terça-feira, 28 de abril de 2015

Que coisa feia!

Tem coisas que a gente não merece sequer tomar conhecimento, muito menos sofrer (nem nos piores pesadelos). As notícias que me chegam, de meios de comunicação sérios, me deixam indignada. Que coisa feia! O irônico, nisso tudo, é que os protagonistas da violência têm sido justamente aqueles a quem deveríamos respeitar como “homens da segurança”.
Em São Paulo, há alguns dias atrás, um segurança, contratado pelo governo do Estado, atirou contra quatro professores da rede pública estadual, que estão em greve. A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo justificou que o segurança era terceirizado. Ah, claro, senhor governador, isso explica tudo!... Terceirização é uma palavra em voga, no Congresso Nacional – tá na moda...
Hoje, os policiais militares do Paraná resolveram desabafar mesmo, e miraram num só alvo: os professores da rede pública estadual, também em greve. Pode ser que o governo do Paraná justifique o uso de spray de pimenta, jatos d’água e bombas de gás, como meios de aliviar o stress dos pms (ainda não são terceirizados).
O resto fica por conta das imagens e do que você queira (ou não) pensar a respeito:

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Manchetes pra causar inveja no Dia da Mentira

O mar do Rio (de Janeiro) secou

Todo o efetivo das Polícias Civil e Militar fugiu de SP

Rede Globo assume o governo federal - Edir Macedo abençoa posse

Analfabetismo generalizado causa fechamento de todas as universidades no Brasil

Show na Praça terá Pena de Morte no lugar de Ivete Sangalo

São Paulo é soterrado pelo Sistema Cantareira

Criminosos organizados fecham todas as Unidades de Saúde do Brasil

Brasil será cercado por píeres para conter ondas de violência

Comandos criminosos invadem o Palácio do Planalto e chamam canal de televisão ao vivo

Brasil registra 836.371.001 estupros por minuto

Governo anuncia investimento no turismo sexual

Todos os livros estão proibidos no Brasil: só televisão liberada

Jair Bolsonaro é Ministro da Defesa

Silas Malafaia é Ministro da Justiça

Marco Feliciano é Ministro dos Direitos Humanos

Eduardo Cunha é o Procurador Geral da República

Militares aposentados e zona sul assumem ditadura fortalecida

Brasil é nº 1 no tráfico de drogas falsificadas à Ásia

Governo norte-americano afirma que programação da TV brasileira é (muito) melhor que as guerras no Oriente Médio

Petrobras afundou de vez

Governos estaduais queimam favelas para exterminar a pobreza

Brasil terá transporte público gratuito puxado por jegues do nordeste

Criminosos ministram workshop sobre aplicação da pena de morte por todo o Brasil

Inflação brasileira cresce 291.507.347.001% a cada semana

Governo dos Estados Unidos muda sede para o Brasil atrás de Indiana Jones

Fim da mortalidade infantil: A culpa é do governo

Produção total de grãos apodrece no Brasil

Brasil importa água da África

População brasileira acaba com estoque de armas e ataca todas as ruas

Golpe: Beneficiados pelo Bolsa Família são polígamos

Governo federal entrega prédios do “Minha Casa, Minha Vida” à Venezuela

Maiores empresas do Brasil quebram e migram para o setor de 1,99

Aprovada redução da idade penal para recém nascidos

Baratos (por que não valem uma casca de cebola podre) 'colegas' de jornalismo, essas manchetes todas são pra vocês morrerem de inveja, pois não terão orgasmos múltiplos, anunciando o que jamais se realizará. Sigam procurando as piores do dia - a concorrência continua acirrada, sem limites sensacionalistas... e tenham um infeliz dia da mentira!...
Mentiras por mentiras, prefiro as minhas, que, pelo menos, são irônicas, me fazem gargalhar, justamente por se tratarem de mentiras assumidas...
Há muito tempo, escolhi não dar audiência a canais e programas que não merecem o meu olhar questionador. Hoje, muito mais que o controle remoto, o que uso mesmo é esse botãozinho:

