Estado, atirou contra quatro professores da rede pública estadual, que estão em greve. A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo justificou que
o segurança era terceirizado. Ah, claro, senhor governador, isso explica
tudo!... Terceirização é uma palavra em voga, no Congresso Nacional – tá na
moda...
Hoje,
os policiais militares do Paraná resolveram desabafar mesmo, e miraram num só alvo:
os professores da rede pública estadual, também em greve. Pode ser que o governo do Paraná
justifique o uso de spray de pimenta, jatos d’água e bombas de gás, como meios
de aliviar o stress dos pms (ainda não são terceirizados).
O resto fica por conta das imagens e do que você
queira (ou não) pensar a respeito:
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Manchetes pra causar inveja no Dia da Mentira
O
mar do Rio (de Janeiro) secou
Todo
o efetivo das Polícias Civil e Militar fugiu de SP
Rede
Globo assume o governo federal - Edir Macedo abençoa posse
Analfabetismo
generalizado causa fechamento de todas as universidades no Brasil
Show
na Praça terá Pena de Morte no lugar de Ivete Sangalo
São
Paulo é soterrado pelo Sistema Cantareira
Criminosos
organizados fecham todas as Unidades de Saúde do Brasil
Brasil
será cercado por píeres para conter ondas de violência
Comandos
criminosos invadem o Palácio do Planalto e chamam canal de televisão
ao vivo
Brasil
registra 836.371.001 estupros por minuto
Governo
anuncia investimento no turismo sexual
Todos
os livros estão proibidos no Brasil: só televisão liberada
Jair
Bolsonaro é Ministro da Defesa
Silas
Malafaia é Ministro da Justiça
Marco
Feliciano é Ministro dos Direitos Humanos
Eduardo
Cunha é o Procurador Geral da República
Militares
aposentados e zona sul assumem ditadura fortalecida
Brasil
é nº 1 no tráfico de drogas falsificadas à Ásia
Governo
norte-americano afirma que programação da TV brasileira é (muito)
melhor que as guerras no Oriente Médio
Petrobras
afundou de vez
Governos
estaduais queimam favelas para exterminar a pobreza
Brasil
terá transporte público gratuito puxado por jegues do nordeste
Criminosos
ministram workshop sobre aplicação da pena de morte por todo o
Brasil
Inflação
brasileira cresce 291.507.347.001% a cada semana
Governo
dos Estados Unidos muda sede para o Brasil atrás de Indiana Jones
Fim
da mortalidade infantil: A culpa é do governo
Produção
total de grãos apodrece no Brasil
Brasil
importa água da África
População
brasileira acaba com estoque de armas e ataca todas as ruas
Golpe:
Beneficiados pelo Bolsa Família são polígamos
Governo
federal entrega prédios do “Minha Casa, Minha Vida” à Venezuela
Maiores
empresas do Brasil quebram e migram para o setor de 1,99
Aprovada
redução da idade penal para recém nascidos
Baratos
(por que não valem uma casca de cebola podre) 'colegas' de
jornalismo, essas manchetes todas são pra vocês morrerem de inveja,
pois não terão orgasmos múltiplos, anunciando o que jamais se
realizará. Sigam procurando as piores do dia - a concorrência
continua acirrada, sem limites sensacionalistas... e tenham um
infeliz dia da mentira!...
Mentiras
por mentiras, prefiro as minhas, que, pelo menos, são irônicas, me
fazem gargalhar, justamente por se tratarem de mentiras assumidas...
Há
muito tempo, escolhi não dar audiência a canais e programas que não
merecem o meu olhar questionador. Hoje, muito mais que o controle
remoto, o que uso mesmo é esse botãozinho:
domingo, 8 de março de 2015
Vitrines da vida
Foi-se
o tempo das vitrines de comércio formal reinarem absolutas, numa
concorrência inimaginável. Hoje, as pessoas criam as próprias
vitrines - tempo virtual. Quem não quer ir, acaba sendo levado no
'cordão carnavalesco'. Neste mundo, onde vemos e somos vistos, tudo
é atrativo, brilhante, todo mundo é bilionário, lindo,
maravilhoso, destemido, saudável, magnífico em tudo, o tempo todo.
A concorrência já não é pessoal, pois se trata de quem aparenta
mais. Mais o quê?... Ninguém imagina, por que não há limites. As
redes sociais, principalmente, estão lotadas de fotos que desbancam
qualquer manchete do dia.
Nas vitrines da vida, cada qual mostra as (melhores e maiores) armas que tem - com direito a exibir até pistolas e fuzis, nas redes sociais. As máscaras vão muito além daquelas exibidas no carnaval. Tem pra todos os gostos e desgostos. Nem dá pra imaginar o que você vai ver, na próxima página, na esquina seguinte, no próximo toque no controle remoto da tv.
Nas vitrines da vida, cada qual mostra as (melhores e maiores) armas que tem - com direito a exibir até pistolas e fuzis, nas redes sociais. As máscaras vão muito além daquelas exibidas no carnaval. Tem pra todos os gostos e desgostos. Nem dá pra imaginar o que você vai ver, na próxima página, na esquina seguinte, no próximo toque no controle remoto da tv.
Diante
de tudo isso, na minha visão estrábica, só consigo pensar que
nunca se viu uma realidade tão estrondosa como essa. Quem não fizer
barulho, não chamar a atenção, está fora das vitrines. Se a
máscara for maravilhosa, quase perfeita, tem até réplicas, em
outras vitrines. Se não brilhar, nem adianta manter a máscara, as
caras e bocas. Tudo é brilho. Tudo é lindo demais. Tudo é
perfeito, perfeitinho demais.
Por
isso tudo, talvez, os escritores de ficção estejam, aos poucos,
perdendo terreno, nas vendas de livros. O que todo mundo está
querendo saber mesmo é da vida (vitrine) do outro (biografias
autorizadas, ou não) - com que grifes desfila, viajou para onde,
está 'ficando' com quem, se tem feito mais sessões de botox,
lipoaspiração, ou cirurgias plásticas, que gafes cometeu, etc e
tal. A realidade mesmo, até no universo virtual, é que ninguém
quer mais saber o que as pessoas pensam, se pensam, quem são
realmente. Se eu não sou, o outro que não seja, também, e as
máscaras acabam auxiliando a 'convivência virtual' (até na real, a
convivência tem sido virtual).
Hoje,
quando passo por vitrines, nas calçadas da vida, tenho vontade de
rir, por que expressam, e por isso representam, bem menos que o
brilho todo das vitrines da vida e dos viventes. Não sei se é a
realidade, ou o domínio virtual, mas observo que os conceitos estão
desaparecendo, nem são mais substituídos, tal como a cara
(original) das criaturas, que estão se tornando mais criadoras que
criaturas. E já não são modificados somente nariz, barriga,
seios, bumbum. Isso é pouco. A disputa, nas vitrines da vida, exige mais,
muito mais. Pena que o indolor photoshop (ainda) não modifique a
vida (real) de cada ser humano, o mesmo ser que é obrigado a
conviver com ele mesmo, cara a cara, a cada segundo do tempo, que não
privilegia ninguém, nem espera.
... na real, no virtual, no escambau, até a mais criativa e reluzente máscara revela o que encobre, o que sobrevive no fundo mais fundo...
... na real, no virtual, no escambau, até a mais criativa e reluzente máscara revela o que encobre, o que sobrevive no fundo mais fundo...
sábado, 7 de março de 2015
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