domingo, 8 de março de 2015

Vitrines da vida

Foi-se o tempo das vitrines de comércio formal reinarem absolutas, numa concorrência inimaginável. Hoje, as pessoas criam as próprias vitrines - tempo virtual. Quem não quer ir, acaba sendo levado no 'cordão carnavalesco'. Neste mundo, onde vemos e somos vistos, tudo é atrativo, brilhante, todo mundo é bilionário, lindo, maravilhoso, destemido, saudável, magnífico em tudo, o tempo todo. A concorrência já não é pessoal, pois se trata de quem aparenta mais. Mais o quê?... Ninguém imagina, por que não há limites. As redes sociais, principalmente, estão lotadas de fotos que desbancam qualquer manchete do dia.
Nas vitrines da vida, cada qual mostra as (melhores e maiores) armas que tem - com direito a exibir até pistolas e fuzis, nas redes sociais. As máscaras vão muito além daquelas exibidas no carnaval. Tem pra todos os gostos e desgostos. Nem dá pra imaginar o que você vai ver, na próxima página, na esquina seguinte, no próximo toque no controle remoto da tv.
Diante de tudo isso, na minha visão estrábica, só consigo pensar que nunca se viu uma realidade tão estrondosa como essa. Quem não fizer barulho, não chamar a atenção, está fora das vitrines. Se a máscara for maravilhosa, quase perfeita, tem até réplicas, em outras vitrines. Se não brilhar, nem adianta manter a máscara, as caras e bocas. Tudo é brilho. Tudo é lindo demais. Tudo é perfeito, perfeitinho demais.
Por isso tudo, talvez, os escritores de ficção estejam, aos poucos, perdendo terreno, nas vendas de livros. O que todo mundo está querendo saber mesmo é da vida (vitrine) do outro (biografias autorizadas, ou não) - com que grifes desfila, viajou para onde, está 'ficando' com quem, se tem feito mais sessões de botox, lipoaspiração, ou cirurgias plásticas, que gafes cometeu, etc e tal. A realidade mesmo, até no universo virtual, é que ninguém quer mais saber o que as pessoas pensam, se pensam, quem são realmente. Se eu não sou, o outro que não seja, também, e as máscaras acabam auxiliando a 'convivência virtual' (até na real, a convivência tem sido virtual).
Hoje, quando passo por vitrines, nas calçadas da vida, tenho vontade de rir, por que expressam, e por isso representam, bem menos que o brilho todo das vitrines da vida e dos viventes. Não sei se é a realidade, ou o domínio virtual, mas observo que os conceitos estão desaparecendo, nem são mais substituídos, tal como a cara (original) das criaturas, que estão se tornando mais criadoras que criaturas. E já não são modificados somente nariz, barriga, seios, bumbum. Isso é pouco. A disputa, nas vitrines da vida, exige mais, muito mais. Pena que o indolor photoshop (ainda) não modifique a vida (real) de cada ser humano, o mesmo ser que é obrigado a conviver com ele mesmo, cara a cara, a cada segundo do tempo, que não privilegia ninguém, nem espera.
... na real, no virtual, no escambau, até a mais criativa e reluzente máscara revela o que encobre, o que sobrevive no fundo mais fundo...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Essa coisa toda chamada amor

Pelo que a gente percebe, diariamente, dá mesmo pra dizer, parodiando “o cara”, que “nunca antes, na história desse mundo”, ouviu-se tanto: eu te amo. Essa coisa toda chamada amor, na minha opiniãozinha medíocre, representa tantas outras coisas - menos amor.
Cá entre nós, faz muito tempo que as criaturas usam e abusam da desgastada palavrinha 'amor'. “Por amor”, tem muita gente enganando, violentando, e até matando. Mas ainda há quem faça do 'amor', negócio mais rentável - com duas ou três frases de Shakespeare, ou de Chico Xavier, muita gente, sem dinheiro, encurta caminho para um empreendimento de sucesso, ou até casamento que renda polpuda pensão.
Acho que chegamos mais perto do que possa ser realmente amor, se amamos as pessoas, com o mesmo amor devotado aos animais, respeitando a natureza de cada um deles - sem expectativas. Ainda há quem ame os animais, simplesmente por eles existirem, e, de alguma forma, fazerem companhia - nem precisam abanar o rabo. Tem gente que ama cachorros, gatos, pássaros, iguanas, e até cobras. Quando somem, nos preocupamos, vamos atrás deles, sem cobrarmos, no retorno, onde e com quem estavam, fazendo o quê. Simplesmente, continuamos amando esses bichinhos que encantam, respeitando a vida própria e natural deles. Os animais de estimação não exigem além do que doamos a eles: água, comida, e algum afago distraído.
Por isso, tem tanta gente escolhendo criar animais, em vez de casar, ou ter filhos. Muita gente vai além, no que chama “amor sem medidas”, e trata os bichos, feito filhos, comprando roupas e joias para os animais - os pet shops estão cheios de encomendas para festas de cachorros e gatos, principalmente. Na realidade (desmedida), há quem queira fazer do bichinho de estimação, projeto de gente (da ostentação) - com roupas, joias, acessórios inimagináveis em qualquer mundo animal.
Enquanto isso tudo acontece, os protetores de animais se multiplicam - afirmam que, “por amor”, socorrem gatos e cães matratados. Depois, voltam para casa, para devorarem seus pratos com carnes de bois, peixes, porcos, frangos, patos, pombos, marrecos, bodes, perus, ovelhas, lagartos, rãs, tatus, coelhos, etc etc etc, bem ou mal passados. Por todo lugar, há defensores de animais que usam casacos, chapéus e calças de couro, e cintos e sapatos, também de couro (animal). E ainda tem gente que cria chester, no freezer, para matar e comer nas festas de final de ano (tô brincando, gente)...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Mundinho mimado e sexualizado

Na minha desimportante opinião, vivemos sempre numa geração intermediária - entre outras duas gerações. Por isso, talvez, em meio à vida dinâmica (“nada é; tudo está”), não temos valores bem definidos, ou qualquer outra coisa que acabe tendo valor, ou não.
Habitante, também, desse planetinha, eu me vejo entre duas gerações, nem sempre distintas. Convivo num mundinho potencialmente mimado e sexualizado (se você vive no planeta terra, também deve saber) - às vezes, um; às vezes, outro; às vezes, os dois, ao mesmo tempo. Infelizmente, refiro-me, aqui, aos chamados 'seres adultos' (traduzindo: já passaram, pelo menos na faixa etária, pelas fases da infância e da adolescência). Por isso (quem sabe?), tem tanta gente defendendo a redução da idade penal: querem exigir (com punição), dos menores, ética e moral que não existem realmente no mundo adulto. Se fosse para os menores seguirem esses exemplos exigidos de ética e moral, hoje, teriam de buscar em outros planetas. A coisa está tão rara, que, volta e meia, vira manchete de algum jornal que se perde do sensacionalismo, por um momento apenas.
Penso que tudo isso torna-se bastante complicado, justamente por não haver mais distinção de comportamento(s). O que enxergo, na minha visão estrábica, é a maioria das pessoas com atitudes mimada e sexualizada, em situações bastante cotidianas. Nem vou me deter, aqui, nas redes sociais, onde o que predomina é tudo, ou quase tudo, que as pessoas gostariam de ser - em algum momento da vida, se perderam do caminho, ou nem sequer chegaram a qualquer indício de caminho.
Esse mundinho está mimado e sexualizado demais, gente - isso é fato. Em qualquer ambiente, você encontra gente que só faz o que quer, com quem quer, quando quer. Penso que, assim, a vida seria um resort - férias vitalícias. E ainda a maioria trata de sexualizar tudo o que vê e ouve, como se realmente pensasse apenas em sexo. Eu fico com Renato Russo: “Sexo verbal não faz meu estilo”. Entre o simbólico e o imaginário, de repente, uma simples banana, ou um modesto pepino, torna-se representação do falo. Vai saber o que, daqui a pouco, poderá simbolizar o pênis propriamente dito. Se continuar assim, a velha conhecida feira de frutas e legumes acabará representando sex shop.
Estamos sendo bombardeados por apelos imperativos (“seja mimado”, “seja sexualizado”), o tempo todo, mas poucos enxergam isso. E já não existe mais piada, ou brincadeira, que não tenha conotação sexual. E não há um dia que você não veja cenas de adultos mimados exigindo isso, ou aquilo, ou isso e aquilo, sem qualquer possibilidade de diálogo. Em algum instante da vida, a maioria se perde, ou se perdeu, e, de tão perdida, continua sem pensar sobre isso, ou qualquer outra coisa. Pra (quase) tudo desandar de vez, os canais de televisão, como sempre, dão aquela mãozinha básica, exaltando (e ensinando) as atitudes sexualizada e mimada - mix de tudo isso, num programa só.
Eu ainda penso nas crianças (faixa etária: infância), aliás, nas crianças que podem ser crianças, ainda. Muitas delas cumprem vida adulta (ou o que se imagina ser vida adulta), com tantos compromissos (aulas de balé, inglês, judô, futebol, informática, espanhol, boas maneiras), que, no final do dia, estão tão exaustas, acabam dormindo, em cima de lições escolares. Mas continuo pensando nas crianças que ainda conseguem ser crianças, que testemunham, diariamente, esse chamado mundo adulto, com a maioria agindo debilmente, sem assumir a própria vida, multiplicando e reproduzindo atitudes mimadas e sexualizadas. Dia desses, presenciei uma cena cada vez mais comum, num shopping: a mulher gesticulava, e começava a gritar (“eu quero, eu quero”), o homem tentava segurá-la, enquanto o filho (cinco anos, no máximo), de olhos arregalados, boca aberta e silenciosa, nem se apercebia do sorvete que derretia e escorria pelos dedinhos dele.
Com tanta gente mimada e tantas interpretações potencialmente sexualizadas, não podia acontecer outra coisa: os relacionamentos tornam-se cada vez mais difíceis, até se tornarem realmente inviáveis, e impossíveis. Pense comigo (se quiser/puder): Que criatura mimada vai querer atender aos mimos de outra (mimada)?... O que falar, manifestar, num ambiente onde tudo, tudo mesmo, é sexualizado?... “Os incomodados que se retirem” (dizem alguns) - os incomodados e os desacomodados se retiram mesmo, enquanto a maioria se acomoda. A cena seria cômica, se não fosse trágica: todo mundo andando em círculos (sexualizados e mimados), no meio de um bombardeio constante, no olho cego de um furacão. Catatonia triste e desoladora. E a Juíza Andréa Pachá ainda faz pensar mais: "Quando você estabelece que seu objetivo de vida é o seu prazer, você perde o olhar para quem está perto. Aí, fica impossível viver junto. Não podemos nos ocupar só do nosso desejo”.
Mas isso tudo sou eu que enxergo, e penso - penso muito. E continuo observando, na tentativa de ver o que ainda não vi, para deixar de lado o que penso, e pensar um mundo menos e mais, pra (quem sabe?) termos o equilíbrio como vizinho mais próximo.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Estamos quites

Nesta virada de ano, fiquei pensando tantas coisas. O que mais pensei é que eu estou quite com o mundo, com a vida, com o tempo. Eu e o tempo estamos quites, por que sempre me dei bem com o tempo - não adianta querer brigar com quem tem o “Coringa” na manga. Eu e o mundo estamos quites, por que fazemos o melhor que podemos fazer - “tudo a seu tempo”. Eu e a vida estamos quites, por que não há nada, nada mesmo, que eu tenha me arrependido de viver - foi assim que cheguei até aqui.
Se a vida continua, depois da morte, não sei - há muitas controvérsias, sobre “ninguém ter voltado pra contar”. O que sei é que essa vida (presente) é única, por que não volta mais - mesmo. Jamais estaremos onde estamos, com quem estamos, fazendo o que fazemos, deixando de fazer o que deixamos, fazendo as escolhas que fazemos. As outras vidas que teremos - se teremos - serão realmente outras. Tem muita gente desavisada, de mal com a vida, com o mundo, com o tempo, à espera, sempre, do passaporte à ilha da fantasia. Pior ainda, quando escolhe esperar que a vida boa venha, prontinha, embrulhada em papel de presente, pelas mãos dos outros. Enquanto isso, fica sem saber que cada instante desta vida é realmente especial, por que sempre único. Por isso tudo, Lenine ainda canta: “A vida é tão rara”...
Feito toda gente, também eu faço as minhas escolhas. A cada ano que passa, tenho reduzido, cada vez mais, as minhas expectativas em relação ao mundo, à vida, ao tempo. Nada desesperador. Percebo que, assim, tenho amadurecido quem (acho que) sou. Cabe colocar aqui que nem consigo me imaginar correspondendo a expectativas alheias - seria muito pra minha cabecinha, por que cada pessoa espera algo (diferente) da gente. Quanto menos expectativas eu tenho, mais surpresas boas recebo (vivo o que acredito, cada vez mais). Gosto do imprevisto, da porta que se abre no meio do nada, das nuvens que aplacam a tempestade. Essa é a minha (única) expectativa para 2015: o imprevisto.
Sempre gostei de desafios - dos bons desafios. Nem considero desafio o que é feito para ser exposto nas redes sociais. Não. Desafio, pra mim, é o que desafia (só) eu mesma. Também, não gosto do que chega prontinho, embalado em pacote de presente. Gosto das peças de Lego (conhece?), do que me instiga a desfazer, fazer, desmontar, montar, desconstruir, construir (refazer, remontar e reconstruir dá muito trabalho, e o resultado é sempre o mesmo).
Nada acontece de um momento para o outro - tudo flui aos poucos, seguindo o que existe de ritmo harmonioso no mundo, no tempo, na vida. Depois disso, só dá pra pensar, mais uma vez, em Benjamin Disraeli: "A vida é muito curta para ser pequena”.
E lá vou eu aprender um pouquinho mais...